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sábado, janeiro 06, 2007

PROVEDORIAS

"Jornalistas devem responder ao público"

Joaquim Fidalgo apresentou ontem tese na área da ética e regulação
Denisa Sousa

O docente da Universidade do Minho Joaquim Fidalgo acredita que os jornalistas devem "abandonar as trincheiras" e passar a responder ao público, numa perspectiva de "prestação de contas".

A par da auto- crítica, que defende ser fulcral para o exercício da actividade, o autor, que ontem viu aprovada a sua tese de doutoramento sobre "O Lugar da Ética e Auto- Regulação na Identidade Profissional dos Jornalistas" sublinhou a importância da criação de um ponto intermédio, semelhante a um Conselho de Imprensa, para que nenhum poder regulador cresça "desmesuradamente".

Tendo como pano de fundo a função do Provedor do Leitor- cargo que já assumiu no jornal Público- Joaquim Fidalgo, conclui que a existência desta figura "permite a entrada do público em todo o processo".

"Os leitores podem ser os melhores aliados dos jornalistas, não das direcções e das administrações, mas dos jornalistas", considera, defendendo que uma ponte entre uns e outros serviria para fomentar um "olhar para dentro".

Apesar da importância de "um jornal ter a crítica escrita nas próprias páginas" e, paralelamente, da hetero-regulação assumida pelo Estado, o autor acredita na eficácia de um "um organismo co-regulador, integrando quer jornalistas como leitores, que promova o debate". Uma forma de "equilíbrio" numa altura em que se multiplicam os protagonistas, advoga.

Joaquim Fidalgo inquiriu jornalistas de três jornais -Jornal de Notícias, Diário de Notícias e Público - e constatou que, globalmente, "há abertura face ao provedor", mas a aceitação diminui entre as camadas mais jovens. Mais do que um elo de ligação entre repórter e público, houve quem visse a figura como "um ponto de cruzamento das relações de força entre os profissionais e as chefias".

"Muitos vêem-no como um aliado para quando são obrigados a fazer um trabalho em moldes com os quais não se identificam", continua. Mais do que uma tese, a investigação é, nas palavras de Estrela Serrano, da Escola Superior de Comunicação Social, uma reflexão sobre os "vícios e perversões" da profissão, feita por quem tem "a dupla filiação de jornalista e académico".

Do Jornal de Notícias