xml !

segunda-feira, novembro 17, 2008

O FIM DA BLOGOSFERA

"Sobre o fim da blogosfera
23:24 | Sábado, 15 de Nov de 2008

As pessoas, incluindo os profissionais de jornalismo, lêem o que cérebro os deixa ler. Um título de uma peça tem um duplo objectivo: sintetizar o assunto, ou teor, do artigo e chamar a atenção para ele.
No início da semana, recebi o mail de Rogério Santos a lembrar-me, gentilmente, o IV encontro de blogs na sexta-feira, pedindo o título da minha apresentação para o colocar no blog do encontro. Dei as minhas voltas. Já sabia sobre o que iria falar mas faltava-me ainda uma linha de força. Passado um determinado tempo, respondi-lhe: "A minha comunicação terá por título "O fim da blogosfera". É um título provocativo e jogo com os sentidos da palavra fim, não tanto como no fim de um livro, mas mais no fim da margem de um lago - chegar a uma fronteira. É uma metáfora para o fim da fase das borbulhas da blogosfera, que entra numa idade madura - como aliás fazia notar a The Economist [...].
Nessa idade madura está a ligação ao tema do painel - cultura e negócio"
E passados mais uns minutos, decidi-me. Era simplesmente irresistível fazer, no meu blog pessoal, um post intitulado o fim da blogosfera. Um post normal, informando do IV encontro a escassos dias da sua realização, e dando notícia do teor da minha apresentação."


Ver o Expresso, texto de Paulo Querido


Estas análises são exercícios muito interessantes e estimulantes para criar pensamento sobre a blogosfera. A vida de uma qualquer inovação implica desenvolvimentos para terrenos novos e o abandono de outros aspectos que se tornaram inúteis, banais ou rotineiros. O alcatrão foi provavelmente visto como o fim dos automóveis ou uma ameaça para o ser ar desconjuntado.

sábado, novembro 15, 2008

LINKS

A ERC DE NOVO

A desacreditação da ERC pelo Supremo Tribunal
Eduardo Cintra Torres
ect@netcabo.pt

Supremo Tribunal de Justiça considerou numa decisão recente um dos famosos estudos quantitativos da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) como incompleto e com bases insuficientes e inexplicadas. Em resumo: incompetente. O Supremo junta-se assim às instituições, deputados e outros políticos, jornalistas, comentadores, blogues e antigos reguladores que têm condenado a acção da ERC de transformar a informação jornalística numa actividade quantificada através de métodos desadequados, resultando uma trapalhada subjectiva e pseudocientífica através da qual tem procurado domesticar a imprensa e condicionar a liberdade de informar, numa estratégia consentânea com a do Governo.

Diversas instituições e pessoas têm considerado que o procedimento da ERC carece de valor por questões de princípio: não se pode avaliar a qualidade e a independência do jornalismo através dos polémicos critérios adoptados; e é eticamente indefensável que a análise seja obra da própria ERC e seja usada no seu valor facial. Mas até agora quase ninguém mergulhou nos relatórios da ERC para mostrar falhas concretas, erros, processos errados, ocultações e mudanças de regras a meio do jogo.

É o que faz, no que estava em apreço, um acórdão do Supremo de 29 de Outubro, respeitante a um recurso da SIC sobre uma decisão da Comissão Nacional de Eleições (CNE) e sobre um dos relatórios contabilísticos da ERC (9PLU-TV 2007). A CNE multara vários órgãos de informação por deficiente cobertura da campanha autárquica de Lisboa em 2007. A deliberação da CNE, incrivelmente, não incluía provas concretas da suposta discriminação; limitava-se a usar o estudo da ERC como "prova". O Supremo Tribunal de Justiça impugnou a deliberação da CNE, absolveu a SIC e, por tabela, defendeu a liberdade de expressão e de informação em geral e no caso concreto.

O Supremo condena a CNE por não ter apresentado factos que abalizassem a condenação de vários órgãos de informação, incluindo a SIC: a deliberação da CNE era puramente impressionista - excepto no montante da multa que aplicou, picuinhas até ao cêntimo (4987,98?). Dadas as omissas bases factuais da CNE, os acusados nem poderiam saber de que eram acusados.

O tribunal chama a atenção para o óbvio cristalino, que muitas vezes escapa nas avaliações do jornalismo: verificar se a cobertura eleitoral foi ou não discriminatória exige apurar, entre outras coisas, as próprias acções de campanha das candidaturas objecto de notícias. Não o tendo feito, o estudo da ERC assenta em "pressupostos de facto e apreciação truncados". O Supremo refere que, na "análise" da ERC, "não consta o número total de acções de campanha efectivamente promovidas por cada uma das candidaturas e sem esse elemento não é possível concluir pela existência de tratamento discriminatório". O documento da ERC, afirma o Supremo, "não pode servir para demonstrar a existência de qualquer tipo de conduta enquadrável em tratamento jornalístico discriminatório".

