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domingo, dezembro 31, 2006

BOM 2007

TELEVISÃO 2006

O Correio da Manhã fez um balanço do ano de 2006 a partir da opinião de Francisco Rui Cádima e João Gobern. Fez também um destaque mensal de acontecimentos televisivos. Destaco uma afirmação de Francisco Rui Cádima e parcialmente partilhada por Nuno Santos:
"Já Francisco Rui Cádima, disse à Correio TV: “Mais do que o ‘flop’, a grande tristeza que tenho quando olho para a programação da SIC e da TVI é ver um horário nobre infestado de telenovelas. É um caso grave de falta de diversidade na programação que deveria já ter merecido a condenação pública de quem de direito, mas que, ao fim de quase um ano de actividade do novo regulador, ainda aguarda intervenção da ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social]”. Curiosamente, Nuno Santos também refere a “falta de diversidade” na televisão portuguesa, indo ao ponto de fazer “um balanço negativo do ano” a esse respeito, referindo que o ‘flop’ do ano “não esteve na RTP”."

Seria bom que 2007, fosse um ano de maior diversidade, inclusivamente na RTP.

Outro trabalho de balanço que merece atenção e feito na blogosfera, pode ser consultado no Insustentável Leveza

Imprescindível é o balanço de Eduardo Cintra Torres, no Público, hoje.
Duas pequenas citações

"MONOCULTURA
E REPETIÇÕES
A monocultura da telenovela atingiu o zénite este ano, com a SIC a chegar aos 10 episódios por dia e a TVI seis, e as repetições de programas tornaram-se característica fundamental da TV generalista: os quatro canais repetem 120 programas por semana. É um expediente financeiro para rentabilizar produtos que à primeira vez já são, na esmagadora maioria, pobres."

(...)ASFIXIA DO DEBATE
E COMENTÁRIO
O Prós & Contras cumpriu a agenda governamental, tratando sempre do tema que o governo queria debater. Além dele, a TV do Estado não tem debate. Não tem debate com pessoas independentes. E na RTP1 até o programa com deputados desapareceu há meio ano. Na estatal RTPN, o Choque Ideológico prometia ser um espaço de grande interesse, mas, sem explicação, desapareceu dele o melhor frente a frente que houve na TV portuguesa em anos: entre Manuel Villaverde Cabral e Joaquim Aguiar. Era interessante, revelador, culto, vivo, por dois universitários experientes e com autoridade, um debate esclarecedor para o cidadão \u2212 e perigoso para o poder.
O governo não quer debate, nem mesmo entrevistas fora do seu círculo. A Grande Entrevista e o Prós & Contras interromperam em Maio, só voltando em Setembro - o que se revelou patético para a própria estratégia governamental quando Sócrates quis dar uma entrevista antes de férias: teve de ir à SIC.
O Jornal das 9 de Mário Crespo (SICN) surpreendeu negativamente no segundo semestre transformando-se num portfolio do governo. Até para falar da escolha do You da Time - isto é, do cidadão comum - Crespo entrevistou um membro do Governo.
E comentário político? Na RTP1, manteve-se o falso equilíbrio entre o nº2 do PS, Vitorino, e Marcelo, ex-líder do PSD mas mais independente. O comentário de Vitorino, de inutilidade gritante, só serve de contraponto a Marcelo e para dar orientações aos militantes do PS. E o programa de Paulo Portas, o Estado da Arte (SICN), serve, não para elucidar os espectadores sobre o que quer que seja, mas para dividir um partido e proporcionar o derrube da actual direcção.
Na TVI, Miguel Sousa Tavares é livre mas extremamente repetitivo e António Peres Metelo faz comentário político quando, por norma, benze a política económica do governo.
Sobra a Quadratura do Círculo (SICN). Também aqui os temas são escolhidos, mas existe uma certa elasticidade e liberdade de intervenção, assinalando-se o profissionalismo com que Carlos Andrade dirige as operações. O programa beneficiou da saída de Jorge Coelho do parlamento e cargos executivos no PS: o seu comentário ganhou autoridade e liberdade. Apesar de serem militantes partidários, os três são agora políticos com uma liberdade de opinião assinalável (total, no caso de Pacheco Pereira), o que faz da Quadratura do Círculo o mais interessante programa de debate e comentário. Vamos a ver se o governo não consegue acabar com ele!"

sexta-feira, dezembro 29, 2006

OS PORTUGUESES E OS JORNAIS

"Portugueses compram cada vez menos jornais
Ana Machado

Último relatório da Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens analisou dados até Setembro e revela que gratuitos cresceram mais de 30 por cento

Os portugueses terão comprado, até Setembro deste ano, ao todo, menos 16.294 jornais diários generalistas do que no mesmo período de 2005."no Público, hoje


Já não se trata de ler menos jornais, mas de comprar menos jornais. O crescimento dos gratuitos e a diminuição das vendas coloca o essencial do problema na economia, nos rendimentos. Mas porque gastam os portugueses em férias e viagens e não nos jornais? Lá saímos da economia...

quinta-feira, dezembro 28, 2006

"Repercussão da notícia
Justiça livra emissora de indenizar ex-delegado demitido

A rede de Televisão Anhangüera, em Goiânia, está livre de indenizar o ex-delegado Osvalmir Carrasco. A emissora divulgou a demissão de Carrasco e enfatizou que ele foi demitido por causa de seu suposto envolvimento com roubo de veículos. A decisão é do desembargador Rogério Arédio Ferreira, da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Goiás. Cabe recurso.

Na primeira instância, a emissora foi condenada a pagar R$ 2,2 mil por danos materiais e R$ 60 mil por danos morais ao delegado demitido. Ela recorreu da decisão no TJ goiano. Os desembargadores acolheram o pedido. Anularam a sentença porque o laudo da perícia foi feito sem a participação ou conhecimento do ex-delegado."


Pode ler uma notícia mais extensa aqui.

