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quarta-feira, janeiro 31, 2007

PROVEDORIAS no DN

Em busca da verdade
José Carlos Abrantes

Cabe aos profissionais da informação descobrir as dimensões da verdade, estimadas editorialmente relevantes.

A vida evolui a um ritmo acelerado e os media informam-nos sobre os acontecimentos mais importantes, quase instantaneamente. Noutras épocas, o relato do que acontecia era mais lento. Havia maior intervalo de tempo entre os acontecimentos e sua publicação. As notícias da Europa eram recebidas nos EUA muitos dias passados, nos meados do século XIX. Quando chegavam os grandes navios pejados de emigrantes, dispostos a tentar a sua sorte num mundo novo, os jornalistas de vários jornais nova-iorquinos, procuravam as novidades. Percebeu-se rapidamente que, em vez de cada jornal enviar os seus jornalistas aos cais de desembarque, seria mais fácil uma acção colectiva. Foi assim que se criou a Associated Press, em 1848, uma associação para recolher e distribuir a informação pelos jornais de então. Foi decisivo o esforço colectivo de dez homens, representantes de seis jornais. Ainda hoje as agências de imprensa recolhem e distribuem, agora de uma forma permanente e quase instantânea, informação para todos os órgãos de comunicação. Actualmente, a informação é muito volátil pois novos desenvolvimentos podem justificar-se lago após a publicação de um notícia ou de outra peça. Foi o que se passou com a última crónica publicada.
Um leitor questionou sobre a não publicação do nome de um juiz, que havia, tal como um jogador de futebol excedido a taxa de alcoolemia permitida. A jornalista deu prontamente os esclarecimentos solicitados pelo provedor. Chegada esta resposta logo surge um novo dado: uma carta de Acácio Barradas (1) vem questionar, de forma ainda mais sistemática, a posição do jornal, por este não ter publicado o nome do juiz envolvido. “Ou seja: na aplicação da regra de ouro da notícia – que, quem, quando, onde, como e porquê – o «quem» foi pura e simplesmente escamoteado ao conhecimento dos leitores.
A que se deve a desigualdade? Que motivos determinam que no mesmo jornal e no mesmo dia dois jornalistas (certamente com o aval dos respectivos editores) apliquem critérios tão díspares para o tratamento de matérias tão semelhantes?, escreveu Acácio Barradas. Um novo dado vem acrescentar-se: António José Teixeira, director do DN, ainda respondeu, embora não a horas de publicação na crónica da semana passada: “Além das explicações já dadas pela jornalista Inês David Bastos, cumpre-me esclarecer o seguinte:
1. O princípio geral do jornalismo, logo do Diário de Notícias, é o da identificação dos sujeitos das notícias. Os casos referidos não fogem à regra. Ou não deveriam fugir à regra.
2. O que aconteceu com a não identificação do juiz jubilado não resulta de qualquer discriminação ou intenção dissimuladora/generalizadora.
3. O que aconteceu é que, apesar de todos os esforços (e foram muitos), não conseguimos chegar à identificação do referido juiz. E, não o tendo conseguido, decidimos que se justificava, apesar da contrariedade, publicar a notícia. Até porque tinha base sólida: um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça. A decisão do STJ é pública e deve ser divulgada.
4. Não desistimos de chegar à identificação do visado, apesar do STJ não estar interessado em fazê-lo, lançando a suspeita sobre a generalidade dos juizes. Continuaremos a tentar a identificação do juiz. Em resumo, não foi displicência, discriminação ou pouco zelo. Foi a impossibilidade, até agora, de identificar o sujeito do acórdão.
Mas não acabaram aqui as reacções. O Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, António Pereira Madeira, enviou um esclarecimento sobre o depoimento da jornalista transcrito na última crónica: “Na qualidade de relator do processo a que alude a notícia infra copiada, cumpre-me informar, em nome da verdade, que nunca falei, directamente ou por interposta pessoa, com jornalista algum, nomeadamente a autora da notícia, sobre o assunto em causa.
Ninguém me pediu informação alguma, sendo inteiramente falsa a afirmação produzida de que «falei para o juiz-relator, que não quis falar comigo».
Na verdade, nunca falei com tal senhora, ainda que por via telefónica, nunca a vi, ouvi, ou conheço, sequer.
Solicitando e agradecendo e a reposição da verdade.”
Pedi novos esclarecimentos à jornalista e a director. António José Teixeira escreveu: “Face ao mail do juiz conselheiro António Pereira Madeira confrontei a jornalista Inês David Bastos sobre o sucedido. É esta a sua resposta: "No dia em que redigi a notícia falei, entre muitos outros sítios, para o Supremo Tribunal de Justiça. Pedi para falar com o relator do processo, foi-me perguntado, então, qual o assunto, ao que expliquei. Pediram-me para esperar um pouco e de volta tive a resposta que o juiz conselheiro em causa estava indisponível para falar. De facto, como digo na resposta ao provedor, o relator nunca chegou a falar comigo."
Inês David Bastos não disse em qualquer texto que falou com o juiz conselheiro. O que lhe foi dito foi que o referido magistrado não queria falar.
Aproveito para registar o "zelo" do senhor juiz relator muito preocupado com as palavras que traduzem o seu silêncio e nada preocupado em informar quem foi afinal o destinatário da sentença do Supremo Tribunal de Justiça. O DN foi objecto de críticas compreensíveis pela não identificação do magistrado condenado pelo STJ, responsabilidade exclusiva deste tribunal. O senhor juiz relator poderia ter aproveitado, com vantagem, a oportunidade para este esclarecimento. Não o fez. Em nome da verdade devia tê-lo feito.”
Aqui ficam transcritos os esclarecimentos. A jornalista não afirmou que tenha falado com o relator do processo, apenas garante que o tentou fazer. A formulação pode conter alguma ambiguidade, justificando o esclarecimento do magistrado. Porém, a situação já tinha outras dimensões: a descoberta de uma identidade é também uma dimensão da verdade devida aos cidadãos. Cabe aos profissionais da informação descobrir as dimensões da verdade, estimadas editorialmente relevantes.
Acresce que todas estas rápidas reacções exigem flexibilidade na publicação. Hoje os instrumentos técnicos existem: estão na rede, na Internet, nos blogues, na possibilidade de colocar a net em sintonia e complementaridade com o jornal de papel. Aguardemos por uma mais ágil versão do jornal em linha, de acordo com os prometidos desenvolvimentos para a nova versão do DN.

(1) ver a carta em http://sotextosmesmo.blogspot.com/

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN
Para outros assuntos : dnot@dn.pt

domingo, janeiro 28, 2007

PROVEDORIAS na ONO

Ian Meyes, ex-provedor do The Guardian e presidente da ONO (Organisation of News Ombudsman) escreveu no The Guardian sobre o papel do ombudsmann num mundo mediático de rápidas mudanças. Meyes espera que o The New York Times mantenha o provedor (public editor) e recorda que ambos os titulares que até agora exerceram a função vieram de fora do jornal. No Guardian a solução o foi encontrada no interior do jornal, pois quer Ian Meyes, quer a sua sucessora vieram dos quadros do jornal: ele era jornalista, ela jurista. Meyes lembra ainda que uma das questões que se está a discutir no NYT é a da maior abertura e interactividade dos jornalistas com os leitores, o que leva alguns a considerar desnecessária a continuação de um public editor.

"In my view, it is already apparent that the digital revolution and the higher degree of interactivity between newspapers and readers have increased rather than diminished the need for resident ombudsmen."

PROVEDORIAS no Público

Rui Araújo escreve hoje uma crónica intitulada O Público na internet - Epílogo

sábado, janeiro 27, 2007

WIKIPÉDIA

Segundo o Libération a Microsoft tentou comprar os serviços de um especialista para a reescrita de um artigo da Wikipédia.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

RADIO

Ouça a Radio Classique

OS MEDIA também estarão em discussão....

Nos dias 16 e 17 de Fevereiro vão realizar-se duas iniciativas sobre imagens:

1 Pensar a imagem
Seminário no CCB La photographie: un bien public?
16 Fevereiro, 10h-13h e 14h30-17h30 (6 horas)

2 Um Dia a Falar de Imagens Médicas, no IFP.
Dias 16 e 17 de Fevereiro 2007
sexta (início às 18h 30 m) e sábado (encerramento às 18h)

Ambas as iniciativas terão a participação de Monique Sicard, investigadora do CNRS e autora do livro A Fábrica do Olhar, das Edições 70. .

