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terça-feira, dezembro 19, 2006

PROVEDORIAS Hoje, no DN

Da internet aos livros e regresso aos anglicismos
José Carlos Abrantes


“Uma leitora escreveu ao provedor: “Desculpe se me dirijo impropriamente a V. Exª, mas não sei a quem me dirigir, no DN. Como outros leitores refere que o único endereço de correio electrónico disponível na página do DN seria o do provedor. O director adjunto João Morgado Fernandes na sequência deste e de outros correios do mesmo teor, esclareceu que os leitores podem sempre ter resposta contactando directamente a redacção: “(...) há, de facto, um mail no botão Contactos que vem ter directamente à redacção. E nenhum dos mails que chegam por essa via fica por responder.” O leitor pode verificar que de facto há um e - mail webmaster@dn.pt que se activa pelo pressão nos contactos, da página colocada na internet.

Edição on-line
Uma peça foi questionada pelo leitor Manuel Saavedra: “Envio-lhe cópia do DN Tema da edição online de 9.12.06. Se souber, peço-lhe que me informe o nome do entrevistado. É tão enigmático e divertido, o jornalismo.” Tratava-se de uma entrevista a Marques Mendes feita por António José Teixeira e José Fragoso (texto) e José Carlos Carvalho (foto). O nome do entrevistado não era referido uma só vez. António José Teixeira não se desculpa: “O único comentário possível é de que se trata de um erro. Uma entrevista sem identificação do entrevistado não é nada. A edição digital não foi cuidadosa.” E avança com uma informação que faz prever um 2007 mais eficaz na dimensão electrónica do jornal: “A boa notícia é que esperamos dentro de pouco tempo melhorar significativamente a nossa edição on-line.” Ao provedor apraz registar e esperar, para ver. Tenho defendido repetidamente que a versão do jornal na internet é a outra face da moeda do jornal papel. Uma e outra são igualmente importantes na actual fase de vida da imprensa.

Madinat as-Sadr
O leitor Francisco Santos lançou o olhar para a cobertura do Iraque: “Não é a primeira vez que eu escrevo sobre isto. Mas os meios de comunicação portugueses, alimentados pelas agências de notícias internacionais, insistem em fazer-nos crer que existe um local chamado Sadr City no Iraque.
Contudo, apesar da ocupação norte-americana e britânica, a língua inglesa não é oficial nem predominante naquele país e tenho grandes dúvidas que os nomes das localidades tenham passado a escrever-se meio em árabe e meio em inglês.
Posso não concordar mas até compreendo que as agências de notícias internacionais e os meios de comunicação em inglês traduzam metade do nome de “Madinat as-Sadr” transformando-o em “Sadr City”, pois aquelas palavras árabes significam "Cidade de Sadr". O que eu não compreendo é que num texto em português o nome árabe original da cidade iraquiana de Madinat as-Sadr tenha a primeira metade traduzida para inglês.”
A jornalista autora da notícia respondeu : “agradeço a carta do leitor Francisco Santos e o interesse que demonstra pela realidade iraquiana, sobre a qual escrevo no DN, e pela cultura árabe. Em relação a Madinat as-Sadr, acredito que tenha razão, perante a eloquência dos seus argumentos, mas nesta matéria esforço-me por aceitar alguma da grafia anglo-saxónica, que aponta precisamente para Sadr City. Até por uma questão de uniformização da escrita. Tal leva-nos, por exemplo, a escrever Al-Qaeda e Al-Zarqawi, a despeito de, em português, obrigatoriamente, a seguir à letra Q vir um U. Já protestei qb, mas esta grafia passou a ser comummente aceite.”
Que pode acrescentar o provedor? Nada mais do que já adiantou na crônica intitulada Socorro! Ou será help?(1). Lembro que nesse texto sustentei que “O facto de as queixas dos leitores visarem duas secções diferentes do jornal, o Nacional e o Desporto, sugere que os anglicismos são um problema editorial , não apenas desta ou daquela secção.” Este novo detalhe confirma esta visão: as decisões para o conjunto do jornal valem mais que os reparos individuais. Sigo o leitor: cidade de Sadr fica melhor do que Sadr City, num jornal português.
(1) Crônica que pode ser lida aqui


Bloco Notas

Livros
Em Portugal publicam-se cerca de 10 mil livros por ano. Será muito, será pouco, comparativamente a outros países? As novidades abundam e já se vê a nostalgia do tempo em que quem publicava era um “verdadeiro” autor e não pessoas que nem escrever sabem, como frequentemente se ouve e vê escrito. Não partilho esta convicção pois desconfio sempre dos paraísos perdidos. Ainda recentemente o decano dos editores portugueses, Rogério Moura, me lembrou que quando começou a sua actividade de editor, cinquenta anos atrás, se podiam facilmente conhecer as novidades. Numa só prateleira das livrarias da Baixa estavam expostos todos os livros recentemente editados. Hoje, a situação é obviamente diferente, incomparavelmente melhor.
No decorrer da semana que findou, a Porto Editora lançou, na Universidade Católica, cinco livros: A Quercus nas notícias, de Gonçalo Pereira da Rosa, jornalista, director da edição portuguesa da National Geographic; Comunicação, Economia e Poder, organizado por Helena de Sousa, professora na Universidade do Minho; Mercados televisivos europeus, de Luís Oliveira Martins, professor na Universidade Nova de Lisboa; Introdução aos Cultural Studies, de Armand Mattelard e Erica Neveu; Sociologia dos Públicos, de Jean Pierre Esquenazi. Só de um editor, muito para ler.
Outros editores mostram idêntica energia. A colecção livros Horizonte/CIMJ fez este ano sair vários volumes. Um dos últimos é um livro de Verónica Policarpo, Viver a telenovela: Um estudo sobre a recepção. A MinervaCoimbra continua a sua actividade com regularidade tendo feito apresentações públicas, em Dezembro, dos livros Salazar vai ao cinema, da autoria de Maria do Carmo Piçarra, A Europa e Portugal na Imprensa Desportiva: 1893-1945, do jornalista e historiador Francisco Pinheiro. A configuração dos acontecimentos e dos problemas públicos: O caso República e as manifestações nos Açores em 1975, de Isabel Babo Lança, saíu na colecção de Ciências da Comunicação, da mesma editora. Em Novembro havia sido lançado o livro Sigilo profissional em risco: Análise dos casos de Manso Preto e de outros jornalistas no banco dos réus, de Helena de Sousa Freitas.
A Colecção Media XXI (FormalPress) editou recentemente A televisão light rumo ao digital, de Francisco Rui Cádima, professor na Universidade Nova e Ética e Responsabilidade Social dos media, organizado por Paulo Faustino.
Este breve balanço mostra uma pequena parte do que foi editado em Portugal na área dos media. Completarei esta informação em Só Textos (1), à medida que a informação me for disponibilizada pelas editoras. Fica a convicção que se produz mais do que a nossa capacidade de leitura. Um bom sinal para o jornalismo e os jornalistas num tempo de edição que torna a tarimba, como factor exclusivo de formação, um tempo ido, e, felizmente, sem retorno. Por mais indispensável que ela seja, entenda-se.
(1) Só Textos

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN
Para outros assuntos : dnot@dn.pt


A crónica do Provedor do leitor do Público não foi publicada no passado domingo.

1 Comments:

Blogger Ana Luísa Henriques said...

A parte final desta crónica suscitou-me uma enorme vontade de escrever...se quiser ver no que deu, está em http://analuisah.blogspot.com/

10:03 da tarde  

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