O Supremo também considera errado condenar-se o conjunto de uma cobertura eleitoral com base naquele estudo: a ERC só contabilizou os noticiários das 20h.
O Supremo considera que "não está esclarecido o modo nem o critério adoptado" pela ERC para "efectuar a monitorização da cobertura jornalística" das eleições. Através de perguntas a que não encontrou resposta no documento da ERC, o Supremo desmonta a sua falta de qualidade analítica: "Como foi feita a análise? Em que elementos concretos se baseou? Em que critérios se alicerçou? Tudo perguntas para as quais não encontramos respostas concludentes". E mais à frente: "Em que termos e de acordo com que critérios foram analisados os blocos informativos" e em que "factos concretos assenta a conclusão da prevalência de critérios jornalísticos na cobertura das diferentes candidaturas baseados, essencialmente, na 'viabilidade eleitoral' de cada uma delas? Que meios foram analisados? E qual o critério seguido?".

A decisão do Supremo releva a leviandade da CNE ao seguir o procedimento pouco recomendável de se basear num documento da ERC; e é importante por desmontar o próprio procedimento interno das análises da ERC, destinadas essencialmente a condenar o jornalismo livre. Julgo que esta decisão do Supremo culmina o processo autofágico de descredibilização a que a ERC se entregou desde 2006. Depois desta decisão do Supremo Tribunal de Justiça, das duas uma: ou a ERC arrepia caminho e envereda apenas pela encomenda de análises sérias, independentes e devidamente fundamentadas, quer dos factos ocorridos no mundo real quer no tratamento analítico deles; ou então terá de calar-se para sempre.

teledocumentário Touro, de Camilo Azevedo, é politicamente incorrecto (RTP2, 08.11). Não dá voz aos opositores das touradas portuguesas ou corridas espanholas, mas não tinha que dar, por não ser uma reportagem, antes um telefilme documental com um ponto de vista. Só participam defensores do espectáculo taurino vindos da filosofia, antropologia, e toureiros, cavaleiros, ganadeiros, maiorais, aficcionados.
O singelo título do documentário logo indica a relação de simpatia com o bruto mais civilizado da nossa natureza ibérica. Trata-se de um programa que relata a "vida privada" do touro desde o nascimento até ao seu culminar, a entrada na arena para a morte pública - às mãos do toureiro ou no matadouro, depois da tourada. O destino do animal está traçado desde a sua concepção: o touro só existe para a tourada e a corrida. Simpatizando com o animal como simpatizam os aficcionados e profissionais do espectáculo que filmou, o programa explica-o como um sobrevivente ritual encenando a eventual vitória do homem sobre a morte própria.

Despretensioso, o teledocumentário vale principalmente pelo que não tem: a retórica balofa que caracteriza parte da literatura, da crítica e do audiovisual da tourada, mais pirosa ainda do que a descrição de vinhos nos rótulos traseiros das garrafas. Aqui é só contar como é a vida do touro, mostrar e comentar. Explica-se o espectáculo (o bom e o mau) sem precisar de o mostrar em demasia, à voyeur. Pode ser interessante para quem, como eu, não consegue compatibilizar o discurso racional-cultural de tanto filósofo e conhecedor do toureio com a brutalidade da morte do animal, seja ela um espectáculo de sublime estetização e cultural vitalidade, como é tantas vezes, seja ela uma chacina na arena, como é outras tantas.

O teledocumentário não distingue em demasia entre corridas e touradas porque trata-as como um fenómeno ibérico no seu conjunto para fazer a biografia da peculiar raça animal do touro bravo. É um programa sobre o animal, não sobre a lide. Daí os grandes planos dos touros, em detrimento dos planos abertos do toureio. Camilo Azevedo tem sido nas últimas décadas um realizador do ar livre e o seu apreço pelo touro ajuda agora a explicar essa preferência antiga.


No Público de hoje

terça-feira, novembro 04, 2008

Com a nacionalização do Banco Português de Negócios a marcar a agenda, renovamos o convite para a conferência que acontece amanhã:

em debate na Lusófona
Auditório Alexandre Pessoa Vaz, 5 de Novembro, quarta-feira, às 18.00

Jornalismo e Crise Financeira Nicolau Santos, Director-Adjunto do Expresso, e Pedro Santos Guerreiro, Director do Jornal de Negócios, debatem na Lusófona o tema “Jornalismo e Crise Financeira – Dilemas e Responsabilidades dos Jornalistas". Moderado por Helena Garrido, Subdirectora do Jornal de Negócios e professora da ULHT, este encontro coloca em cima da mesa a abordagem jornalística da crise financeira num ambiente marcado por rumores, medo e instabilidade. Qual deve ser o papel do jornalista quando a informação pode agravar ainda mais uma crise e gerar o pânico?