Mais informação abaixo e em
www.josecarlos.abrantes.net/
ou pelo telefone 93 634 68 53

1 LA PHOTOGRAPHIE: UN BIEN PUBLIC?
Seminário no CCB La photographie: un bien public?
16 Fevereiro, 10h-13h e 14h30-17h30 (6 horas)
Sala Polivalente do Centro de Exposições
Inscrições: de 8 a 26 Janeiro 2007

Vagas: 30 Preço: € 60
Critério de selecção: Ordem de chegada

Certificado de presença emitido pelo Ministério da Cultura/Centro Cultural de Belém
Esta última acção é desenvolvida em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa - Departamento de Comunicação e com o Professor José Carlos Abrantes.

Informações/inscrições: através dos telefones 21 361 28 00/ 21 361 28 67 ou do e-mail servico.educativo@ccb.pt

Mais informações em www.josecarlosabrantes.net/

2 Um Dia a Falar de Imagens Médicas

Dias 16 e 17 de Fevereiro 2007
sexta (início às 18h 30 m) e sábado (encerramento às 18h)
No Instituto Franco-Português, Avenida Luís Bivar, 91 Lisboa
Metro: Saldanha e Picoas
Inscrição:

Até 10 de Fevereiro 40 euros
Depois de 10 de Fevereiro 70 euros
Estudantes: 15 euros (nº limitado de inscrições)
Inscrições pelo email josecarlos.abrantes@gmail.com e telefone 936 346 853


Em Outubro, as Edições 70 publicaram o livro A Fábrica do Olhar, de Monique Sicard inserido na colecção A Construção do Olhar. A colecção pretende dar seguimento à concepção que as imagens se completam com as palavras. Uma imagem vale mil palavras, diz-se. Neste caso privilegiaremos as palavras. Esta é a razão maior para a colecção: publicar palavras sobre as imagens, os olhares, os ecrãs, os modos de as fabricar, de as ler e usar. Palavras que possam ser contributos para construir o olhar, para nos revelar modos de ver. Palavras que se ambiciona nos ajudem a não perecer num tsunami de imagens: as imagens, sem palavras e sem outras formas de apropriação e expressão, podem ter efeitos devastadores. Começámos com A Fábrica do Olhar, de Monique Sicard. Seguir-se-ão livros de Ema Sofia Leitão, Rogério Santos, João Lopes, Francisco Teixeira da Mota e Jorge Leitão Ramos, e, ainda, de Serge Tisseron.

Monique Sicard veio a Portugal para o lançamento do referido livro e participou numa iniciativa intitulada Um dia a falar de imagens, organizada em colaboração com o Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova e o Centro de Estudos de Comunicação e Linguagem (CECL). A iniciativa teve também o apoio do Serviço de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian. No dia 16 de Fevereiro, Monique Sicard voltará ao nosso país para orientar o seminário La photographie: Un bien public? que terá lugar no Centro Cultural de Belém. No dia seguinte, sábado, estará também presente numa iniciativa intitulada Um dia a falar de imagens médicas. Especialistas e profissionais conceituados reflectirão sobre as imagens que diagnosticam a nossa saúde e a nossa doença. Noutros tempos os médicos afiançavam ao doente, talvez com fundamentos escassos mas depois da realização de observações directas, "não tem nada". Hoje dizem "não vejo nada", deixando subentendido, ou claramente afirmado, que outra imagem, de outro tipo, possa gerar diferentes diagnósticos. Por outro lado, quando o corpo precisa de alguma intervenção, a cirurgia socorre-se de ecrãs e de câmaras, tornando os actos cirúrgicos mais precisos. A televisão aproveita o acto médico para nos descrever a profissão médica, as doenças, a vida hospitalar. Os artistas aproveitam a singularidade de certas imagens para delas fazerem obras de arte, expostas em galerias. Nós próprios, muito preocupados com a imagem do nosso corpo, oscilamos entre os pavores da obesidade e da anorexia, tentando manter equílibrios que se rompem com o estilo de vida e os hábitos.

Vamos dedicar um dia a reflectir sobre o mundo das imagens médicas e sobre as relações que a medicina, os médicos e os cidadãos com elas estabelecem.

Um Dia a Falar de Imagens Médicas

Dia 16 de Fevereiro, no Institut Franco Portugais
Avenida Luís Bívar, 91
Lisboa


18h 30m Abertura com entidades organizadoras e de acolhimento
Laure Bourdarot, Directora do Institut Franco-Portugais

Nota de abertura
José Carlos Abrantes

O médico e as imagens
João Lobo Antunes, director do Serviço de Neurocirurgia/Hospital de Santa Maria


21h LogoExisto, documentário de Graça Castanheira com a presença da realizadora
A realizadora e o filme serão apresentados por José Carlos Abrantes. Seguir-se-á um debate.


Dia 17 de Fevereiro, no Institut Franco Portugais

10h Presidente/moderador Dominique Chastres,
conselheiro audiovisual da Embaixada Francesa
As imagens médicas vistas por Monique Sicard, investigadora e ensaísta

11h Intervalo

11h 15 As imagens médicas vistas do lado da prática médica, do ensino e da investigação
Moderadora Carla Rodrigues Cardoso, professora na Universidade Lusófona
José Manuel Reis Santos, médico urologista no British Hospital e professor na Universidade Católica
Mário Andrea, director do Serviço de Ortorrinolaringologia do Hospital de Sta Maria
Margarida Pereira, médica radiologista no Centro de Senologia de Lisboa

14h 15 As imagens médicas vistas do lado da investigação médica e da arte
Moderador Marise Francisco, Serviço Educativo do Centro Cultural de Belém
Manuel Valente Alves, médico e artista plástico, director do Museu de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Maria do Carmo Seren, historiadora


15h 45 Intervalo

16h As imagens médicas vistas do lado da apropriação pelos cidadãos e pelos media
Moderador Paulo Filipe Monteiro, professor na Universidade Nova
Eduardo Cintra Torres, professor na Universidade Católica e colunista do Público
Eduardo Prado Coelho, professor na Universidade Nova, colunista no Público
José Bragança de Miranda, professor na Universidade Nova
Regina Marques, Escola Superior de Educação de Setúbal, doutoranda no domínio da retórica da imagem
Mário Ferreira, médico, Hospital da Luz

18h Encerramento
Paulo Filipe Monteiro

Organização de José Carlos Abrantes em colaboração com o Serviço de Neurocirurgia do Hospital de Santa Maria, o Institut Franco-Portugais e Edições 70.

Mais informações aqui

terça-feira, janeiro 23, 2007

Esclarecimento do Director do DN

Publiquei também um esclarecimento no Só Textos

Na próxima 5a feira, Janeiro 25

FNAC Sta Catarina PORTO
Apresentação dos livros
Televisão: Das Audiências aos Públicos, José Carlos Abrantes e Daniel Dayan (orgs)
Ecrãs em Mudança, José Carlos Abrantes (org)
A Construção do Olhar, José Carlos Abrantes (org)

por
Joaquim Azevedo, Presidente do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa e Director do Instituto de Educação
Manuel António Pina, Jornalista, escritor
Felisbela Lopes, Professora da Universidade do Minho e Directora do curso de Ciências da Comunicação.

No dia 25 de Janeiro de 2007, às 18h 30
FNAC Rua de Sta Catarina - Porto

FNAC, Livros Horizonte, Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ).

PROVEDORIAS NO DN

Muros de silêncio
José Carlos Abrantes


Na resposta são descritas diferentes tentativas feitas pela jornalista e pela direcção para dar uma informação mais completa. Entender-se-ia melhor se tudo isto tivesse sido explicado aos leitores.

