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terça-feira, maio 29, 2007

MESTIÇAGENS

Vá ver o Mestiçagens. Por vezes escreverei sobre jornalismo.

quinta-feira, maio 24, 2007

ONO

Foi muito estimulante ter Jeff Jarvis no debate em que participei na conferência da ONO.

Os debates nos EUA serão verdadeiros debates. Pediram-nos 7 minutos de intervenção e depois estivemos a debatere 2 horas. Dois intervenientes e um moderador.

Ver aqui informações sobre a conferência da ONO em Harvard .

terça-feira, maio 22, 2007

PROVEDORIAS no DN Crónica de hoje

A FORMAÇÃO CONTÍNUA DOS JORNALISTAS



JOSÉ CARLOS ABRANTES
provedor dos leitores


1 Começou ontem, em Boston, a conferência mundial dos provedores. O DN é o único órgão de comunicação social português presente. Nem o Público nem a Rádio Televisão de Portugal, através dos provedores da rádio ou da televisão, se fizeram representar na conferência que está a decorrer. Já em 2006 o DN foi o único delegado de Portugal na conferência organizada pela Folha de S. Paulo, do Brasil. O mesmo aconteceu em 2004, quando a conferência teve lugar na prestigiada escola de jornalismo do Poynter Institute, em St. Petersbourgh/EUA. Nestes últimos quatro anos só o Jornal de Notícias, jornal também propriedade da Global Notícias, se fez representar por Manuel Pinto, em 2005, em Londres.

O DN é não só um jornal que tem escrito a história portuguesa recente (1) como também tem estado atento às tendências do futuro, em particular no jornalismo. Vale a pena dizê-lo e repeti-lo, pois a memória dos homens é curta. O DN é considerado, por vezes, um jornal oficioso, injustamente. Não se pode esquecer esse papel, anos a fio, de alinhamento com a ditadura. Mesmo, em tempos mais recentes, houve tentativas para que novas ditaduras se tornassem reais. Simultaneamente, esquece-se, por exemplo, o tempo em que o DN foi dirigido por Mário Mesquita, época em que as pressões do partido, então no poder, não conseguiram demover a firmeza e frontalidade do então jovem director. E lembro este exemplo só por ser, provavelmente, o mais paradigmático da História recente. Mas o que conta para os "biógrafos" é uma história saída dos preconceitos ideológicos e não do acompanhamento empírico da realidade. Este tratamento é tanto mais evidente quanto, ainda hoje, se considera, com excessiva complacência, o alinhamento económico como factor tantas vezes decisivo na elaboração das notícias. A acusação de subserviência ao poder encontra arautos empenhados ao mais pequeno sinal de coincidência entre uma notícia e as posições de um qualquer assessor de imprensa. Ao invés, outras coincidências ou conflitos de interesses são calados de forma despudorada. Nuns casos como noutros, a voz da imprensa deve fazer-se ouvir, fortemente e sem restrições.

2 A conferência da ONO está a desenrolar-se na casa Walter Lipmann, nome familiar a quem estuda e pratica o jornalismo (2). A Nieman Foundation foi criada, na Universidade de Harvard, em 1937 a partir de um fundo de um milhão de dólares doado por um benemérito, Agnes Wahl Nieman (3). A ideia de Nielman não foi fácil de concretizar. Apesar de tudo, em 1938 iniciou-se um programa de bolsas para jornalistas, com algumas reticências dos responsáveis de Harvard. O seu promotor quis elevar os padrões do jornalismo, dando especial atenção à formação contínua dos jornalistas, a jornalistas já com experiência. Infelizmente, a formação contínua de jornalistas em Portugal é completamente desprezada. Os jornalistas e decisores, na sua maioria, jogam ao faz-de-conta, fingindo que tal problema não existe. Desviam o olhar de domínios como a medicina, a saúde, a educação, os transportes, só para dar alguns exemplos. Neles se instalou há muito uma filosofia de formação para a vida, embora com evidente bolsas de resistência. No jornalismo faz-se crer que a falta de tempo explica o marasmo, a inacção, a falta de acompanhamento destas tendências do mundo moderno e das empresas jornalísticas bem organizadas. Os jornais podem ter mais leitores com melhores notícias se a formação contínua se tornar uma realidade diária para os jornalistas portugueses. Estes precisam de estugar o passo acompanhando as tendências mais actuais das empresas mais dinâmicas, de todos os domínios. A ideia de "aprender" toda a vida é o terreno da sobrevivência profissional e humana de uma das profissões do futuro, o jornalismo.