A TELEVISÃO E OS LIVROS

Tenho alguns registos de um debate deste verão, na Feira do Livro, em que esteve Bárbara Guimarães, José Carlos de Vasconcelos, Carlos Vaz Marques, além de outros. Como é um tema de relevo, ainda hoje, aqui deixo um excerto da intervenção de Bárbara Guimarães sobre o seu programa Páginas Soltas, na Sic Notícias.

terça-feira, dezembro 26, 2006

PROVEDORIAS

Um ano de crónicas


De que se ocuparam as crónicas do provedor dos leitores do Diário de Notícias em 2006? Fui verificar agrupando os textos em categorias. Coloquei cada crónica apenas numa categoria, embora, por vezes, estas abranjam mais do que um assunto.

À frente de cada assunto indiquei o número de crónicas que lhe foram dedicadas. Cerca de 60% das crónicas (27) foram resposta a interpelações de leitores, cerca de 30% foram de análise geral sobre os media (14) e cerca de 10% incidiram na análise do DN (5). Segundo o estatuto, são estes três tipos de crónicas que constituem o alvo da atenção do provedor.

No domingo, no Público Rui Araújo escreveu uma crónica intitulada "As outras cartas ao provedor"

sexta-feira, dezembro 22, 2006

INDÚSTRIAS CULTURAIS fala do livro Televisão: Das audiências aos públicos.

Rogério Santos (Indústrias Culturais) escreveu ontem (dia 21 de Dezembro) sobre o livro e sobre os meandros da distribuição.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Hoje na :2

CJ na TV: Incêndios e informação



Quarta-feira, 20, pelas 23 e 30, na RTP 2
18-12-2006
A acusação de Eduardo Cintra Torres – em crónica de 20 de Agosto – de que a cobertura dos incêndios florestais pela RTP estava a ser condicionada pelo governo deu origem a um processo que está a abrasar o meio dos media. A ERC, depois de demorada investigação, acabou por não encontrar provas de intromissão do governo, mas a deliberação que aprovou abriu um novo capítulo nesta história. A intensidade da polémica justifica a atenção do Clube de Jornalistas, que trouxe para o debate, esta semana, Estrela Serrano, membro da ERC, mas que está presente em estúdio a título individual, Eduardo Cintra Torres, o autor da crónica «incendiária», e José Carlos de Vasconcelos, jornalista experiente e advogado. Ribeiro Cardoso é o moderador.
ERC não reconhece como verdadeiras acusações de ingerência na RTP

terça-feira, dezembro 19, 2006

PROVEDORIAS Hoje, no DN

Da internet aos livros e regresso aos anglicismos
José Carlos Abrantes


“Uma leitora escreveu ao provedor: “Desculpe se me dirijo impropriamente a V. Exª, mas não sei a quem me dirigir, no DN. Como outros leitores refere que o único endereço de correio electrónico disponível na página do DN seria o do provedor. O director adjunto João Morgado Fernandes na sequência deste e de outros correios do mesmo teor, esclareceu que os leitores podem sempre ter resposta contactando directamente a redacção: “(...) há, de facto, um mail no botão Contactos que vem ter directamente à redacção. E nenhum dos mails que chegam por essa via fica por responder.” O leitor pode verificar que de facto há um e - mail webmaster@dn.pt que se activa pelo pressão nos contactos, da página colocada na internet.

Edição on-line
Uma peça foi questionada pelo leitor Manuel Saavedra: “Envio-lhe cópia do DN Tema da edição online de 9.12.06. Se souber, peço-lhe que me informe o nome do entrevistado. É tão enigmático e divertido, o jornalismo.” Tratava-se de uma entrevista a Marques Mendes feita por António José Teixeira e José Fragoso (texto) e José Carlos Carvalho (foto). O nome do entrevistado não era referido uma só vez. António José Teixeira não se desculpa: “O único comentário possível é de que se trata de um erro. Uma entrevista sem identificação do entrevistado não é nada. A edição digital não foi cuidadosa.” E avança com uma informação que faz prever um 2007 mais eficaz na dimensão electrónica do jornal: “A boa notícia é que esperamos dentro de pouco tempo melhorar significativamente a nossa edição on-line.” Ao provedor apraz registar e esperar, para ver. Tenho defendido repetidamente que a versão do jornal na internet é a outra face da moeda do jornal papel. Uma e outra são igualmente importantes na actual fase de vida da imprensa.

Madinat as-Sadr
O leitor Francisco Santos lançou o olhar para a cobertura do Iraque: “Não é a primeira vez que eu escrevo sobre isto. Mas os meios de comunicação portugueses, alimentados pelas agências de notícias internacionais, insistem em fazer-nos crer que existe um local chamado Sadr City no Iraque.
Contudo, apesar da ocupação norte-americana e britânica, a língua inglesa não é oficial nem predominante naquele país e tenho grandes dúvidas que os nomes das localidades tenham passado a escrever-se meio em árabe e meio em inglês.
Posso não concordar mas até compreendo que as agências de notícias internacionais e os meios de comunicação em inglês traduzam metade do nome de “Madinat as-Sadr” transformando-o em “Sadr City”, pois aquelas palavras árabes significam "Cidade de Sadr". O que eu não compreendo é que num texto em português o nome árabe original da cidade iraquiana de Madinat as-Sadr tenha a primeira metade traduzida para inglês.”
A jornalista autora da notícia respondeu : “agradeço a carta do leitor Francisco Santos e o interesse que demonstra pela realidade iraquiana, sobre a qual escrevo no DN, e pela cultura árabe. Em relação a Madinat as-Sadr, acredito que tenha razão, perante a eloquência dos seus argumentos, mas nesta matéria esforço-me por aceitar alguma da grafia anglo-saxónica, que aponta precisamente para Sadr City. Até por uma questão de uniformização da escrita. Tal leva-nos, por exemplo, a escrever Al-Qaeda e Al-Zarqawi, a despeito de, em português, obrigatoriamente, a seguir à letra Q vir um U. Já protestei qb, mas esta grafia passou a ser comummente aceite.”
Que pode acrescentar o provedor? Nada mais do que já adiantou na crônica intitulada Socorro! Ou será help?(1). Lembro que nesse texto sustentei que “O facto de as queixas dos leitores visarem duas secções diferentes do jornal, o Nacional e o Desporto, sugere que os anglicismos são um problema editorial , não apenas desta ou daquela secção.” Este novo detalhe confirma esta visão: as decisões para o conjunto do jornal valem mais que os reparos individuais. Sigo o leitor: cidade de Sadr fica melhor do que Sadr City, num jornal português.
(1) Crônica que pode ser lida aqui