Na última crónica dei conta de um caso em que o nome de uma bébé havia sido repetidamente incluído em notícias e títulos do DN. O leitor Francisco Santos escreveu sobre um caso aparentemente oposto, a ocultação de um nome: “Há dias atrás, noticiaram os órgãos de comunicação social, que Luísão, um conhecido jogador de futebol foi apanhado pela Polícia a conduzir com excesso de álcool. A notícia foi repetida até à exaustão e creio que até foi debatida em mesa redonda na TV.
Ontem, sábado, pode ler-se na página 26 do DN, "Juiz condenado por conduzir com álcool."
Lida toda a notícia, verifiquei com espanto que na mesma não constava o nome do Juiz, que até é Conselheiro e Jubilado !
Será que o DN não conseguiu a identificação, ou há alguma lei que impeça a publicação do nome da pessoa em causa, que até foi condenada ?
Pelos vistos, senhor Provedor, sempre é verdade que somos todos iguais, mas há uns mais iguais do que outros !
O que levou o DN a esta omissão ? Os leitores não têm direito à informação?
A jornalista, autora da notícia, deu razões o nome não ter sido incluído: “A notícia em causa sobre o juiz-conselheiro condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça por condução sob o efeito do álcool foi feita com base num acórdão deste mesmo tribunal. O Supremo tem, por regra, não identificar o arguido, embora o faça algumas vezes (nunca percebi bem o critério).
No acórdão, o juiz conselheiro está apenas identificado como AA, residente no Porto, com residência em Guimarães, também, e já jubilado. Todas estas informações constavam da peça.
É óbvio que eu tinha todo o interesse em colocar o nome do juiz-conselheiro e fiz esforços para que tal acontecesse. Falei para o juiz relator, que não quis falar comigo. Falei para o Conselho Superior da Magistratura, que disse desconhecer o nome do juiz (o que eu não acredito, mas enfim...), falei com dois juízes do Supremo que me disseram ter conhecimento, de facto, desse caso, mas que preferiram "não falar em nomes".
Perante isto, pedi mesmo ajuda à direcção de informação, que chegou, inclusivé, a tentar falar com o presidente do Supremo, que esteve sempre indisponível. Falou também este membro da direcção com dois conselheiros seus conhecidos. Mas, mais uma vez, nenhum quis dizer o nome.
Deixe-me ainda dizer-lhe que até contactei os órgãos de comunicação social de Bragança (onde foi interceptado o juiz) para saber se na altura o caso foi noticiado. Não tinha sido, disseram-me, e mais uma vez os meus esforços se revelaram infrutíferos, para muita pena minha.
Em suma, caro Provedor, reitero que eu tinha todo o interesse em divulgar o nome do conselheiro. Não o consegui...com muita pena, repito.”
Afinal, o jornal não ocultou uma informação que possuía. Antes a tentou obter, sem conseguir. Na resposta são descritas diferentes tentativas feitas pela jornalista e pela direcção para dar uma informação mais completa. Entender-se-ia melhor se tudo isto tivesse sido explicado aos leitores. Se as condições em que a notícia foi produzida tivessem sido publicadas, como foi feito agora, a suspeição não teria fundamento. Outro leitor, Acácio Barradas, que desempenhou funções de jornalista e editor do Diário de Notícias, enviou uma carta ao provedor sobre o mesmo assunto, questionando os processos editoriais e a aparente assimetria das decisões. A carta estranha os procedimentos, supostamente contraditórios, nas duas diferentes editorias (desporto e sociedade). Teria sido desnecessário receber estes dois protestos de leitores, embora a essência do seu questionamento tenha sido esvaziada pela resposta da jornalista. Mais vale dizer aos leitores: tentámos obter a informação, mas um muro de silêncio levantou-se à volta do juiz infractor. Dar a notícia pode implicar também fornecer aos leitores informação sobre as atitudes das fontes.
Nota: A carta ao provedor escrita por Acácio Barradas foi recebida já depois de obter a resposta da jornalista. Infelizmente, não pode ser publicada na íntegra por ser demasiado extensa. A carta retoma, no essencial, a questão formulada pelo primeiro leitor citado. Publico-a integralmente no blogue Só Textos


BLOCO NOTAS


Faltou o discurso
O leitor José Teles escreveu sobre o discurso do Presidente da República: “Sou pensionista, desde há alguns dias. E desde há alguns meses compro o DN com alguma regularidade, duas ou três vezes por semana. Comprei ontem, que
queria ler a comunicação do Presidente, de que toda gente falava, preto no branco.
Pois não tinham a comunicação. Não tinham o que ele tinha dito, apenas o que os vossos repórteres achavam que ele tinha dito. Algumas citações, muita interpretação jornalística e comentários políticos, mas quanto ao discurso, simples e inteiro, para poder eu próprio tirar as minhas conclusões, nada, em parte nenhuma, nem mesmo em letra pequena.
Acho mal. Tive direito a várias páginas sobre o discurso, não me deixaram tomar conhecimento dele, que era o que eu procurava, a razão por que comprei ontem o jornal. Sinto-me frustrado.”

.
A editora da secção Nacional respondeu “(....) O leitor queixa-se de que o DN não "tinha a comunicação" do Presidente da República. A meu ver, incorre num equívoco, a menos que estivesse na sua expectativa ler a mensagem na íntegra nas páginas do DN. Na verdade, o texto assinado por Paula Sá é, precisamente, um relato da comunicação de Ano Novo do Presidente da República - em que algumas ideias são explanadas através de citações entre aspas e outras através da opção pelo discurso indirecto. O texto não tem comentários políticos e o próprio título é absolutamente factual. "Serei exigente quanto aos resultados", disse Cavaco. Penso que, neste caso, o leitor não tem razão.”
Compreende-se a posição da editora. Um jornal não é o órgão oficial do Governo ou da Presidência da República. Os jornalistas têm legitimidade para dar aos leitores o essencial do pensamento do Presidente da República sem o adulterarem. Porém, pode reconhecer-se, simultaneamente, que o leitor poderá sentir-se frustrado por não encontrar o discursos na íntegra. Há jornais que o fazem, uma ou outra vez. Na sexta feira, dia 19 de Janeiro, o jornal Le Monde inseriu o discurso do presidente Jacques Chirac, na íntegra, sobre os Justos franceses, agora homenageados no Panteão. Estes ajudaram a fugir da deportação os judeus perseguidos pelos nazis. Ou seja, a notícia era o discurso presidencial, na íntegra, numa página inteira e numa secção intitulada Documento. Será que um discurso de Ano novo, do Presidente da República, não poderia ter um tratamento semelhante? É correcto o que o Le Monde fez, pese embora alguma aversão de alguns jornalistas aos documentos em bruto.

Escreva

Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”

Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN

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segunda-feira, janeiro 22, 2007

CULTURA DE MASSAS

"Tem lugar amanhã, terça-feira, dia 22, mais uma sessão do II Seminário de Cultura de Massas em Portugal no Século XX. Carla Baptista e Fernando Correia apresentam "Os anos sessenta como um período de viragem no jornalismo escrito português."
recebido de Tiago Baptista

terça-feira, janeiro 16, 2007

PROVEDORIAS Hoje, no DN

Os órgãos de comunicação social erraram no momento em que o caso da bebé de Viseu foi notícia pela primeira vez. O bom jornalismo evita persistir no erro.

No dia 5 de Janeiro o DN publicou um título sobre uma bébé de Viseu agredida pelos pais. Desde que o caso ocorreu, os primeiros nomes da criança foram repetidos em diferentes peças noticiosas. Pedi por isso esclarecimentos ao jornal. O editor da Sociedade respondeu: “A regra quanto aos menores de idade vítima de abusos sexuais é a manutenção do seu anonimato, como aliás está claramente expresso no Código Deontológico dos jornalistas: "O jornalista não deve identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade." Na generalidade desses casos, o jornalista opta voluntariamente por ocultar informação dos seus leitores de forma a proteger os menores de uma exposição pública que lhes poderá ser adversa. Existem, contudo, questões de difícil resolução, tais como a clarificação dos conceitos de identificação e anonimato(deve-se inventar um nome?, resumir o nome próprio a uma letra?, ocultar apenas o apelido?), que certamente mereceriam alguma reflexão dentro do DN. Este caso é ainda mais complexo, por se tratar de uma bebé de poucas semanas quando foi agredida pelos pais. O nome da bebé, até pela dimensão da tragédia, entrou imediatamente no espaço público através de todos (ou praticamente todos) os meios de comunicação social, e quando assim acontece não há forma de o retirar de lá. É um daqueles casos em que só uma auto-regulação dos media poderia solucionar o problema: se o nome é pronunciado na televisão, na rádio e em quase todos os jornais, a introdução de um nome falso num diário, isoladamente, produziria um ruído incompreensível para o leitor. Daí que tenhamos optado por divulgar sempre o seu nome próprio (embora não o seu apelido).