3 As crónicas de provedor por mim assinadas chegam ao fim no dia 12 de Junho. Depois de três anos, acabo o mandato que iniciei em 3 de Maio de 2004. O Estatuto do Provedor dos Leitores do Diário de Notícias define que a nomeação do provedor dos leitores vigora por um período de 3 (três) anos, não prorrogáveis. É uma boa solução. O director do DN deu-me conta da intenção de nomear novo provedor para o jornal, o que é uma boa notícia para os leitores e para a imprensa portuguesa. Se a imprensa vive bem sem os provedores, a imprensa e os media que convivem com a crítica interna - e pública - dos provedores merece um especial aplauso e, estudos indicam, maior aceitação e credibilidade.

Dado que tenho bastante correio em tratamento, solicito aos leitores, se possível, que não enviem novo correio depois de 31 de Maio.|

(1) Esta ideia tem sido defendida por José Medeiros Ferreira.

(2) http/www.nieman.harvard.edu/

BLOCO NOTAS

Ian Meyes, Presidente
Ian Meyes, presidente da ONO e ex-provedor do The Guardian (Inglaterra) apontou, na sua alocução (diferida) de boas vindas, o trabalho de três sub-comités que tinham sido activados em S. Paulo. Um desses grupos diz respeito a um código de ética para a Organização dos Provedores. Uma outra área que tem estado em discussão desde o ano passado é a de encontrar algumas instituições financiadoras adequadas ao critérios definidos e aos propósitos e finalidades da ONO. A terceira prioridade é de, sem descurar a tradição e dinamismo dos membros dos EUA, berço da ONO, ganhar “um braço mais longo” na internacionalização. Exemplo desta preocupação é dada pelo objectivo de realizar a primeira conferência na África do Sul, em 2010. Defenderei nos próximos dias da conferência a colocação de Portugal como destino possível. Esta passagem seria uma ponte com os países para os africanos, mesmo que a conferência prevista para a África do Sul tenha que ser adiada para 2011 (em 2008 será a vez da Suécia). Segundo Meys, a experiência dos provedores encontra cada vez mais interesse a nível mundial. Rússia, Arménia, Jordânia, Finlândia foram países que recentemente acolheram o presidente da ONO.

Ainda a Nieman Foundation
Actualmente, o programa da Nieman’s Foundation internacionalizou-se e metade dos 24 bolseiros anuais vêm de fora dos EUA. O curador da Fundação, Bob Giles, que esteve no acolhimento aos conferencistas, afirma que mais de 1000 jornalistas de um total de 72 países já obtiveram bolsas destas instituição.
Desde 2001 que o jornalismo narrativo mercê especial atenção.
No site da Fundação estão as condições das candidaturas.

Escreva

Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”

Para outros assuntos : dnot@dn.pt



quinta-feira, maio 17, 2007

LIBERDADE NO JORNALISMO

"Publisher Ncube of Zimbabwe receives 2007 IPA Freedom Prize for his exemplary courage in upholding freedom of expression. IPA also awards a special posthumous prize to Hrant Dink of Turkey and Anna Politkovskaya of Russia." Só Textos

terça-feira, maio 15, 2007

MUDANÇAS....Provedorias no DN

José Carlos Abrantes

Os leitores têm dado opiniões muito diversas sobre as mudanças ocorridas recentemente no DN.

Uma leitora, Maria Augusta Oliveira (28/04), escreveu: "Se eu tivesse de assumir a direcção de um jornal, o modelo actual do Diário de Notícias não me traria a tentativa da influência em que sempre se vai beber quando se quer empreender.

De um jornal não se espera demasiadas imagens. As imagens não são argumentos decisivos. Certo, tal como nas gravuras que acompanham um texto complicado, as imagens podem servir de apoio ou de guia à inteligência, mas a sobriedade na sua utilização dá distinção à imagem de um jornal cuja preocupação seja transformar a sensação em consciência.

Palavras, torrentes de palavras de excelentes colaboradores como o DN sempre teve para o prazer de ler um jornal! - assim é, por exemplo, o Le Monde.