Bloco Notas

Livros
Em Portugal publicam-se cerca de 10 mil livros por ano. Será muito, será pouco, comparativamente a outros países? As novidades abundam e já se vê a nostalgia do tempo em que quem publicava era um “verdadeiro” autor e não pessoas que nem escrever sabem, como frequentemente se ouve e vê escrito. Não partilho esta convicção pois desconfio sempre dos paraísos perdidos. Ainda recentemente o decano dos editores portugueses, Rogério Moura, me lembrou que quando começou a sua actividade de editor, cinquenta anos atrás, se podiam facilmente conhecer as novidades. Numa só prateleira das livrarias da Baixa estavam expostos todos os livros recentemente editados. Hoje, a situação é obviamente diferente, incomparavelmente melhor.
No decorrer da semana que findou, a Porto Editora lançou, na Universidade Católica, cinco livros: A Quercus nas notícias, de Gonçalo Pereira da Rosa, jornalista, director da edição portuguesa da National Geographic; Comunicação, Economia e Poder, organizado por Helena de Sousa, professora na Universidade do Minho; Mercados televisivos europeus, de Luís Oliveira Martins, professor na Universidade Nova de Lisboa; Introdução aos Cultural Studies, de Armand Mattelard e Erica Neveu; Sociologia dos Públicos, de Jean Pierre Esquenazi. Só de um editor, muito para ler.
Outros editores mostram idêntica energia. A colecção livros Horizonte/CIMJ fez este ano sair vários volumes. Um dos últimos é um livro de Verónica Policarpo, Viver a telenovela: Um estudo sobre a recepção. A MinervaCoimbra continua a sua actividade com regularidade tendo feito apresentações públicas, em Dezembro, dos livros Salazar vai ao cinema, da autoria de Maria do Carmo Piçarra, A Europa e Portugal na Imprensa Desportiva: 1893-1945, do jornalista e historiador Francisco Pinheiro. A configuração dos acontecimentos e dos problemas públicos: O caso República e as manifestações nos Açores em 1975, de Isabel Babo Lança, saíu na colecção de Ciências da Comunicação, da mesma editora. Em Novembro havia sido lançado o livro Sigilo profissional em risco: Análise dos casos de Manso Preto e de outros jornalistas no banco dos réus, de Helena de Sousa Freitas.
A Colecção Media XXI (FormalPress) editou recentemente A televisão light rumo ao digital, de Francisco Rui Cádima, professor na Universidade Nova e Ética e Responsabilidade Social dos media, organizado por Paulo Faustino.
Este breve balanço mostra uma pequena parte do que foi editado em Portugal na área dos media. Completarei esta informação em Só Textos (1), à medida que a informação me for disponibilizada pelas editoras. Fica a convicção que se produz mais do que a nossa capacidade de leitura. Um bom sinal para o jornalismo e os jornalistas num tempo de edição que torna a tarimba, como factor exclusivo de formação, um tempo ido, e, felizmente, sem retorno. Por mais indispensável que ela seja, entenda-se.
(1) Só Textos

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN
Para outros assuntos : dnot@dn.pt


A crónica do Provedor do leitor do Público não foi publicada no passado domingo.

TOME NOTA

CULTURA DE MASSAS EM PORTUGAL NO SÉCULO XX
II Seminário de Investigação (2006/2007)

Local: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Av. de Berna, 26-C, Lisboa), Sala de Reuniões, 7º piso – Torre B.

Horário: 18h – 20h
9 JAN TER
Luis Trindade Primeiras Impressões. Entrar no mundo através das primeiras páginas dos jornais.
23 JAN TER Carla Baptista e Fernando Correia Os anos sessenta como um período de viragem no jornalismo escrito português.
6 FEV TER Eduardo Cintra Torres A Multidão na Literatura Portuguesa na Passagem do Século XIX para o Século XX.
27 FEV TER Madalena Soares dos Reis RTP: “Uma televisão ao serviço do povo”.

domingo, dezembro 17, 2006

ERC

"Tem razão Pacheco Pereira, toda a razão, quando afirma que a Entidade Reguladora da Comunicação social (ERC) deixou de ter condições para exercer as suas funções. Entre essas condições, estão a serenidade, a independência, a distância nobre e a autoridade moral. Assim como a capacidade para discernir e para saber de que deve ocupar-se uma entidade como esta. Para já não dizer a mera inteligência. Em tudo isto, a ERC falhou. Com um acrescento, o de ter parecido que agiu deliberada e maliciosamente. A ERC nasceu mal, mas ainda havia quem acreditasse que a gravidade das funções que lhe competem levasse os seus membros a considerar os seus deveres. Tal não aconteceu. O défice de independência explica a sua actuação. Na primeira curva, que nem sequer era difícil, derrapou. Não se trata, todavia, de simples mau desempenho. Na verdade, a ERC limita-se a exercer, com excesso de zelo e liberdade criativa, as vastas competências que lhe foram cometidas. Ora, estas são excessivas e vagas, de modo a permitir a sua interpretação pelos respectivos titulares e com o fim de cumprir um objectivo: defender os governos e admoestar os cidadãos e os profissionais da imprensa."


Escreve hoje António Barreto, no Público. No mesmo jornal Eduardo Cintra Torres escreve também sobre o mesmo assunto, finalizando assim

Considero este documento infame, oriundo de uma entidade marcada pela suspeita da sociedade livre desde a sua origem e que agora confirma as mais negras previsões ao agir sob o signo da desonestidade intelectual, abuso de competências e ao defender a censura no nosso Portugal livre.


