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domingo, agosto 31, 2008

OS MEDIA NÃO SÃO A REALIDADE

...mas também a ajudam a construir. Vejamos


1. "O futebol pesa mais do que a língua na ligação dos emigrantes portugueses ao país de origem

31.08.2008, Natália Faria

O Euro 2004 marcou um ponto de viragem que permitiu a muitos emigrantes reconciliarem--se com Portugal, segundo investigadores do ICS

Não falam português, não sabem o que são bolinhos de bacalhau e a imagem que guardam é a de um Portugal rural e atrasado. Os filhos e os netos dos emigrantes portugueses tendem a perder as ligações ao país de origem e isso não é novidade para ninguém. O que é novo é constatar o papel do futebol junto destes luso-descendentes: à boleia de jogadores como Cristiano Ronaldo ou Luís Figo, este desporto está a conseguir "prender" os emigrantes de segunda e terceira geração ao país de origem. E, mais do que isso, afirmou-se, sobretudo a partir do Euro 2004, como a face moderna de Portugal. Resultado: "Aqueles jovens sentiram orgulho pela primeira vez em afirmar aos colegas 'ah, não sei se sabes, mas eu sou descendente de portugueses'", sustentou ao PÚBLICO Nina Clara Tiesler, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Esta socióloga está a coordenar uma investigação sobre o papel do futebol em seis "espaços lusófonos", em Inglaterra, Alemanha, EUA, França, Brasil e Moçambique. O trabalho ainda não está concluído. Mas, depois de centenas de entrevistas a emigrantes, a socióloga já firmou algumas conclusões. Que ajudam a explicar, por exemplo, por que é que uma das preocupações fundamentais de qualquer representante governamental de visita às comunidades de emigrantes é garantir que os jogos da Liga são transmitidos na RTP Internacional. "Os próprios governantes usam o futebol como ferramenta para 'prender' os emigrantes ao país de origem", afirma a socióloga, ressalvando que esse é um jogo recíproco, ou seja, "a promessa surge como resposta ao interesse pelo futebol que já existe entre os emigrantes". Dado elucidativo: o jornal A Bola tem uma edição local em New Jersey, local de grande concentração de portugueses nos Estados Unidos, e é "o jornal português mais vendido fora do país"."


Público, hoje

Talvez já houvesse este sentimento difuso. A investigação de Nina Clara Tiesler, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, vem sistematizar e dar argumentos mais sólidos a estas teses.

2. "Pacheco Pereira acusa RTP de "servir" o Governo

31.08.2008, Natália Faria

Pacheco Pereira acusou ontem no seu blogue (http://abrupto.blogspot.com/) a RTP de se ter posto ao serviço do Governo. O social-democrata considera que o canal público "construiu" o jornal de ontem das 13h00 para "responder às críticas" ao ministro da Administração Interna, Rui Pereira, a propósito da alegada incapacidade do Governo para lidar com o recente agravamento da criminalidade.
Pacheco lembra que a RTP começou por emitir uma série de reportagens sobre operações policiais, as quais qualificou como "um típico caso do uso das forças policiais para disfarçar um problema político de fundo". E depois acusa os responsáveis pelo Telejornal de terem ido visitar o ministro que tutela a RTP ao seu gabinete, "certamente a seu pedido", para que aquele pudesse fazer uma declaração de ataque à oposição. "Em contraponto, há apenas imagens antigas de declarações da oposição, entremeadas pelos ataques do ministro Santos Silva, feitos de encomenda para a RTP", sublinhou, desafiando a Entidade Reguladora para a Comunicação Social a pronunciar-se sobre o que qualificou como "escandalosa manipulação de opinião pública"."


Público, hoje

Gostaria que os socialistas não dessem o flanco nestes aspectos. Mas, infelizmente, a história não tem negado esta instrumentalização ao longo dos tempos. Uma batalha a vencer não pela demissão deste ou daquele mas pela clara adopção de mecanismos de não interferência governamental nas nomeações da administração da RTP e em novas regras para o seu financiamento. Se isso não se fizer, Portugal não se moderniza num aspecto vital.