O actual Director do DN trouxe consigo, ainda que com alguma cautela, o estilo de um jornal que não casa com aquele que fez a boa imagem do DN, o que é natural, uma vez que, antes de se habitar dentro de casa, habita-se dentro de si mesmo - natural é, mas pena também.

Assim, também, os assuntos que são chamados à 1.ª pág. se têm manifestado pouco apelativos, sendo a escolha, de entre as realidades, as 'suas realidades'."

O recurso à simulação "Se eu fosse director do DN", apesar de ser um exercício interessante, não tem efeitos práticos: cada director imprime o seu cunho ao jornal, sendo provável que outra pessoa, no seu lugar, fizesse escolhas diferentes. Este e-mail revela também aspirações a que o DN dificilmente pode corresponder: tal como Portugal não é a França, o DN não é o Le Monde.

Já mais complexa é a consideração feita pela leitora de que "de um jornal não se espera demasiadas imagens. As imagens não são argumentos decisivos." O papel das imagens é um terreno de oposições muito marcadas. O jornal citado, o Le Monde, é aliás disso um bom exemplo. O formato em que as imagens estavam ausentes foi considerado ultrapassado e pouco apto a responder aos desafios do mercado francês, sendo portanto abandonado. Na altura, esta mudança deu origem a abundante correio ao provedor (médiateur) do Le Monde. Hoje, o jornal usa as imagens com frequência e, por vezes, em grande destaque. O argumento da leitora faz crer que as imagens são elementos de segunda ordem, comparados com a palavra escrita, excelsa e inultrapassável. Ora muitos leitores e pensadores estão longe de validar tal visão das coisas, considerando que a imagem tem uma dignidade própria e um papel decisivo na imprensa de hoje. Podemos lembrar, com José Pacheco Pereira, que as imagens ocupam mais espaço de um disco duro do que o texto, e que isso se deve também à sua grande complexidade informativa.

"O actual Director do DN trouxe consigo, ainda que com alguma cautela, o estilo de um jornal que não casa com aquele que fez a boa imagem do DN, o que é natural uma vez que, antes de se habitar dentro de casa, habita-se dentro de si mesmo - natural é, mas pena também." Ainda bem que a leitora usou o termo cautela, matizando o juízo mais definitivo que depois adianta. De facto, a prudência exige que não se reproduzam chavões e juízos automáticos. Agrilhoar as pessoas ao passado, sem lhes deixar margem de manobra e autonomia, é, claro, mais fácil do que avaliar os resultados das suas acções. Evitar estes atalhos tem benefícios. É complicado reformar uma instituição, sobretudo com uma história tão antiga como tem o DN. Os leitores criaram hábitos. Uma das dificuldades das novas direcções tem sido a corrida contra o tempo, que se insere no quadro do declínio gradual do número de leitores de jornais. O DN necessita de manter os leitores tradicionais e tentar simultaneamente alargar o seu público, o que é obviamente difícil e nem sempre foi conseguido nestes três últimos anos.

O leitor Jorge Galvão Videira (05--05-2007) sintetizou de outra forma as mudanças recentes no DN: "Na minha opinião houve algumas alterações que melhoraram o DN, como sejam:

- Organização do jornal, que facilita a leitura;

- Criação das faixas - o que vai acontecer hoje e amanhã

- Suplementos melhores, sendo de realçar o de Economia, com melhor organização e apresentação.

Também há aspectos, e alguns importantes, que pioraram, a saber:

- Sensacionalismos na 1.ª pág., o que não se coaduna com um "jornal de referência"; hoje há três Correio da Manhã (o próprio, o Público e o DN). O destaque, na 1.ª pág. dado a notícias como a operação do Eusébio ou a derrota de Mourinho é superior ao dado no jornal A Bola.

- Viragem à direita em termos políticos, visível pela cessação de colaboração de alguns, bons, jornalistas (não compensada pelo fim do pesadelo que eram os artigos de Luís Delgado).

- Suplemento Gente, sem qualquer interesse."