Também Francisco Teixeira da Mota, escreve:
Por último, um pouco de humor:
Desta vez não houve conferência de imprensa em hotel de luxo, bem reveladora do provincianismo do órgão, e a ERC limitou-se a distribuir e a publicar no seu site um comunicado com o título "Publicação no jornal Público da Recomendação 7/2006 " que revela uma excitação daquele órgão que não é compatível com aquele mínimo de bom senso e moderação que lhe seriam exigíveis, se fosse um órganismo independente e credível.
Desse comunicado do Conselho Regulador da ERC transcrevo o ponto 11, uma pérola de literatura burocrática com um toque de humanismo comovente: "Pode, no entanto, o Director do jornal "Público" ficar descansado." Notável na sua concisão e utilidade!
Igualmente bastante revelador da personalidade deste órgãozinho, que está a conseguir desacreditar-se a uma velocidade surpreendente , é o ponto 15. com que termina este comunicado: "Com o presente comunicado, e no que lhe toca, o Conselho Regulador dá por encerrado este "diálogo", tão picaresco como pouco edificante".
É caso para dizer que, o Conselho Regulador da ERC tem uma visão burlesca da sua actuação, o que não pode deixar de se lamentar mas que se compreende perfeitamente.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

LIVROS DE ONTEM

Só pude assistir à introdução de Joaquim Fidalgo, director da colecção e à apresentação de A Quercus em notícias. A apresentação foi feita por Gonçalo Pereira Rosa, o autor. Fiquei muito interessado em ler o livro, pois é inegável que a Quercus se posicionou de forma bem específica em relação à comunicação social.



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terça-feira, dezembro 12, 2006

LIVROS DA PORTO EDITORA

Daqui a cerca de uma hora a Porto Editora apresentará cinco livros da Colecção de Comunicação na Universidade Católica, em Lisboa. Aos directores da colecção e aos autores, as minhas felicitações por mais este contributo ao estudo dos media e da comunicação.

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PROVEDORIAS

Nem tudo que se passa passa nos media é o título da crónica de hoje, no DN.

Nem tudo o que se passa, passa nos media
José Carlos Abrantes

Dayan conclui que o que se pede aos especialistas é a construção de uma sociologia da atenção, uma reflexão permanente sobre o que solicita a atenção colectiva no campo mediático.


No domingo, no Público Rui Araújo escreveu uma crónica intitulada "O novo Público".

segunda-feira, dezembro 11, 2006

REACÇÕES ao documento da ERC sobre ECT

As análises quantitativas da comunicação social – quanto tempo X ou Y, governo ou oposição, partido A e partido B aparecem num écrã de televisão ou no espaço de um jornal - podem, se isoladas do contexto (e o contexto é a análise do conteúdo, para a qual também há métodos científicos) dar resultados exactamente ao contrário do que parecem dizer. O Governo pode até ter menos tempo que a oposição, que isso por si só é irrelevante se todo o tempo do Governo for de ouro e todo o tempo da oposição for de chumbo. É por isso que os Momentos-Chávez do Primeiro-Ministro (ontem houve mais um na RTP a propósito de um Projecto de Alargamento de não sei que regalias sociais …) são sempre tempo de ouro. Por exemplo, para a contabilidade do Diário de Notícias, o jornal que alguns estudos revelam ser o que dá mais espaço às vozes da oposição, a entrevista de Morais Sarmento em que contabilidade fica, Governo, oposição ou oposição da oposição? Os estudos quantitativos fornecem elementos para a análise, mas não são a análise e muito menos a “ciência”. Não é difícil passar em todos os testes quantitativos, que pelos vistos a ERC está agora a utilizar para “fundamentar” os seus pareceres (e em breve tratarei do inacreditável parecer sobre o Público e Cintra Torres, fruto de dois males complementares e que só se irão agravar – a existência da ERC e o modo da sua composição), e fazer uma excelente obra de manipulação.

Eu escrevi “inacreditável” por razões de pura retórica, porque o que está a acontecer com a ERC está-lhe inscrito no código genético. Ou é assim, um braço armado de uma maioria, qualquer que ela seja; ou é mais uma colecção de empregos avulsos no Estado de que os partidos não querem prescindir e que se arrasta na sua irrelevância. Para efeitos de memória: há muito tempo que propus o fim deste tipo de “regulação” dos media, que chegou a ser a posição oficial do PSD apresentada na Assembleia da República. Depois houve uma inversão, em grande parte por influência dos acossados pelo Independente que, não tendo nada a que se agarrar, consideravam que mais valia existirem os pareceres inócuos da Alta Autoridade para condicionar os juízes em tribunal a favor das suas queixas contra o abuso da liberdade de imprensa. Havia então (e penso que ainda há) centenas de processos que se arrastavam nas secretarias por resolver devido à utilização da imunidade parlamentar pelo director do jornal acusado. Era compreensível a reacção, mas estava longe de ser uma política e o seu preço paga-se neste equívoco perigoso, a que naturalmente o governo do PS quer dar mais poderes.

*

Leitora assídua do seu blog não podia deixar de ler e responder ao seu comentário sobre a ERC. Como sabe, tenho uma enorme admiração pelo seu trabalho intelectual e por isso, a título muito pessoal, gostaria de lhe deixar o meu comentário sobre o que escreveu.

Em primeiro lugar, e independente da sua discordância sobre a existência de entidades reguladoras para o sector da comunicação social, recordo apenas que elas existem na generalidade das democracias consolidadas, como é o caso do Reino Unido, da França, dos EUA, da Alemanha, entre outras. Não vou, obviamente, discutir aqui a questão do modelo de sociedade em que vivemos, embora não lhe esconda que discordo da sua posição sobre as virtudes de uma regulação dos media assente, apenas, no mercado. Recordar-lhe-ei, tão só, que não foi essa a escolha dos governos que tivemos desde 1974 e, portanto, não é esse o quadro jurídico em que nos movemos. A ERC limita-se a cumprir as leis da República, como lhe compete.

Sobre a composição da ERC, a que também se refere no seu blog, confesso que não esperava de alguém que foi dirigente partidário e deputado, figura relevante no espaço público mediático, com capacidade para “marcar a agenda” jornalística e política, que viesse questionar a legitimidade da Assembleia da República para escolher e fazer eleger os membros do órgão regulador dos media. Quem possuiria, então maior legitimidade para o fazer? E como se alcançam maiorias, sem ser através de negociações, cedências e acordos em sede parlamentar? Seria, então, melhor que os membros da ERC fossem nomeados pelo governo do momento? Ou escolhidos por corporações? Acaso o Dr. Pacheco Pereira confrontou as atribuições e competências da ERC com os currículas dos seus membros? Não deveria ser esse o quadro de discussão sobre as pessoas escolhidas pelo Parlamento? Bastaria, aliás, conferir o modelo de escolha da ERC com o das suas congéneres europeias e americana para verificar que a sua legitimidade nada fica a dever à daquelas.

