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domingo, janeiro 14, 2007

UM DIA A FALAR DE TELEVISÃO

Organizei, no dia 4 de Dezembro, Um dia a falar televisão. Desse debate tenho ainda alguns videos que, nessa data, não pude disponibilzar. Eis alguns:

Inês de Medeiros


Jorge Wemans




Na altura dei a resposta que considerei adequada ao Jorge Wemans. Vou retomar algo do que penso ter dito na ocasião.

1 Acho estranho que Jorge Wemans tenha considerado uma ofensa a pergunta que enquadrava o debate para o qual o convidei. A pergunta era: O documentário tem público na Culturgest. E na televisão? Fui o moderador e convidei Inês de Medeiros,realizadora e Jorge Wemans, director da :2. Como se pode ver no primeiro vídeo Jorge Wemans considerou a pergunta uma ofensa. Estranho. Era só uma pergunta. Na troca de e-mails dissera isso ao Jorge: "Talvez a formulação não seja a mais feliz, mas o que se pretende é discutir os públicos. Até se pode chegar à conclusão que a 2: tem ajudado a formar o público da Culturgest, o que não me parece absurdo. Em suma, importa discutir e pensar, para fazer melhor. E perceber como nascem os públicos, como eles se desenvolvem ou morrem." Convidar para discutir será ofensa? Perguntar, mesmo de modo um pouco provocante, é uma ofensa? Estranha concepção.

2 Mas há a diabolização, tb. O tiro também é errado. Não tenho nada que me ligue à televisão. Salvo o ter ajudado a debater, vezes sem conta, as imagens de televisão. Com o Centro de Investigação Media e Jornalismo fiz 20 debates intitulados Falar Televisão em três anos. Dois anos no Instituto Franco Português e um no no Jardim de Inverno do Teatro S. Luís. Organizei dois cursos da Arrábida onde se discutiram temas ligados à televisão e à formação de públicos. Fiz sair livros neste domínio. Dei aulas sobre imagem e comunicação audiovisual nas quais os meus alunos aprenderam a máxima popularizada por Dominique Wolton que a televisão é o objecto cultural mais democrático das sociedades democráticas. Diabolização? Há aqui qualquer pedra no sapato, Jorge...

3. No final do segundo vídeo diz-se que uma das estratégias desta diabolização da televisão passaria por não querer debater com as pessoas da televisão, pois os directores seriam todos paus mandados dos governos. Bom, pessoalmente nunca formulei tal acusação. No entanto compreendo o ditado: "quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele."
Porém, o que a minha experiência diz é exactamente o contrário. Nestes anos fiz, vezes sem conta, convites a pessoas com responsabilidades na RTP, na TVI e na SIC. São raros os casos de aceitação. São raros os casos de respsotas, mesmo. Os directores e jornalistas de televisão escapam-se com frequência ao debate numa sala de debate? Porquê? Nâo sei. Talvez a audiência seja curta, talvez seja incómodo ouvir perguntas ou mesmo pateadas. Talvez seja mais cómodo estar atrás do olho da câmara. Talvez o organizador seja um outsider ao qual não vale a pena dar atenção. Mas há excepções: Emidio Rangel foi Coimbra a um Encontro de Educação para os Media no arranque da SIC, mas ignorou, olimpicamente, convites que lhe dirigi quando era director de informação da RTP. José Rodrigues dos Santos nunca se dignou responder sequer a e-mails que lhe dirigi, embora seja meu colega no CIMJ (será?). Judite de Sousa diz-se, de viva voz, disponível mas também nunca respondeu afirmativamente. Manuel Fonseca quando era director da SIC nunca teve tempo ou ocasião. José Eduardo Moniz, que convidei várias vezes, também nunca esteve num debate, tendo recebido mais de um convite. Por isso, não posso deixar de agradecer ao Jorge Wemans e a outros profissionais da televisão (Teresa Paixão, Nuno Santos, Joaquim Vieira, Emídio Rangel, Sofia Pinto Coelho, Maria João Seixas, entre outros..), pela disponibilidade para debater nestes pequenos areópagos. Mas vendo como alguns deles se desdobram em entrevistas no Sol, artigos nos mais diferentse órgãos de comunicação social, vendo as suas fotografias frequentes na Caras, ou como acorrem, solícitos, a qualquer pedido de entrevista de um colega do ramo, não posso deixar de perguntar: será que perguntar ofende? Será que responder é um exercício penoso? Será que algumas destas pessoas, com responsabilidades no espaço público, têm ideia que o espaço público também são os pequenos debates onde as ideias se podem defender de forma diferenciada dos outros meios?