Já me referi, em anterior crónica, ao relativo equilíbrio de algumas soluções gráficas, que introduziram roturas mas respeitaram, em geral, a tendência gráfica do jornal. A criação de "faixas" [na gravura do Bloco--Notas] é, de facto, uma mais-valia para os leitores, um verdadeiro ovo de Colombo que, presumo, vai ter muitos seguidores na imprensa. Estas "faixas" permitiram aos leitores situar-se, no dia-a-dia, nas inúmeras actividades que hoje atravessam a parte do País que pode estar atenta. No domínio das Artes, da Política, dos Media, da Economia. Os leitores sabem hoje mais facilmente onde podem aplicar algum tempo livre ou profissional com proveito. Neste domínio da divulgação da agenda dos acontecimentos, o DN está a fazer um excelente trabalho para o leitor.

Irei, em próximas crónicas, analisar a acusação de sensacionalismo, a mudança de cronistas, a intitulada "viragem à direita", a primeira e última página e a página do Editorial. Pena que restem tantos assuntos para as poucas crónicas agendadas.

BLOCO NOTAS

DN na ONO

A ONO (Organization of News Ombudsman) vai realizar a sua próxima conferência anual de 20 a 23 de Maio. Em Boston, nos EUA, vão reunir-se provedores de órgãos de comunicação de todo o mundo. Estarão representados 13 países. Até ao momento, dos órgão de comunicação social portugueses, estará representado apenas o DN. O tema da conferência é “ Provedores (Ombudsman) num tempo de transição”, mostrando que o mundo é composto de mudança, como escreveria Camões. A sessão onde irei falar “Is There a shared Watchdog Role for the Public, the Blogs and Ombudsman?” será moderada por Geneva Overholser, da Missouri School of Journalism e terá a intervenção de Jeff Jarvis, Blogger, autor de um blogue intitulado Buzzflash. Entre outros, intervirão Dan Ockrent, primeiro provedor dos leitores do New York Times. Ian Mayes, presidente da ONO e jornalista do The Guardian, dialogará com Bill Kovach, fundador do Committee of Concerned Journalists, que esteve recentemente entre nós. (ver o programa da Conferência e outras informações em http://sotextosmesmo.blogspot.com/)

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN

Para outros assuntos : dnot@dn.pt|

domingo, maio 13, 2007

TELEVISÃO, iniciativa da

"A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) propôs, esta quarta-feira, a criação de medidas para a acessibilidade dos cidadãos deficientes, que representam 22% da população, no âmbito da televisão digital terrestre.

Segundo Francisco Godinho, coordenador do Centro de Engenharias e Reabilitação em Tecnologias de Informação e Comunicação (CERTIC), da UTAD, foi enviado à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) um contributo sobre a matéria de acessibilidade para cidadãos com necessidades especiais.

Conforme refere a agência Lusa, o objectivo é que a ERC inclua estas medidas no parecer que terá que dar ao Governo até 14 de Maio sobre a regulamentação da televisão digital terrestre em Portugal.

Nesse sentido, o responsável na UTAD sugere que, em matéria de «reserva de capacidade e obrigação de transporte e difusão», seja atribuída maior largura de banda à RTP, SIC e TVI a fim de poderem fornecer serviços de acessibilidade adequados à tecnologia digital.

Francisco Godinho adiantou que para cada rede solicita-se capacidade equivalente a um canal de TV Digital, que permitirá transmitir serviços especificamente concebidos para acesso adequado por parte dos utilizadores com deficiência e idosos.

Segundo refere o site da RTP, estes serviços consistem na difusão de três sinais complementares à emissão normal, tais como um sinal de vídeo para interpretação e Língua Gestual Portuguesa (LGP), um sinal de áudio para a dobragem em português de programas estrangeiros ou para fornecer áudio-descrição para pessoas com deficiência visual e um terceiro sinal de dados com legendas para surdos.

«A sobreposição dos sinais na emissão recebida pelos utilizadores será opcional, tal como acontece actualmente com as legendas para surdos transmitidas através do teletexto da RTP, SIC e TVI», explicou o responsável.

É também recomendada a valorização de propostas que promovam a acessibilidade e usabilidade da televisão digital terrestre, nomeadamente a interacção pessoa-televisão, bem como condições especiais para populações com baixos rendimentos."

In Fábrica de Conteúdos.

TELEVISÃO, BRASIL

A televisão publica no Brasil deu novos passos.