Quanto às motivações das pessoas escolhidas ou de quem as escolheu, gostaria de dizer-lhe que não me revejo em qualquer das hipóteses que expõe no seu texto: “braço armado de uma maioria, qualquer que ela seja”; ou “mais uma colecção de empregos avulsos no Estado de que os partidos não querem prescindir e que se arrasta na sua irrelevância”.
De facto, não apenas não sou nem alguma vez fui “braço armado” de quem quer que seja, como nunca necessitei de “empregos avulsos no Estado”, uma vez que possuo uma situação profissional consolidada e independente de partidos ou governos (Não falo em nome dos restantes membros mas sei que se encontram todos em idêntica situação).

Quero, finalmente, referir-me ao seu comentário sobre “os testes quantitativos” que, segundo diz, “a ERC está agora a utilizar para “fundamentar” os seus pareceres”. Devo apenas esclarecer que a ERC iniciou a monitorização da informação televisiva precisamente por considerar que não pode basear as avaliações a que legalmente está obrigada em estados de alma ou em apreciações casuísticas que, essas sim, são subjectivas e manipuláveis. O que chama de “testes quantitativos” são análises de conteúdo, baseadas em metodologias testadas e praticadas há muitos anos, que não se baseiam, apenas, em números e que têm em conta aspectos que, ao que sei, constam também das suas preocupações, tais como, a questão da imagem, os horários de transmissão e tantos outros que necessitam de uma abordagem qualitativa. Reconhecerá, apesar de tudo, que sei do que falo.

Sem pretender contrariar o seu pessimismo quanto à ERC, estou confiante que o trabalho que estamos a desenvolver mostrará, a seu tempo, que a regulação é necessária e útil aos cidadãos, embora, como em tudo o mais, possa desagradar a alguns.

(Estrela Serrano)

*

Sobre a decisão da ERC resultante de um artigo que escrevi para o Público, gostaria de informar os leitores do seu blogue que tentarei em breve, na medida das minhas forças, desmontar o que é, na minha opinião, a total mistificação «científica» a que o Conselho Regulador chegou com métodos quantitativos para tomar uma decisão favorável à RTP e, assim, favorável ao Governo.

Eu não esperava outra decisão senão uma condenação. Desde o primeiro dia, logo após a publicação do meu artigo, ainda antes de qualquer reunião do órgão regulador, o seu Presidente tomou uma posição contra o artigo e contra mim em declarações ao Diário de Notícias (22.08). Ele disse que eu escrevia por «ouvir dizer», que foi exactamente o que disse a Casa Branca de Nixon depois das primeiras notícias do Washington Post sobre o caso Watergate.

Na audição, foi patente para mim a tentativa, por parte dos dois membros mais activos do órgão regulador neste caso, de desviar o debate do conteúdo do artigo para questões metajornalísticas, como o documento final veio a revelar. Tentarei também explicar esta estratégia, que coincide com os interesses manifestados desde a primeira hora pelo DI da RTP. Há outros elementos a considerar, como o tipo de análise que é feito ao meu artigo, que considero totalmente malicioso e partindo do princípio de que tudo nele é «presunção».
Não quero roubar espaço ao seu blogue com a simples chamada de atenção de todos os aspectos incríveis deste documento. Considero o documento final da ERC monstruoso e, como José Manuel Fernandes, «gravíssimo e infame». Subscrevo a declaração de voto de Rui Assis Ferreira, um dos cinco membros do órgão regulador, que chama a atenção, ponto por ponto para a gravidade do documento a que os seus colegas votaram sim.
Espero ter forças para poder rapidamente desmontar o que são na minha opinião as falácias, mistificações e enviesamentos aberrantes a coberto da «cientificidade» («cientificidade» que serve de argumento principal, como se vê na mensagem de Estrela Serrano), bem como uma incrível orientação a favor do governo e de uma linha editorial da RTP. Digo que espero ter forças porque este documento visa, na minha opinião, condicionar a minha liberdade -e a de nós todos, comentadores, jornalistas e cidadãos - de criticar e de informar no espaço público. É, na minha opinião, um documento negro para a história da liberdade de informar e de comentar em Portugal depois do 25 de Abril.

A ERC tem orçamento e pessoal contratado para produzir o que é na minha opinião uma monstruosidade, eu terei de usar as minhas horas livres para trabalhar na desmontagem do que considero um monstro contra a liberdade do jornalismo e da crítica no espaço público. Espero que o espaço público português leia este documento infame da ERC e o debata urgentemente - não por mim, que não interesso nada, mas pela liberdade de informar e de criticar, que é, depois do pão em cima da mesa, o bem mais precioso para os indivíduos e as sociedades.

(Eduardo Cintra Torres)

Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social

Nota à Imprensa 14/2006
ASSUNTO: Publicação no jornal “Público” da Recomendação 7/2006
Na sequência da publicação no jornal “Público” da Recomendação 7/2006, de 6 de Dezembro de 2006, o Conselho Regulador da ERC esclarece o seguinte:
1. O Conselho Regulador divulgou, a 7 de Dezembro de 2006, os resultados do procedimento de averiguações iniciado a propósito do artigo “Como se faz censura em Portugal”, publicado no jornal “Público”, de 20 de Agosto de 2006, onde o seu autor acusava a Direcção de Informação da RTP de falta de independência perante o poder político, e, como jornalista, alegava fontes que entendeu por bem não divulgar.
2. Como é sabido e foi afirmado com toda a clareza, nunca estiveram em causa as opiniões expendidas naquele artigo pelo seu autor enquanto crítico, fossem elas duras ou ofensivas para os seus destinatários.
3. Antes, e exclusivamente, a parte em que, indo para lá da opinião, o seu autor actuou como jornalista e invocou essa qualidade, bem como a investigação jornalística que tinha realizado, proferindo acusações graves sem, sequer, recorrer ao contraditório.
Acusou e julgou, como jornalista, sem respeitar os deveres correspondentes a esse estatuto. E, apenas por essa razão, justificou o juízo crítico que lhe foi (aliás, de
forma instrumental) dirigido.
4. O Conselho Regulador entendeu com efeito que, ao actuar como jornalista (invocando os direitos que estão associados a este estatuto) mas recusando actuar como jornalista (não querendo assumir, tanto como os direitos, as obrigações ligadas a este estatuto), Eduardo Cintra Torres infringiu deveres elementares da profissão, jurídicos, éticos e deontológicos.
5. Este foi o único ponto em todo o artigo que justificou uma intervenção da Entidade Reguladora.
6. É portanto falso, e só justificável por reacção emotiva e por leitura deficiente ou“orientada” da Deliberação 1-I/2006, o afirmado pelo Director do jornal “Público” em editorial de 8 de Dezembro, lá onde este imputa ao Conselho Regulador uma vontade de “controlo” ou “censura” de artigos de opinião, acena com um acto de censura e proclama urbi et orbi a sua determinação em resistir a tais assaltos à liberdade de imprensa.
7. O Conselho Regulador entende, desde logo, que é questão básica da língua portuguesa a distinção entre o termo “censura” e as expressões “juízo de censura” ou “juízo crítico”, estas dirigidas, ainda por cima, ao jornal “Público”, através da
Recomendação 7/2006, de 6 de Dezembro de 2006 – não se justificando, por isso,
comentário adicional sobre o assunto.
8. Que é assim, comprova-o a tranquila possibilidade, exercida pelo mesmo Director, de expender as opiniões, várias delas ofensivas e até insultuosas, que muito bem entendeu (mas mal entendeu) sobre a Deliberação “infame” do Conselho Regulador.
9. Da mesma forma, os comentários tecidos quando da publicação da Recomendação 1-I/2006 no jornal “Público” de 9 de Dezembro de 2006, onde se associa a actuação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social aos órgãos de censura do Estado Novo, revelam com sobeja abundância como a opinião, qualquer que seja, mesmo que exemplo acabado de inanidade e má fé, está protegida e garantida em pleno no nosso Estado de Direito. E ainda bem.
10. Trata-se, infelizmente, através de uma estratégia lamentável que não merece mais observações, de procurar inculcar a ideia de atentados à liberdade de imprensa e liberdade jornalística – ou, no limite, à própria liberdade de opinião – lá onde eles de todo não existem, desviando a atenção do que vem escrito, de forma límpida, na Deliberação acima referida.
11. Pode, no entanto, o Director do jornal “Público” ficar descansado.
12. Registada que fica a sua enorme “coragem” e arrojo de lutador pela liberdade
(demonstrados e bem expressos no editorial de 8 de Dezembro de 2006), não será
necessário que alguém, quem quer que seja, passe por cima dele para “censurar”
artigos de opinião.
13. Porque o Conselho Regulador da ERC esclarece que não lho pediu, nem pede;
nunca lho pedirá; e muito menos lho irá exigir.
14. Fica, porém, o sabor amargo de ver como, com tanta “heroicidade”, se brinca com a História e com o exemplo daqueles que – mas a sério – lutaram, e quantas vezes pagaram com a sua própria liberdade ou até com a vida, a liberdade de expressão e opinião de que hoje todos beneficiamos.
15. Com o presente comunicado, e no que lhe toca, o Conselho Regulador dá por
encerrado este “diálogo”, tão picaresco como pouco edificante.
Lisboa, 11 de Dezembro de 2006.

domingo, dezembro 10, 2006

Ainda a deliberação da ERC

O director procurou preservar o direito à crítica
Rui Assis Ferreira

A deliberação da ERC suscitou duas declarações de voto (em cinco membros) que, para melhor informação dos leitores, o PÚBLICO reproduz em parte à luz do princípio fundamental da liberdade de informação e opinião