Além disso, sendo uma bebé, e uma bebé que esteve muitos dias entre a vida e a morte, convém também ter em conta que esta criança não está para já sujeita a uma pressão social que a possa prejudicar. Se ela fosse, por exemplo, uma criança de oito anos de idade vítima de abusos sexuais a frequentar uma escola primária, já me parece que a divulgação do seu nome seria um acto de irresponsabilidade.

Uma última nota, de carácter mais pessoal. Tenho para mim que a utilização de nomes fictícios num texto é um empobrecimento jornalístico a que o repórter deve, por regra, resistir sempre. O nome é parte significativa da identidade de alguém, uma peça fundamental da construção do "eu", da qual só se deve abdicar em último caso. Esta história é uma gigantesca tragédia que nos interpela e nos leva a reflectir sobre os limites do ser humano. A história da bébé de Viseu poderia ser escrita com as mesmas palavras, mas nunca seria a mesma coisa. Muito sinceramente, caro provedor, não me parece que exista uma boa resposta para este dilema.”

Código Deontológico dos Jornalistas
A argumentação do editor é pouco convincente. Lembro que o Código Deontológico dos Jornalistas afirma no ponto 7: “O jornalista não deve identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade, assim como deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.” O Código Deontológico estabelece como princípio a não revelação do nome de vítimas de crimes sexuais. Neste caso o nome foi amplamente divulgado contra determinação expressa do Código, emanado da vontade dos jornalistas. Se os grupos não cumprem as regras que criam, como poderá haver alguma harmonia social?

Ausência de escolaridade
O editor avança o argumento da ausência de escolaridade. De facto, esta bebé não estava num infantário. Mas, crescendo, frequentará jardins de infância e escolas. E os resultados serão previsíveis. Esperemos que, no futuro, esta criança, ou outras que, por mero acaso, tenham os mesmos nomes próprios, não sintam discriminações ou dificuldades de relacionamento, por o seu nome ter sido tão persistentemente repetido nos órgãos de comunicação social. Este princípio de protecção inserido no Código Deontológico foi certamente estabelecido pensando nos efeitos do presente mas também nas consequências que podem, com razoabilidade, esperar-se no futuro.

Nome falso
Teríamos então que cair no nome falso? Não. Para escrever esta crónica não precisei de inventar um nome falso para a bébé. Bastou-me evitar a divulgação do nome. Apesar de eu concordar que o nome é a primeira identidade, neste caso e noutros deste tipo, é a indicação contrária que vigora.

Erros repetidos
Todos podemos errar. Os órgãos de comunicação social erraram no momento em que o caso bebé de Viseu foi notícia pela primeira vez. Mas houve quem tivesse recuado e quem tenha continuado, persistindo uma e outra vez no erro, como foi o caso do DN. O bom jornalismo evita persistir no erro.


Bloco Notas

Cuidados reconhecidos
Manuel Pinto, professor da Universidade do Minho, foi provedor do Jornal de Notícias nos anos de 2004 e de 2005 e escreveu duas crónicas sobre este assunto. Numa delas assinalava: “ Este ponto liga-se […] com os direitos das crianças, estabelecidos por uma convenção das Nações Unidas que faz lei nos países que a ratificaram, entre os quais Portugal. Nesse documento, aprovado em 1989, estabelecem-se três famílias de direitos: de protecção (face a riscos e ameaças); de provisão (nos planos sanitário, alimentar, educacional, etc.); e de participação e expressão (relativamente a assuntos que lhes digam respeito). Os media têm, quanto a todos estes tipo de direitos, responsabilidades notórias: de divulgação de iniciativas e denúncia de situações, nuns casos; de auscultação da voz dos mais novos, noutros casos.
“O modo como os media representam ou mesmo ignoram as crianças pode influenciar decisões tomadas em nome delas e o modo como a sociedade as vê”, refere a publicação “The Media and Children’s Rights”, da UNICEF. No plano ético-deontológico, a Federação Internacional de Jornalistas aprovou, em 1998, numa reunião que decorreu na cidade brasileira de Recife, um leque de orientações que incluem pontos como os seguintes: evitar a todo o custo divulgar o nome e a imagem de crianças vítimas (ou testemunhas) de abuso sexual e de maus-tratos; verificar todas as informações fornecidas por crianças; evitar imagens de crianças com conotações sexuais. Parece igualmente razoável um princípio que vários códigos de conduta enunciam: os filhos não devem ser expostos e identificados nas notícias sobre eventuais conflitos dos respectivos pais ou encarregados de educação.
Os direitos das crianças nos media são assunto ainda pouco debatido e onde os atropelos e insensibilidades se sucedem. Motivo acrescido para uma maior vigilância e formação.”

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN
Para outros assuntos : dnot@dn.pt

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Uma excepção (infelizmente) portuguesa

O Público insere hoje um artigo, de minha autoria, sobre os comentadores políticos da RTP1. O jornal já tinha o artigo há algum tempo em carteira. Hoje posso acrescentar duas coisas: a entrevista de Ricardo Araújo Pereira é um bom exemplo de uma lufada de ar fresco que Judite de Sousa introduziu na Grande Reportagem. Foi com algum prazer que se descobriu como é que o Gato Fedorento e o Ricardo se situam no Portugal de hoje e na criação televisiva. O outro aspecto é que considero que não se pode comparar o comentário político específico e dizer que essa variedade existe na Grande Reportagem, no Por Outro Lado ou noutras rubricas da RTP. Poder pode. Mas estão a misturar-se alhos com bugalhos. O que conta é que poderia haver um comentário à situação do pais, mais variado do que existe actualmente, e que beneficiaria os portugueses. Imagine que um dia a situação do país era lida por Júlio Machado Vaz, noutro por Formosinho Simões, noutro por Lídia Jorge, noutro por Kátia Guerreiro? Veríamos variedade, aquilo que a RTP deve assegurar no pensamento e nas accções.

"Parece mentira, mas passa-se em Portugal". Este é um comentário de um jornalista da France Inter, uma rádio francesa, no relato de um programa dedicado aos costumes de outras paragens. De que se trata? De uma "excepção portuguesa" daquelas dificilmente compreensíveis lá fora: o comentário político na televisão em Portugal, especialmente na de serviço público. "Visibilidade extraordinária", "trampolim sagrado", "mistura de géneros" são expressões que se ouvem ao longo da peça, elaborada com o depoimento de um jornalista francês residente em Portugal. Em Portugal, nem todos pensamos que estes comentários sejam um bom contributo para o esclarecimento dos cidadãos. Num colóquio recente em Coimbra, Manuel Maria Carrilho argumentou contra a presença do actual esquema de comentadores na RTP. O ex-ministro da Cultura tem razão: o actual sistema não é satisfatório. Porque não se justifica o actual tipo de comentário? Os dois comentadores actuais em actividade no serviço público, Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino, são duas figuras de topo na nossa vida política bem como profissionais muito qualificados. Porém, o que está em causa é que a televisão pública é financiada por todos os contribuintes e ambos os comentadores têm carreiras políticas notórias (tal como Paulo Portas, na SIC Notícias e ao contrário de Miguel Sousa Tavares, na TVI, o único comentário externo) . Tais comentadores são juízes em causa própria, o que não é boa posição para o comentário sobre os outros actores políticos, mesmo sobre a política, pois, assim, esta julga-se a si própria. Não são pessoas definitivamente retiradas da vida política, mas actores meio retirados que espreitam a melhor oportunidade. Como poderão representar a variedade inerente a um pensamento político muito alargado? Reconhecer-se-ão o PCP, o Bloco de Esquerda, o CDS e o PSD nos comentários dos dois analistas? Tudo isto é pouco razoável , quer visto do lado dos políticos, quer do lado dos espectadores. Não tenho mandato nem dos políticos, que se sabem defender e têm lugares próprios para tal, nem dos espectadores, agora felizmente "representados" por um provedor. Sou apenas um cidadão que , como tantos outros, pensa que os portugueses poderiam beneficiar, por financiarem uma televisão pública, de maior variedade de abordagens. Importa também não silenciar conflitos de interesse usualmente postergados para as brumas da memória.
O papel da televisão, e em especial da televisão pública, deve ser o de alargar o pensamento global, de aumentar a inteligência colectiva, de abrir novas perspectivas, plurais, contraditórias, diversas. Os ecrãs são lugares para trazer diversidade nos assuntos, nos modos de os pensar, nas pessoas que entram pelas casas dentro. A televisão pública deve mostrar o pensamento da nação que não se pode revelar apenas no pensamento a classe política. Alguns jornalistas costumam dizer que não há pessoas, que são sempre as mesmas, pois só um reduzido núcleo seria dono de à vontade televisiva e conhecimentos sólidos para divulgação. Não é verdade. Lembro os portugueses relativamente desconhecidos, ao lado de outros muito conhecidos e respeitados, que o Por outro lado, da Ana Sousa Dias, na :2, revelou. A televisão pública deveria mostrar, além da informação e debate político alargados, o modo como a nação pensa e vive. Todos teríamos algumas surpresas. Um esquema de comentário centrado na variedade dos campos profissionais e sociais, onde homens e mulheres tivessem lugar (hoje há quatro comentadores regulares..) , onde houvesse diversos estratos etários e sociais, seria bem mais útil ao país do que o actual, que afunila e vez de alargar, que reduz em vez de expandir. As televisões generalistas devem representar o país, não ser seu crivo redutor. Professor Universitário

domingo, janeiro 14, 2007

UM DIA A FALAR DE TELEVISÃO

Organizei, no dia 4 de Dezembro, Um dia a falar televisão. Desse debate tenho ainda alguns videos que, nessa data, não pude disponibilzar. Eis alguns:

Inês de Medeiros


Jorge Wemans




Na altura dei a resposta que considerei adequada ao Jorge Wemans. Vou retomar algo do que penso ter dito na ocasião.

1 Acho estranho que Jorge Wemans tenha considerado uma ofensa a pergunta que enquadrava o debate para o qual o convidei. A pergunta era: O documentário tem público na Culturgest. E na televisão? Fui o moderador e convidei Inês de Medeiros,realizadora e Jorge Wemans, director da :2. Como se pode ver no primeiro vídeo Jorge Wemans considerou a pergunta uma ofensa. Estranho. Era só uma pergunta. Na troca de e-mails dissera isso ao Jorge: "Talvez a formulação não seja a mais feliz, mas o que se pretende é discutir os públicos. Até se pode chegar à conclusão que a 2: tem ajudado a formar o público da Culturgest, o que não me parece absurdo. Em suma, importa discutir e pensar, para fazer melhor. E perceber como nascem os públicos, como eles se desenvolvem ou morrem." Convidar para discutir será ofensa? Perguntar, mesmo de modo um pouco provocante, é uma ofensa? Estranha concepção.

2 Mas há a diabolização, tb. O tiro também é errado. Não tenho nada que me ligue à televisão. Salvo o ter ajudado a debater, vezes sem conta, as imagens de televisão. Com o Centro de Investigação Media e Jornalismo fiz 20 debates intitulados Falar Televisão em três anos. Dois anos no Instituto Franco Português e um no no Jardim de Inverno do Teatro S. Luís. Organizei dois cursos da Arrábida onde se discutiram temas ligados à televisão e à formação de públicos. Fiz sair livros neste domínio. Dei aulas sobre imagem e comunicação audiovisual nas quais os meus alunos aprenderam a máxima popularizada por Dominique Wolton que a televisão é o objecto cultural mais democrático das sociedades democráticas. Diabolização? Há aqui qualquer pedra no sapato, Jorge...

3. No final do segundo vídeo diz-se que uma das estratégias desta diabolização da televisão passaria por não querer debater com as pessoas da televisão, pois os directores seriam todos paus mandados dos governos. Bom, pessoalmente nunca formulei tal acusação. No entanto compreendo o ditado: "quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele."
Porém, o que a minha experiência diz é exactamente o contrário. Nestes anos fiz, vezes sem conta, convites a pessoas com responsabilidades na RTP, na TVI e na SIC. São raros os casos de aceitação. São raros os casos de respsotas, mesmo. Os directores e jornalistas de televisão escapam-se com frequência ao debate numa sala de debate? Porquê? Nâo sei. Talvez a audiência seja curta, talvez seja incómodo ouvir perguntas ou mesmo pateadas. Talvez seja mais cómodo estar atrás do olho da câmara. Talvez o organizador seja um outsider ao qual não vale a pena dar atenção. Mas há excepções: Emidio Rangel foi Coimbra a um Encontro de Educação para os Media no arranque da SIC, mas ignorou, olimpicamente, convites que lhe dirigi quando era director de informação da RTP. José Rodrigues dos Santos nunca se dignou responder sequer a e-mails que lhe dirigi, embora seja meu colega no CIMJ (será?). Judite de Sousa diz-se, de viva voz, disponível mas também nunca respondeu afirmativamente. Manuel Fonseca quando era director da SIC nunca teve tempo ou ocasião. José Eduardo Moniz, que convidei várias vezes, também nunca esteve num debate, tendo recebido mais de um convite. Por isso, não posso deixar de agradecer ao Jorge Wemans e a outros profissionais da televisão (Teresa Paixão, Nuno Santos, Joaquim Vieira, Emídio Rangel, Sofia Pinto Coelho, Maria João Seixas, entre outros..), pela disponibilidade para debater nestes pequenos areópagos. Mas vendo como alguns deles se desdobram em entrevistas no Sol, artigos nos mais diferentse órgãos de comunicação social, vendo as suas fotografias frequentes na Caras, ou como acorrem, solícitos, a qualquer pedido de entrevista de um colega do ramo, não posso deixar de perguntar: será que perguntar ofende? Será que responder é um exercício penoso? Será que algumas destas pessoas, com responsabilidades no espaço público, têm ideia que o espaço público também são os pequenos debates onde as ideias se podem defender de forma diferenciada dos outros meios?

PROVEDORIAS no Público

Rui Araújo escreve hoje uma crónica de continuação intitulada Uma forma de plágio (Epílogo)

Na Sexta-feira, Janeiro 12, 2007 , no blogue do provedor foi publicado, este post, pela direcção do Público:

"Sexta-feira, Janeiro 12, 2007
Publicados os documentos relativos ao caso "Uma forma de plágio"
NOTA DA DIRECÇÃO DO PÚBLICO

De acordo com o que tinha sido anunciado pela Direcção do PÚBLICO na Nota da Direcção publicada a 10 de Janeiro de 2007, foi criada no nosso site uma área onde se encontram publicados todos os documentos relevantes relativos ao caso "Uma forma de plágio", desencadeado pela crónica do Provedor do Leitor com o mesmo nome.

Esperamos que estes documentos possam ajudar o leitor a formar a sua opinião.

A Direcção do PÚBLICO está a apreciar os factos e tornará pública a sua avaliação deste caso assim como as decisões que derivem dessa apreciação.

Se quiser enviar-nos o seu comentário, pode fazê-lo:
- publicando um comentário neste blogue
- enviando um mail ao Provedor do Leitor
- enviando um mail ao Director do PÚBLICO, José Manuel Fernandes

19:55 | Permalink | 3 comments"

sábado, janeiro 13, 2007

TRATAMENTO EQUILBRADO?

82% dos franceses acham que os jornalistas, em França, estão a favorecer Nicolas Sarkozy e Ségolène Royal. Como pode o jornalismo resistir, nestas condições?

"82 % des Français estiment que les médias accordent plus de place à Nicolas Sarkozy et Ségolène Royal qu'aux autres candidats dans la couverture de la campagne présidentielle, selon un sondage de l'institut de sondage CSA à paraître, samedi 13 janvier, dans Le Parisien. 16 % seulement pensent que les médias proposent un "traitement équilibré"."

No Le Monde, hoje.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

UM DIA A FALAR DE IMAGENS MÉDICAS

Dias 16 e 17 de Fevereiro 2007

sexta (início às 18h 30 m)
e sábado (encerramento às 18h)
No Instituto Franco-Português, Avenida Luís Bivar, 91 Lisboa
Metro: Saldanha e Picoas

Inscrição: Até 10 de Fevereiro 40 euros
Depois de 10 de Fevereiro 70 euros
Estudantes: 15 euros (nº limitado de inscrições)
Inscrições
e-mail josecarlos.abrantes@gmail.com
telefone 936 346 853



Em Outubro, as Edições 70 publicaram o livro A Fábrica do Olhar, de Monique Sicard inserido na colecção A Construção do Olhar. A colecção pretende dar seguimento à concepção que as imagens se completam com as palavras. Uma imagem vale mil palavras, diz-se. Neste caso privilegiaremos as palavras. Esta é a razão maior para a colecção: publicar palavras sobre as imagens, os olhares, os ecrãs, os modos de as fabricar, de as ler e usar. Palavras que possam ser contributos para construir o olhar, para nos revelar modos de ver. Palavras que se ambiciona nos ajudem a não perecer num tsunami de imagens: as imagens, sem palavras e sem outras formas de apropriação e expressão, podem ter efeitos devastadores. Começámos com A Fábrica do Olhar, de Monique Sicard. Seguir-se-ão livros de Ema Sofia Leitão, Rogério Santos, João Lopes, Francisco Teixeira da Mota e Jorge Leitão Ramos, e, ainda, de Serge Tisseron.