A democratização dos meios de comunicação no Brasil - particularmente da televisão está na agenda política de língua portuguesa. Normalmente não damos conta disso. Trata-se de 180 milhões de pessoas a debater o rumo para as imagens que le entram em casa. Ainda oir cima, algumas delas, ainda entrarão, também, nas nossas.

quarta-feira, maio 09, 2007

CARTAZES DE CINEMA

No DN assinala-se a inauguração de uma exposição invulgar de cartazes de cinema. Os cartazes erma de um tempo em que a imagem era rainha: numa imagem se lia a informação do filme.

"Dezenas destes cartazes, que contam a história dos primeiros filmes estrangeiros exibidos em Portugal (entre 1904 e 1915), podem ser vistos na exposição Cinema em Cartaz que é amanhã inaugurada, pelas 19.30, na Cordoaria Nacional e se mantém até 24 de Junho, podendo ser visitada entre as 10.00 e as 19.00 de terça a sexta e aos sábados e domingos, das 14.00 às 19.00, com entrada gratuita.

A colecção possui autênticas relíquias, que ficaram guardadas durante décadas e hoje têm, segundo avaliações internacionais, um valor inestimável. "Temos exemplares da grande distribuidora Léon Gaumont que desconheciam no seu próprio museu", revela, ao DN, a comissária científica da exposição, Adelaide Ginga. A casa Gaumont e a do irmão Charles Pathé, no fim do século XIX, que ainda existem, foram as primeiras empresas criadoras, produtoras, realizadoras e distribuidoras dos filmes de então.

"Estes affiches têm um duplo valor. Foram não só os percursores da forma de comunicar para o grande público mas, também, contemporâneos do aparecimento do cinema e da sua difusão como indústria", diz Marta Mestre, comissária adjunta."

terça-feira, maio 08, 2007

PROVEDORIAS Hoje, no DN

(O) 'DN JOVEM'José Carlos Abrantes
provedor dos leitores
provedor@dn.pt

"Venho por este meio, e muito humildemente, expressar a minha opinião e preocupação com o rumo que tenho visto o DN Jovem levar nos últimos anos e sobretudo desde finais de 2005 até ao presente.

Há muitos anos, talvez há mais de dez, que sou leitora assídua e dedicada do DN Jovem, tendo sido sempre meu sonho e objectivo participar neste segmento. (...) É com desagrado e crescente tristeza que tenho visto não só a qualidade do trabalho apresentado diminuir, como o espaço que o próprio segmento ocupa no jornal, sendo que ou nem sequer surge ou, quando surge, são tão parcas as contribuições seleccionadas que grande parte do espaço que resta é dedicado a anúncios.

Houve toda uma série de motivos que me levaram a não voltar a contribuir para o DN Jovem, desde o ano passado, dos quais passo a referir alguns: ter, na qualidade de maior crítica de mim mesma, lido textos que considero muito aquém do grau de qualidade que penso que deveria ser exigido e, comparando-os com os meus próprios textos, não ter neles visto nada com que pudesse aprender ou que me cativasse minimamente (o que não significa que julgue a minha escrita superior, até porque participei apenas quando estava certa de que tinha, pelo menos, feito algo 'bom'); por outro lado, salvo algumas raras preciosidades, não brilham os meus olhos ao observar as fotografias e ilustrações que por lá encontro, muitas são desprovidas de amor pela arte e mesmo pela vida, sendo apenas medíocres reflexos de quem obviamente não tem seguido o DN Jovem desde há alguns anos atrás e, logo, pensa que qualquer coisa servirá (até que ponto poderei censurar essas pessoas? Não é a seu cargo que se encontra a selecção); continuo sem encontrar razão para o facto de o segmento ocupar (quando ocupa) somente uma página da revista, e de a mesma ser partilhada com anúncios; uma outra questão é o site, que não evoluiu como a revista e que é antiquado, pouco atractivo e funcional numa altura em que revistas online têm um papel tão importante na dinamização e na união e aumento da criatividade (por permitirem a cada qual expor os seus trabalhos e aprender com o dos outros) entre os jovens e mesmo adultos. (...)