1.
Não posso subscrever, em consciência, a presente deliberação, por discordar inapelavelmente da perspectiva em que se situa: ela privilegia a condenação de um opinion maker, tal como do director do periódico que lhe dá voz, quando deveria concentrar-se no esclarecimento das suspeitas levantadas (...).
2. Não está em causa, para mim, o acerto das conclusões a que chega, quanto às concretas acusações que foram dirigidas quer à RTP - falta de independência perante o Governo - quer ao Governo - tentativa de ingerência na orientação editorial da RTP.
De facto, não ficou demonstrada no processo, com a necessária solidez, a ocorrência de uma e outra atitudes. A primeira, apontada no artigo intitulado "Como se faz censura em Portugal", inserto na edição de 20 de Agosto do "Público"; a segunda, denunciada em declarações à comunicação social do Deputado Agostinho Branquinho, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD.
Em ambos os casos inexistem elementos de prova que sustentem as acusações. Em primeiro lugar, porque a matéria factual invocada não consente uma leitura tão conotativa como a feita na coluna "Olho Vivo", e perde, claramente, dimensão representativa, perante o relatório produzido pelos serviços de monitorização da ERC, sobre a cobertura jornalística dos incêndios florestais ocorridos no período, mais alargado, de 15 de Maio a 15 de Setembro; depois, porque as informações assentes no recurso a fontes não identificadas, tanto da parte do articulista como do deputado denunciantes, não se mostraram suficientemente precisas para proporcionarem elementos de investigação suficientemente idóneos.
No quadro de atribuições desta entidade reguladora, era essa a razão de ser da intervenção suscitada, com um duplo objectivo: o levantamento rigoroso da situação existente e a criação de condições, também na área da regulação, que permitam superar a já atávica suspeição que impende, entre nós, sobre o relacionamento entre a RTP e o Executivo.
3. Teria, pois, preferido que o Conselho Regulador se concentrasse neste temário, levando mais longe a sua análise. Reflectindo, por exemplo, sobre o significado e alcance de um padrão de comportamento objectivamente documentado pelo relatório de monitorização atrás referido: a RTP foi o operador televisivo que consagrou menor tratamento jornalístico, em intensidade e extensão, aos incêndios florestais ocorridos entre 15 de Maio e 15 de Setembro. Ao nível do volume dos espaços informativos, da importância que lhes foi dada no alinhamento das notícias (posições de abertura e de destaque), da realização de directos e da recolha de depoimentos fora do círculo institucional. Examinando (...) as recorrentes alegações de uma presença excessiva de responsáveis governamentais nas emissões informativas do serviço público, para estabelecer, com a devida precisão, se elas decorrem de uma observação meramente empírica ou têm efectivo sustento factual e programático.
Teria ainda preferido que o pronunciamento da ERC, em lugar de se reconduzir à verificação da "coerência e consistência da cobertura que a RTP realizou da chamada "época" dos incêndios em 2006", tivesse em conta as possíveis incidências da política informativa adoptada pela concessionária do serviço público sobre a imagem dos Poderes envolvidos neste dossier, do ponto de vista, entre outros, da sua maior ou menor vulnerabilidade ao escrutínio dos media(...).
O que equivale a reconhecer duas coisas:
a) Que os níveis de exposição mediática destes agentes políticos e administrativos são obviamente condicionados pelas opções editoriais de quem faz a cobertura dos incêndios, podendo corresponder um maior nível de responsabilização social, própria de um regime democrático, a um tratamento jornalístico mais completo e diversificado - mas nem por isso menos adulto e rigoroso;
b) Que é redutora qualquer visão que circunscreva à esfera governamental o impacte da atitude adoptada pelos media, ignorando os outros poderes que a comunicação social também escrutina (ou permite escrutinar), os titulares dos órgãos autárquicos e as forças de segurança ou de combate aos fogos (...).
Faço notar, a propósito, que o relatório de 2005 da Autoridade Nacional para os Incêndios Florestais, analisado na presente deliberação, não se me afigura unívoco na forma como aborda a presença dos jornalistas no palco dos acontecimentos, tal como na atitude que preconiza aos meios humanos que tutela. Razão bastante para ser suscitada, também aqui, alguma clarificação sobre o olhar que a Administração Pública dispensa ao exercício da actividade jornalística em cenários, como os versados, de particular delicadeza.
4. Não valorizando (...) os aspectos antes enunciados, a maioria que lhe deu corpo optou por orientá-la em sentido diferente: o da condenação das vozes - de algumas das vozes - que lançaram a acusação sobre a RTP e o Governo. É este, aliás, o ponto que mais me separa da maioria do Conselho Regulador.
Onde se impunham juízos sobre o passado próximo/presente da informação praticada pelo serviço público televisivo, acompanhados de linhas de acção que reforcem a sua independência, a deliberação adoptada acaba por se concentrar no apuramento da responsabilidade editorial de um opinion maker e do director da publicação que lhe dá voz, perdendo de vista aquele que deveria ser - repito - o seu objecto essencial.
Em lugar de valorizar a componente reguladora (...), o documento do Conselho Regulador privilegia a componente sancionatória das atribuições conferidas à ERC. Entendo que esta é uma má opção, porque parte de pressupostos errados - o da sindicabilidade de um artigo de opinião à luz de critérios de rigor jornalístico, tal como o da responsabilidade editorial do director do periódico que lhe dá guarida (...).
Além disso, o procedimento seguido pelo Conselho Regulador abre um infeliz precedente no domínio da regulação dos meios de comunicação social: acaba por censurar reiteradamente, em toda a Parte III da deliberação, o comportamento do autor da coluna "Olho Vivo" - a partir de uma forçada separação entre o articulista/comentador e o articulista/ jornalista -, depois de relevar, na sua Nota Prévia, não ser a ERC um tribunal de jornalistas. E dirige - em nome do rigor informativo que seria exigível àquela coluna de opinião - uma recomendação igualmente reprovatória ao "Público", com base numa alegada omissão da "autoridade editorial" do seu director, quando este procurou, afinal, preservar o direito à crítica ali exercido.
5. Em suma, entendo que os comportamentos para cuja reprovação a ERC fez reverter o processo aberto são genuína evidência da liberdade de expressão, potenciadora de uma análise cuidada e atenta do espaço público, para salvaguarda de valores com especial dignidade (designadamente a independência do serviço público televisivo), e apenas sindicáveis em sede judicial, em função dos seus eventuais efeitos no domínio jurídicopenal. Nessa medida, não posso deixar de evocar aqui uma das principais asserções do acórdão "De Haes e Gijels", de 24 de Fevereiro de 1997, do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, citado, aliás, na presente deliberação:
"... o interesse geral do debate público, feito com um propósito sério, sobreleva o legítimo objectivo de protecção da reputação de terceiros, ainda que tal debate envolva o uso de linguagem ofensiva".

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Entidade Reguladora para a Comunicação Social

"Conselho Regulador
Deliberação 1-I/2006

Assunto:
A independência da RTP perante o poder político à luz do artigo de Eduardo Cintra Torres, “Como se faz censura em Portugal” e das acusações de ingerência do Governo proferidas pelo Deputado Agostinho Branquinho

Texto integral e Anexo aqui.

Recomendação
O Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, deliberou, nos termos dos arts. 39.º, n.º 1, als. a), c), d), e) e f), CRP, e 6.º, als. b) e c), 7.º, als. a) e d), 8.º, als. a), c), d), e e), e 24.º, n.º 2, als. a) e t), EstERC, iniciar procedimento de averiguações relativo ao artigo de Eduardo Cintra Torres, “Como se faz censura em Portugal”, publicado pelo jornal “Público” a 20 de Agosto de 2006, devido às graves acusações ali proferidas a respeito da falta de independência da RTP perante o poder político na cobertura dos incêndios florestais ocorridos no Verão de 2006, nomeadamente, a de que a sua Direcção de Informação obedeceria a “ordens directas” vindas do Gabinete do Primeiro-Ministro, tendentes a minimizar a importância daqueles incêndios.