Monique Sicard veio a Portugal para o lançamento do referido livro e participou numa iniciativa intitulada Um dia a falar de imagens, organizada em colaboração com o Departamento de Comunicação da Universidade Nova e o Centro de Estudos de Comunicação e Linguagem (CECL). A iniciativa teve também o apoio do Serviço de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian. No dia 16 de Fevereiro, Monique Sicard voltará ao nosso país para orientar o seminário La photographie: Un bien public? que terá lugar no Centro Cultural de Belém. No dia seguinte, sábado, estará também presente numa iniciativa intitulada Um dia a falar de imagens médicas. Especialistas e profissionais conceituados reflectirão sobre as imagens que diagnosticam a nossa saúde e a nossa doença. Noutros tempos os médicos afiançavam ao doente, talvez com fundamentos escassos mas depois da realização de observações directas, "não tem nada". Hoje dizem "não vejo nada", deixando subentendido, ou claramente afirmado, que outra imagem, de outro tipo, possa gerar diferentes diagnósticos. Por outro lado, quando o corpo precisa de alguma intervenção, a cirurgia socorre-se de ecrãs e de câmaras, tornando os actos cirúrgicos mais precisos. A televisão aproveita o acto médico para nos descrever a profissão médica, as doenças, a vida hospitalar. Os artistas aproveitam a singularidade de certas imagens para delas fazerem obras de arte, expostas em galerias. Nós próprios, muito preocupados com a imagem do nosso corpo, oscilamos entre os pavores da obesidade e da anorexia, tentando manter equílibrios que se rompem com o estilo de vida e os hábitos.

Vamos dedicar um dia a reflectir sobre o mundo das imagens médicas e sobre as relações que a medicina, os médicos e os cidadãos com elas estabelecem.

Um Dia a Falar de Imagens Médicas

Dia 16 de Fevereiro, no Institut Franco Portugais
Avenida Luís Bívar, 91
Lisboa


18h 30m Abertura com entidades organizadoras e de acolhimento
Laure Bourdarot,
Directora do Institut Franco-Portugais

Nota de abertura
José Carlos Abrantes

O médico e as imagens
João Lobo Antunes,
director do Serviço de Neurocirurgia/Hospital de Santa Maria


21h LogoExisto, documentário de Graça Castanheira
com a presença da realizadora

A realizadora e o filme serão apresentados por José Carlos Abrantes


Dia 17 de Fevereiro, no Institut Franco Portugais

10h Presidente/moderador Dominique Chastres,
conselheiro audiovisual da Embaixada Francesa
As imagens médicas vistas por Monique Sicard,
investigadora e ensaísta

11h Intervalo

11h 15 As imagens médicas vistas do lado da prática médica, do ensino e da investigação
Moderadora Carla Rodrigues Cardoso, professora na Universidade Lusófona
José Manuel Reis Santos,
médico urologista no British Hospital
e professor na Universidade Católica

Mário Andrea,
director do Serviço de Ortorrinolaringologia do Hospital de Sta Maria
Regina Marques,
Escola Superior de Educação de Setúbal,
doutoranda no domínio da retórica da imagem



14h 15 As imagens médicas vistas do lado da investigação médica e da arte
Moderador Marise Francisco,
Serviço Educativo do Centro Cultural de Belém
Manuel Valente Alves,
médico e artista plástico, director do Museu de Medicina
Maria do Carmo Seren, historiadora


15h 45 Intervalo

16h As imagens médicas vistas do lado da apropriação pelos cidadãos e pelos media
Moderador Paulo Filipe Monteiro,
professor na Universidade Nova

Eduardo Cintra Torres,
professor na Universidade Católica e colunista do Público

Eduardo Prado Coelho,
professor na Universidade Nova, colunista no Público

José Bragança de Miranda,
professor na Universidade Nova

Margarida Pereira,
médica radiologista

Mário Ferreira,
médico, Hospital da Luz


18h Encerramento
Paulo Filipe Monteiro

Organização de José Carlos Abrantes em colaboração com o Serviço de Neurocirurgia do Hospital de Santa Maria, o Institut Franco-Portugais e Edições 70.

Mais informações aqui

quinta-feira, janeiro 11, 2007

SERÁ QUE.....

Faltavam telenovelas nos écrãs portugueses?

"RTP1 estreia Paixões Proibidas Hoje
Paixões Proibidas é a nova novela da RTP1, que a MediaMonitor analisa nesta edição."

Do Boletim da Marktest

SITE DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Os media podem ir ver e aprender alguma coisa no SITE DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Há um pouco de tudo para manter o interesse dos cidadãos portugueses na visita presidencial à Índia: podcasts, vídeos, fotografias, informação sobre a Índia, galarias de fotos, possibilidades de envio de mensagens.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

A TELEVISÃO, melhor do que o País?

Pelo que li, José Eduardo Moniz tem razões para estar contente com a televisão que temos. Já numa anterior entrevista, há um ou dois anos, o director da TVI declarou o mesmo que agora afirmou ao Sol. Mas será que a televisão se pode comparar a um país? Serão coisas comparáveis? O que tem a televisão portuguesa equivalente a Sobrinho Simões? Nada. A José Mourinho? Nada. A Maria João Pires na forma como interpreta Mozart? Nada. São só três exemplos, mas poderiam ser centenas.

A SEGUIR.....

"Nota da Direcção

O caso relatado pelo provedor dos Leitores do PÚBLICO na coluna publicada na edição do passado domingo não deixou indiferente a Direcção Editorial. Em causa está uma suspeita de plágio por parte de uma jornalista da redacção do PÚBLICO num artigo editado na revista Pública de 22 de Outubro de 2006.
O provedor dos Leitores já fez, na referida coluna, a análise e julgamentos que considerou pertinentes dentro do pleno exercício das funções que o seu estatuto lhe confere. Essa exposição pública constitui já, e só por si, uma dura crítica aos métodos que são atribuídos à referida profissional para a realização do trabalho em causa. Poderíamos, por isso, dar o caso por encerrado aqui mesmo, confortados pela consciência de ser o PÚBLICO o órgão da comunicação social portuguesa que vai mais longe na prática regular da auto-análise e autocrítica e de as partilhar com os leitores.
No entanto, a Direcção Editorial considera que a suspeita em causa exige que o assunto não seja encerrado e que os padrões de exigência, transparência e auto-regulação devem aumentar e não diminuir.
Nesse sentido, foi solicitada uma reunião urgente ao Conselho de Redacção do jornal, órgão que tem como principal função a avaliação das condutas éticas e deontológicas dos jornalistas. O mesmo fez, de resto, a profissional em causa. Essa reunião vai realizar-se esta manhã e o director do jornal, que preside ao CR por inerência, vai solicitar uma tomada de posição tão rápida quanto possível.
Entretanto a Direcção Editorial do PÚBLICO compromete-se a tornar públicos todos os documentos que já foram e venham a ser elaborados sobre este caso, criando para tal um espaço especial no nosso site na internet (www.publico.pt).
A Direcção Editorial do Público, hoje."

PROVEDORIAS

O provedor do New York Times vai terminar o seu mandato em Maio. Segundo o texto referenciado do Project for Excelence in Journalism existe actualmente uma discussão no interior do jornal sobre se um novo "public editor" deve ser designado.

"In an email to the Observer, Keller wrote that “the creation of a public editor has helped the paper immensely in a period when the credibility of the media generally has been under assault,” but added that some of his colleagues now believed there might be a “diminished” need for such a person. (The Observer story circulated quickly in journalism circles, triggering an instant reaction from the Huffington Post’s Rachel Sklar who wrote that the Times “can’t afford to lose its public editor.”)

Any decision by the Times to end its public editor experiment would have, if nothing else, a psychological impact on the small, tight-knit fraternity of American news ombudsmen."


Será só na América?