O Diário de Notícias chegava-me através do meu pai, leitor assíduo, que sempre me entregava o DNJ... por várias vezes recortei textos, em prosa ou verso, das páginas do DN e os guardei por entre as folhas dos meus cadernos, para que me acompanhassem para todo o lado e para com eles poder aprender, a cada leitura. O único que sobreviveu aos anos e ao fim dos cadernos foi um recorte sem nome (na altura nunca me importava com quem escrevia, apenas com o que escrevia) de um poema intitulado No Tempo em Que, que, como deverão lembrar-se, é da autoria de José Luís Peixoto e parte integrante do seu livro de poesia A Criança em Ruínas. Ora, quero com isto dizer que tal poema foi por mim decorado, analisado, lido e acarinhado durante muitos, muitos anos (...). Como José Luís Peixoto, haverá outros e outras, assim como deverá haver em relação a mim. Mas, pergunto-me, até que ponto não estaremos a desaparecer? Certamente que nem todos seremos grandes escritores ou artistas e que essa responsabilidade não deve ser atribuída ao DNJ, mas como não deixar de dar o nosso melhor e de querer ser sempre melhores do que na vez anterior?

E como ignorar que o DNJ é, de facto, uma boa oportunidade de se subir mais alto?

(...) O que aconteceu ao DN que ajudava a criar escritores? (...) Não creio que as coisas estejam bem e, acreditem, há muito tempo que venho adiando estas palavras, na esperança de ver melhorias. No entanto, não posso continuar a fazê-lo.

Lamento imenso ter visto algo que eu admirava chegar a este ponto em que, acredito, necessita de urgente remodelação e salvação.

Acredito que não serei a única a partilhar esta opinião, que, repito, aqui exponho humildemente, em jeito de crítica construtiva (com duas faces, pois também eu devo reflectir, enquanto leitora e colaboradora, no que posso fazer para melhorar) e na posição de alguém que tem um profundo amor por tudo o que possa ter um impacto tão forte, unificador e duradouro na vida das pessoas, melhorando-as de inúmeras maneiras, como acredito que o DNJ ainda pode voltar a ser, quem sabe mais do que nunca.

(...) Para quando uma mudança?"

A frescura da reflexão justifica a excepcional extensão da citação do e-mail. Também é muito importante a afirmação de que há hoje, felizmente, muitos jovens que lêem e escrevem, ao contrário de certas ideias feitas que só gostam de nivelar por baixo (1). Em 140 anos, o Diário de Notícias escreveu mais História do que qualquer outro jornal em Portugal. O DN agora tem o desafio do presente: cativar mais leitores, entre os quais jovens. Não pode deixar-se adormecer por um passado tão rico. Os jovens e outros públicos devem encontrar motivos, todos os dias, para abrir o jornal, encontrando diferentes enriquecimentos e novos desafios. E o enriquecimento literário, de primeiro contacto, de exemplo, de escrita literariamente apurada, tem de encontrar mais exemplos. O que implica que o jornal, pensado para todos os públicos, pode ter momentos de maior rigor "literário". E cautelas acrescidas em secções que têm tomado o freio nos dentes, nomeadamente os Classificados. Importa também considerar a imagem do jornal na Rede, limpa e magra, mas sem capacidade de atracção para públicos jovens, o que está a ser pensado e em decisão. O diálogo com as escolas é uma prioridade que predico desde os anos 90, altura em que chegou a estar planeado um DN Educação, com o director Dinis de Abreu. Os rumos foram outros, infelizmente. Existe ainda um vazio nesta área, cerca de 15 anos depois. E vazia está também a Galeria Diário de Notícias, local onde poderiam ser instalados alguns computadores que permitissem a jovens criar algumas páginas do jornal. Seria uma rede para os jovens, para as escolas, para o futuro. Teria mais eficácia na formação dos jovens do que todas as novelas que as televisões venham a fazer, com ou sem apoio do DN.

O futuro só existe pelo presente que vivemos.

Nota: Colocarei alguma informação adicional em http/sotextosmesmo.blogspot.com/. O DN Jovem será analisado em mais pormenor, noutra crónica, provavelmente a publicar online.

(1)Arriscar-me-ia a dizer que há hoje, incomparavelmente, mais crianças e jovens que lêem do que as que existiam na tão apregoada "excelente" escola da ditadura e, mesmo durante longos anos, na democracia. Na primeira, o crivo era implacável, atirando a esmagadora maioria das crianças para a lavoura, trabalho familiar e outros trabalhos desqualificados (caso do "emprego" em Lisboa para os filhos da população rural). No pós-25 de Abril, a democratização do acesso, ainda hoje não plenamente conseguida, demorou a instalar-se.|