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domingo, dezembro 17, 2006

ERC

"Tem razão Pacheco Pereira, toda a razão, quando afirma que a Entidade Reguladora da Comunicação social (ERC) deixou de ter condições para exercer as suas funções. Entre essas condições, estão a serenidade, a independência, a distância nobre e a autoridade moral. Assim como a capacidade para discernir e para saber de que deve ocupar-se uma entidade como esta. Para já não dizer a mera inteligência. Em tudo isto, a ERC falhou. Com um acrescento, o de ter parecido que agiu deliberada e maliciosamente. A ERC nasceu mal, mas ainda havia quem acreditasse que a gravidade das funções que lhe competem levasse os seus membros a considerar os seus deveres. Tal não aconteceu. O défice de independência explica a sua actuação. Na primeira curva, que nem sequer era difícil, derrapou. Não se trata, todavia, de simples mau desempenho. Na verdade, a ERC limita-se a exercer, com excesso de zelo e liberdade criativa, as vastas competências que lhe foram cometidas. Ora, estas são excessivas e vagas, de modo a permitir a sua interpretação pelos respectivos titulares e com o fim de cumprir um objectivo: defender os governos e admoestar os cidadãos e os profissionais da imprensa."


Escreve hoje António Barreto, no Público. No mesmo jornal Eduardo Cintra Torres escreve também sobre o mesmo assunto, finalizando assim

Considero este documento infame, oriundo de uma entidade marcada pela suspeita da sociedade livre desde a sua origem e que agora confirma as mais negras previsões ao agir sob o signo da desonestidade intelectual, abuso de competências e ao defender a censura no nosso Portugal livre.


Também Francisco Teixeira da Mota, escreve:
Por último, um pouco de humor:
Desta vez não houve conferência de imprensa em hotel de luxo, bem reveladora do provincianismo do órgão, e a ERC limitou-se a distribuir e a publicar no seu site um comunicado com o título "Publicação no jornal Público da Recomendação 7/2006 " que revela uma excitação daquele órgão que não é compatível com aquele mínimo de bom senso e moderação que lhe seriam exigíveis, se fosse um órganismo independente e credível.
Desse comunicado do Conselho Regulador da ERC transcrevo o ponto 11, uma pérola de literatura burocrática com um toque de humanismo comovente: "Pode, no entanto, o Director do jornal "Público" ficar descansado." Notável na sua concisão e utilidade!
Igualmente bastante revelador da personalidade deste órgãozinho, que está a conseguir desacreditar-se a uma velocidade surpreendente , é o ponto 15. com que termina este comunicado: "Com o presente comunicado, e no que lhe toca, o Conselho Regulador dá por encerrado este "diálogo", tão picaresco como pouco edificante".
É caso para dizer que, o Conselho Regulador da ERC tem uma visão burlesca da sua actuação, o que não pode deixar de se lamentar mas que se compreende perfeitamente.