IPHONE

terça-feira, janeiro 09, 2007

PROVEDORIAS Hoje, no DN

Um custo da insularidade é o título do texto de hoje.

Os madeirenses ( e os açorianos) poderiam ser mais numerosos a ler o DN se este os representasse a corpo inteiro nas sondagens sobre as questões nacionais, sobretudo as que lhes dizem respeito, prioritariamente.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

PROVEDORIAS NO LE MONDE

Na sua segunda crónica a provedora (médiatrice) do Le Monde inquiriu a redacção sobre o que esta pensa do "contrato de leitura" que existe entre os leitores e o jornal. A nova provedora sucede a Robert Solé que exerceu o cargo durante 8 anos.

"Le 17 décembre 2006, promesse avait été faite ici d'expliciter l'implicite, c'est-à-dire le "contrat de lecture" passé de facto entre Le Monde et ses lecteurs. Attendu que les engagements des lecteurs sont remplis dès lors qu'ils achètent le journal, il s'agissait d'enquêter auprès des rédacteurs sur le sens qu'ils donnaient à leurs propres engagements. A quoi se sentaient-ils obligés par ce "contrat"? La réponse semblait facile. Le Monde n'avait-il pas publié, en 2002, un "Livre de style", réédité en 2004, version interne de la "bible"? Sur 210 pages étaient gravées toutes les règles pratiques et déontologiques que la rédaction est censée respecter. D'ailleurs, le terme "contrat de lecture" avait été employé, pour la première fois, par Edwy Plenel, alors directeur de la rédaction, dans la préface de l'édition 2002. C'était sous-estimer l'ampleur de la remise en question vécue par Le Monde, comme par toute la presse, depuis quelques années. Des quelque trentecollègues interrogés, toutes fonctions et secteurs confondus, deux seulement se référeront au "Livre de style" – et pour éluder la question. Quant au terme même de "contrat de lecture", il ne suscite qu'un sourire perplexe.

Cinqans ont passé et une autre référence s'impose, celle d'un engagement beaucoup plus lointain, pris, le 19 décembre 1944, par Hubert Beuve-Méry, fondateur du journal, dans son premier éditorial : "Assurer aux lecteurs des informations claires, vraies et, dans toute la mesure du possible, rapides, complètes." Sous une forme ou une autre, paraphrasée, parfois tronquée, cette phrase revient, du haut en bas de la hiérarchie, des plus jeunes aux plus anciens." (...)

Véronique Maurus
Article paru dans l'édition du 07.01.07.

TELEVISÃO

Já lá vão mais de 20 anos. Estava com a família em Bordeaux, onde fazia uma formação e o mestrado. Num Verão regressámos a Portugal de carro, passando por Madrid e entrando por Elvas. Aí passámos por um carro de bois. A filha mais velha perguntou: "Pai, aqui é a Idade Média?" Foi uma pergunta surpreendente, mas, pensando bem, para quem vinha de França e tinha aprendido nos livros o que era a Idade Média, era uma pergunta justificada.

Lembrei este episódio a propósito disto:

"BBC procura novo presidente através de anúncios nos jornais

Com a saída do presidente Michael Grade para o grupo rival privado ITV, a BBC procura agora um novo presidente mas através de uma forma mais tradicional: colocando um anúncio nos jornais. Ontem foi publicado no Sunday Times e hoje o anúncio sairá no Guardian. As entrevistas com os candidatos deverão acontecer em Março ou Abril.
O Governo britânico procura alguém "com um profundo conhecimento" das questões relacionadas com a operação de rádio e televisão. E preparando o futuro, requer-se também alguém com sensibilidade para "o papel de um operador de serviço público na era digital" e perfeita compreensão sobre o que a tecnologia e as novas redes digitais representarão no futuro para os espectadores e ouvintes. O presidente, que irá liderar o novo BBC Trust, deverá também assumir a responsabilidade de ser "os olhos, ouvidos e opiniões do contribuinte". A 1 de Janeiro iniciou funções o BBC Trust, uma espécie de equipa de personalidades que, em nome dos contribuintes, fiscaliza a actividade da BBC de modo a garantir que esta cumpre as suas obrigações de serviço público.
Entendendo que sentar-se na cadeira de presidente da BBC não é tarefa fácil e merece ser recompensado, o salário para este emprego de quatro dias por semana quase que duplicou, para 207 mil euros anuais (mais despesas). Valores ainda assim extremamente baixos quando comparados com os salários de executivos de outras empresas de media. Michael Grade, por exemplo, poderá vir a ganhar nos próximos três anos de contrato com a ITV um total de 12,6 milhões de euros.
A BBC tem 36,2 por cento do mercado televisivo britânico, cabendo à ITV uma fatia de 20 por cento. O serviço público de rádio e televisão britânico atravessa um período complexo de reestruturação com redução de custos e inovação nos conteúdos e serviços. O novo presidente terá que, ainda este ano, negociar a revisão do contrato de serviço público e os valores da taxa. A secretária da Cultura, Tessa Jowell, deverá propor um aumento de três por cento para os próximos dois anos (a contar a partir de Abril), dois por cento para os três seguintes (até 2012) e entre zero e dois por cento para 2013. Valores consideravelmente mais baixos do que os 1,8 por cento acima da inflação reclamados pela BBC."

do Público, hoje.

Tenho defendido a televisão e a rádio públicas. Porém, o modo de designação das administrações faz-me pensar se alguma vez teremos saído da Idade Média. Acho sem sentido os poderes que a ERC quer para controla a nomeação do conselho de administração da RTP, o modo de designação da ERC, o modo de designação da administração da RTP. Mas devem ter sentido para o poder político. Só que, quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele....

CULTURA DE MASSAS

Realiza-se amanhã, terça-feira, dia 9, a primeira sessão de 2007 do "II Seminário de Cultura de Massas em Portugal no Século XX".
Luis Trindade apresenta "Primeiras Impressões. Entrar no mundo através das primeiras páginas dos jornais", às 18h, na Sala de Reuniões do 7º piso da Torre B da FCSH/UNL.

PROVEDORIAS no Público

Rui Araújo escreveu ontem uma crónica intitulada Uma forma de plágio

sábado, janeiro 06, 2007

PROVEDORIAS

"Jornalistas devem responder ao público"

Joaquim Fidalgo apresentou ontem tese na área da ética e regulação
Denisa Sousa

O docente da Universidade do Minho Joaquim Fidalgo acredita que os jornalistas devem "abandonar as trincheiras" e passar a responder ao público, numa perspectiva de "prestação de contas".

A par da auto- crítica, que defende ser fulcral para o exercício da actividade, o autor, que ontem viu aprovada a sua tese de doutoramento sobre "O Lugar da Ética e Auto- Regulação na Identidade Profissional dos Jornalistas" sublinhou a importância da criação de um ponto intermédio, semelhante a um Conselho de Imprensa, para que nenhum poder regulador cresça "desmesuradamente".

Tendo como pano de fundo a função do Provedor do Leitor- cargo que já assumiu no jornal Público- Joaquim Fidalgo, conclui que a existência desta figura "permite a entrada do público em todo o processo".

"Os leitores podem ser os melhores aliados dos jornalistas, não das direcções e das administrações, mas dos jornalistas", considera, defendendo que uma ponte entre uns e outros serviria para fomentar um "olhar para dentro".

Apesar da importância de "um jornal ter a crítica escrita nas próprias páginas" e, paralelamente, da hetero-regulação assumida pelo Estado, o autor acredita na eficácia de um "um organismo co-regulador, integrando quer jornalistas como leitores, que promova o debate". Uma forma de "equilíbrio" numa altura em que se multiplicam os protagonistas, advoga.

Joaquim Fidalgo inquiriu jornalistas de três jornais -Jornal de Notícias, Diário de Notícias e Público - e constatou que, globalmente, "há abertura face ao provedor", mas a aceitação diminui entre as camadas mais jovens. Mais do que um elo de ligação entre repórter e público, houve quem visse a figura como "um ponto de cruzamento das relações de força entre os profissionais e as chefias".

"Muitos vêem-no como um aliado para quando são obrigados a fazer um trabalho em moldes com os quais não se identificam", continua. Mais do que uma tese, a investigação é, nas palavras de Estrela Serrano, da Escola Superior de Comunicação Social, uma reflexão sobre os "vícios e perversões" da profissão, feita por quem tem "a dupla filiação de jornalista e académico".

