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domingo, dezembro 31, 2006

TELEVISÃO 2006

O Correio da Manhã fez um balanço do ano de 2006 a partir da opinião de Francisco Rui Cádima e João Gobern. Fez também um destaque mensal de acontecimentos televisivos. Destaco uma afirmação de Francisco Rui Cádima e parcialmente partilhada por Nuno Santos:
"Já Francisco Rui Cádima, disse à Correio TV: “Mais do que o ‘flop’, a grande tristeza que tenho quando olho para a programação da SIC e da TVI é ver um horário nobre infestado de telenovelas. É um caso grave de falta de diversidade na programação que deveria já ter merecido a condenação pública de quem de direito, mas que, ao fim de quase um ano de actividade do novo regulador, ainda aguarda intervenção da ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social]”. Curiosamente, Nuno Santos também refere a “falta de diversidade” na televisão portuguesa, indo ao ponto de fazer “um balanço negativo do ano” a esse respeito, referindo que o ‘flop’ do ano “não esteve na RTP”."

Seria bom que 2007, fosse um ano de maior diversidade, inclusivamente na RTP.

Outro trabalho de balanço que merece atenção e feito na blogosfera, pode ser consultado no Insustentável Leveza

Imprescindível é o balanço de Eduardo Cintra Torres, no Público, hoje.
Duas pequenas citações

"MONOCULTURA
E REPETIÇÕES
A monocultura da telenovela atingiu o zénite este ano, com a SIC a chegar aos 10 episódios por dia e a TVI seis, e as repetições de programas tornaram-se característica fundamental da TV generalista: os quatro canais repetem 120 programas por semana. É um expediente financeiro para rentabilizar produtos que à primeira vez já são, na esmagadora maioria, pobres."

(...)ASFIXIA DO DEBATE
E COMENTÁRIO
O Prós & Contras cumpriu a agenda governamental, tratando sempre do tema que o governo queria debater. Além dele, a TV do Estado não tem debate. Não tem debate com pessoas independentes. E na RTP1 até o programa com deputados desapareceu há meio ano. Na estatal RTPN, o Choque Ideológico prometia ser um espaço de grande interesse, mas, sem explicação, desapareceu dele o melhor frente a frente que houve na TV portuguesa em anos: entre Manuel Villaverde Cabral e Joaquim Aguiar. Era interessante, revelador, culto, vivo, por dois universitários experientes e com autoridade, um debate esclarecedor para o cidadão \u2212 e perigoso para o poder.
O governo não quer debate, nem mesmo entrevistas fora do seu círculo. A Grande Entrevista e o Prós & Contras interromperam em Maio, só voltando em Setembro - o que se revelou patético para a própria estratégia governamental quando Sócrates quis dar uma entrevista antes de férias: teve de ir à SIC.
O Jornal das 9 de Mário Crespo (SICN) surpreendeu negativamente no segundo semestre transformando-se num portfolio do governo. Até para falar da escolha do You da Time - isto é, do cidadão comum - Crespo entrevistou um membro do Governo.
E comentário político? Na RTP1, manteve-se o falso equilíbrio entre o nº2 do PS, Vitorino, e Marcelo, ex-líder do PSD mas mais independente. O comentário de Vitorino, de inutilidade gritante, só serve de contraponto a Marcelo e para dar orientações aos militantes do PS. E o programa de Paulo Portas, o Estado da Arte (SICN), serve, não para elucidar os espectadores sobre o que quer que seja, mas para dividir um partido e proporcionar o derrube da actual direcção.
Na TVI, Miguel Sousa Tavares é livre mas extremamente repetitivo e António Peres Metelo faz comentário político quando, por norma, benze a política económica do governo.
Sobra a Quadratura do Círculo (SICN). Também aqui os temas são escolhidos, mas existe uma certa elasticidade e liberdade de intervenção, assinalando-se o profissionalismo com que Carlos Andrade dirige as operações. O programa beneficiou da saída de Jorge Coelho do parlamento e cargos executivos no PS: o seu comentário ganhou autoridade e liberdade. Apesar de serem militantes partidários, os três são agora políticos com uma liberdade de opinião assinalável (total, no caso de Pacheco Pereira), o que faz da Quadratura do Círculo o mais interessante programa de debate e comentário. Vamos a ver se o governo não consegue acabar com ele!"