Do Jornal de Notícias

quinta-feira, janeiro 04, 2007

GOVERNO E COMUNICAÇÃO SOCIAL

"De acordo com a proposta do Governo, o conselho de administração (CA) da RTP é nomeado pelo Executivo, sem necessidade de qualquer parecer de outro órgão - nomeadamente o Conselho de Opinião, como acontecia no passado. Depois, o CA nomeia os directores de programas e de informação ouvindo a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) e os provedores do telespectador e do ouvinte, sujeitos estes a parecer do Conselho de Opinião. "

Do artigo de Leonete Botelho, hoje no Público

SORRIA.....

"Fotos nos jornais em 2006 mostram poucos sorrisos
As fotografias publicadas nos jornais diários portugueses durante o ano de 2006 mostram que as pessoas sorriem pouco devido a um contexto social desfavorável, revela um estudo científico inédito realizado em Portugal.

A pesquisa, intitulada «A expressividade do sorriso: Estudo de caso em jornais diários portugueses», realizado pelo Laboratório de Expressão Facial da Emoção, da Universidade Fernando Pessoa, do Porto, analisou cerca de 50 mil fotografias publicadas nos jornais diários entre Janeiro e Dezembro de 2006.

De acordo com a investigação a que a agência Lusa teve acesso, a face neutra (inexistência de qualquer movimento facial) e o sorriso fechado são os tipos de expressão facial mais exibidos nos diários portugueses durante o ano de 2006.

As pessoas estão a sorrir cada vez menos, sentimento associado à emoção tristeza, devido ao contexto social desfavorável que vivem, como cheias, ataques, terrorismo e catástrofes, explicou à agência Lusa o director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção, Freitas-Magalhães.

No universo das fotografias analisadas, a investigação concluiu que a expressão facial de emoções negativas é mais frequente e intensa do que a de emoções positivas.

As fotografias demostram igualmente que as mulheres sorriem mais que os homens, independentemente da idade, e que as crianças são as que mais apresentam um sorriso largo.

Freitas-Magalhães explicou que as mulheres sorriem mais que os homens porque são mais emotivas e encaram as dificuldades com a possibilidade de as resolverem.

O estudo concluiu ainda que os homens sorriem mais a partir dos 60 anos, pois «as adversidades da vida não são tão sentidas», adiantou a fonte.

O mesmo responsável referiu ainda que esta investigação complementa um estudo realizado entre 2003 a 2005, no qual se constatava que a expressão facial mais exibida era o sorriso superior.

O estudo agora publicado mostra uma diminuição na frequência e intensidade do sorriso.

Diário Digital / Lusa"


Não poderão ser os editores que estão menos sorridentes escolhendo imagens mais sérias e graves? Seja como fôr, sorria: alguma câmara pode estar a eternizar a sua má disposição.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

CLUBE DOS JORNALISTAS NA :2

"Quarta-feira, dia 3, na RTP 2, pelas 23 e 30
01-01-2007 O primeiro Clube dos Jornalistas de 2007 é dedicado ao balanço do que aconteceu na imprensa, na rádio e na televisão em 2006. Convidados em estúdio: os jornalistas Mário Bettencourt Resendes e Pedro Coelho e o investigador Francisco Rui Cádima. A moderação é de Dina Soares, jornalista da Rádio Renascença, que inicia a colaboração nessas funções com o Clube de Jornalistas."


A informação vem do site do Clube. Trata-se de uma ocasião de ver que balanço de 2006 fazem estes profissionais e que performance para a moderadora, que se estreia na função. Uma forma de antever algumas das afirmações que serão feitas por Francisco Rui Cádima é consultar o post de 1 de Janeiro do Irreal TV.

O VIDEO SOBRE SADAM

No Washington Post de hoje pode ler-se:

"The video was the latest example of how amateurs using modern technology are exposing abuses and holding the powerful to account. The investigation, officials said, would focus not only on who hurled the taunts but also on how the video was leaked, damaging the government's credibility. Maliki's political adviser, Sadiq al-Rikabi, said the prime minister was "disappointed about that film.""


Simultaneamente, temos de acreditar e duvidar das imagens. Afinal à versão tranquila que passou imediatamente após a execução acrescenta-se agora uma versão tumultuosa e conflitual do enforcamento.

terça-feira, janeiro 02, 2007

PROVEDORIAS

A pedido do DN não se publicou hoje a minha crónica das terças-feiras.


No domingo, no Público Rui Araújo escreveu uma crónica intitulada "O Público na internet" e deu a boa notícia que o seu mandato tinha sido renovado. Desta vez o Público vai estar dois anos seguidos com provedor, o que se não fôr inédito, é raro.

ÉTICA E REGULAÇÃO


A tese de doutoramento de Joaquim Fidalgo terá defesa pública na próxima sexta-feira, na Universidade do Minho.
"O lugar da ética e da auto-regulação na identidade dos jornalistas

Na próxima sexta-feira, dia 5 de Janeiro de 2007, às 14h30, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Minho (Largo do Paço – Braga) terá lugar a defesa pública da tese de Doutoramento de Joaquim Fidalgo.
Sob o título «O lugar da ética e da auto-regulação na identidade profissional dos jornalistas» o trabalho toma como ponto de partida o estudo de uma das figuras da auto-regulação do jornalismo, o Provedor do Leitor, avançando depois para a tentativa de inscrever este objecto de estudo em contextos mais latos que ajudem a compreendê-lo, não apenas em si mesmo, mas na sua relação mais global com as exigências do processo de informação mediática nas sociedades contemporâneas e com o papel específico que nele desempenham os jornalistas. Assim, o provedor é analisado enquanto “caso exemplar” entre os mecanismos de auto-regulação dos media – ou seja, os processos voluntários de escrutínio e controlo da conduta dos meios de comunicação social. A auto-regulação, por sua vez, decorre do imperativo de ‘prestação de contas’ (ou accountability) de uma actividade com grande relevância e impacto sociais -- um imperativo que, antes ou independentemente de preceitos legais, se associa a uma exigência ética, ou seja, àquilo que deve ser feito (e dos modos como deve ser feito) com vista a garantir certos princípios e valores, a respeitar os direitos de todos e a promover o bem comum, numa perspectiva de serviço à comunidade.
Tendo em conta o contexto actual do jornalismo – que se vê perante a necessidade de equacionar a sua relação com a auto-edição (por exemplo, os blogs, podcasts ou videocasts), com a edição colaborativa (wikis) e com a produção alternativa de informação (os espaços do chamado ‘jornalismo cidadão’) – o autor sugere uma reflexão aprofundada sobre o que é mais característico e diferenciador da actividade jornalística e da sua particular incidência social, emergindo neste contexto a centralidade de uma particular exigência ética e deontológica, ligada menos ao “quem faz o quê, onde e quando”, e mais ao “como” se trabalha a informação da actualidade, “porquê” e “para quê”. Ou seja, com uma particular atenção aos processos e comportamentos, bem como ao preenchimento do direito do público a uma informação completa, abrangente e rigorosa, e à inscrição deste labor numa lógica de serviço do interesse público, mais do que de quaisquer interesses pessoais ou particulares.
O Júri da prova será composto pelos Doutores Aníbal Augusto Alves (Universidade do Minho), Moisés de Lemos Martins (Universidade do Minho), Manuel Pinto (Universidade do Minho), Helena Sousa (Universidade do Minho), Xosé Lopez Garcia (Universidade de Santiago de Compostela) e Estrela Serrano (Escola Superior de Comunicação Social).
Joaquim Manuel Martins Fidalgo é Professor Auxiliar convidado no Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, posição que ocupa desde 1998. Licenciado em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1978), iniciou a actividade jornalística em 1976 e trabalhou no Jornal de Notícias e no semanário Expresso antes de ter integrado o grupo de nove fundadores do Público. Naquele diário, Joaquim Fidalgo foi sub-Director Editorial e vogal da Administração, Redactor Principal e Editor-Chefe; entre 1999 e 2001 foi Provedor do Leitor." Recebido de Felisbela Lopes

segunda-feira, janeiro 01, 2007

LE MONDE

Cheguei aqui a partir do Le Monde. Pode perceber-se a razão porque Jean Marie Colombani afirmou, na Universidade Nova, que os jornalistas não reconheciam o site como um jornal: há o filme, o making off, o layout,a música do filme Fin d'Été, uma animação feita em imagem virtual.