Feita essa análise, e

Verificando que, para lá da designação formal da coluna “Olho Vivo” como espaço de opinião e crítica, o respectivo autor actuou na qualidade de jornalista quando expendeu aquelas acusações,
Considerando que o autor, ao agir naquela qualidade, violou gravemente deveres jurídicos, éticos e deontológicos, ao não recorrer ao contraditório e ao não fundamentar as suas acusações, do ponto de vista jornalístico, senão em fontes que não identifica,
Notando que só esse plano importa para efeito de regulação, verificado o direito de um crítico exprimir livremente opiniões, sejam elas muito negativas, e mais ou menos fundadas, sobre quaisquer assuntos ou factos,
Considerando que o Director do jornal “Público” tinha, manifestamente, consciência da qualidade em que o autor do artigo em causa proferiu as acusações acima reportadas, e que, em momento prévio ao da sua publicação, teria podido exercer, serenamente, a sua autoridade editorial,
Considerando que decidiu não o fazer,
Destacando que esta decisão tem evidente relevância regulatória, já que constitutiva da responsabilidade do jornal “Público” por flagrante e grave falta de rigor informativo e pela violação de deveres elementares do jornalismo,
Tomando em consideração, além do mais, que nenhum elemento, de facto ou documental, confirma a tese sustentada pelo autor do artigo acima referido,
Entendendo que esta conclusão está sólida e profissionalmente ancorada na monitorização intensiva e extensiva da cobertura dos incêndios realizada, não só pela RTP1 como, além disso, pela SIC e TVI, de 15 de Maio a 15 de Setembro de 2006,

O Conselho Regulador

1. Delibera que o jornal “Público”, pela publicação das acusações contidas no artigo “Como se faz censura em Portugal”, violou de forma manifesta e grave obrigações elementares do jornalismo, que decorrem do disposto nos arts. 3.º e 20.º, n.º 1, al. a), Lei da Imprensa, e 14.º, als. a) e c), Estatuto do Jornalista;
2. Como bem visto no presente caso, acusações como as que ora justificam um juízo crítico resultam, muitas vezes, na lesão grave e injusta de direitos fundamentais de pessoas e instituições, até pela particular credibilidade social que merece a acusação formulada por um jornalista;
3. Por conseguinte, recomenda ao jornal “Público” que, doravante, assegure o cumprimento das suas obrigações legais básicas.

Lisboa, 6 de Dezembro de 2006

O Conselho Regulador

José Alberto de Azeredo Lopes
Elísio Cabral de Oliveira
Luís Gonçalves da Silva (com declaração de voto, em anexo)
Maria Estrela Serrano
Rui Assis Ferreira (com voto contra, em anexo)"


Será que os dois casos não deveriam ter sido tratados separadamente, sendo de natureza tão diferente?
Por outro lado, o director do Público considera infame a deliberação.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

UM DIA A FALAR DE TELEVISÃO, Manuel Maria Carrilho

Eis um excerto da intervenção de Manuel Maria Carrilho sobre o livro de Francisco Rui Cádima. Uma ideia de democracia muito lúcida é um dos pontos deesenvolvidos pelo apresentador como um dos aspectos centrais do livro.



Já publiquei outras intervenções de outros oradores em As Imagens e Nós

PROVEDORIAS

O sonho comanda a vida
José Carlos Abrantes

O leitor terá razão por o jornal não ter dado destaque suficiente à actividade científica de Rómulo de Carvalho. Mas, para a geração que viveu a ditadura, poemas como “Galileu”, “Luísa sobe a calçada” e “Eles não sabem nem sonham que o sonho comanda a vida” são memórias que não podem ser menorizadas.

Pode ler o texto integral aqui.

No domingo, no Público Rui Araújo escreveu uma crónica intitulada "Quem dá mais..."

terça-feira, dezembro 05, 2006

UM DIA A FALAR DE TELEVISÃO

Realizou-se ontem Um dia a falar de televisão, na Universidade Nova. Julgo que foi uma boa reflexão sobre os públicos e as audiências, além de mais dois livros sobre televisão terem sido apresentados ao público.

Eis um excerto da primeira mesa da tarde, moderada por Rogério Santos.

RTP=Serviço Público

Segundo o JN a

"RTP vai ter concurso infantil de leitura.

Um concurso que procura estimular o gosto dos mais novos pela leitura e premeia os jovens estudantes que mostrem maior conhecimento e paixão pelos livros. Esta será uma aposta da RTP para o próximo ano, apresentada ontem pelo director de Programas da estação, Nuno Santos.

Para chegarem à final televisiva, os concorrentes deste "Campeonato Nacional da Leitura" terão de passar pelas fases que terão lugar nas escolas e em bibliotecas públicas.

Segundo Nuno Santos, a RTP está ainda a "afinar" o modelo do concurso. Em estudo estão duas hipóteses apostar num programa inteiramente produzido pela RTP ou importar um formato.

Este será um dos conteúdos produzidos pela RTP no âmbito de um protocolo que a estação assinou ontem com o Plano Nacional de Leitura (PNL). Com esta parceria, a RTP compromete-se também a dar cobertura noticiosa às iniciativas do PNL e a abordar os temas da escrita e da leitura em diversos espaços da sua programação.

A intervenção da RTP envolverá todos os seus canais, incluindo programas de grande audiência como "Praça da Alegria" e "Portugal no coração". Luís Garcia

domingo, dezembro 03, 2006

UM DIA A FALAR DE TELEVISÃO, dia 4 de Dezembro

HOJE


No Auditório 1 (Edifício B - Torre), Universidade Nova, Avenida de Berna, 26-C, Lisboa
PROGRAMA
10h Abertura
Presidida por João Sáàgua
Director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Nota de abertura por José Carlos Abrantes

Daniel Dayan
Foto de Kyle Cassidy







Conferência:
La theorie des images dans les nouvelles et la notion de “monstration“ Por Daniel Dayan





11h Intervalo

11h 15
José Pacheco Pereira apresenta o livro
Televisão: Das audiências aos públicos,
Lisboa, Livros Horizonte/CIMJ, 2006











13h Almoço

14h 30 m
Como se tem avançado no conhecimento dos públicos em Portugal?
Os estudos de audiência
Moderador Rogério Santos, Universidade Católica
Luís Queirós, Marktest
Os estudos qualitativos
Cristina Ponte, Universidade Nova

16h Apresentação do livro de Francisco Rui Cádima,
A Televisão 'Light' Rumo ao Digital, editado pela Media XXI. A apresentação será feita por Manuel Maria Carrilho.

16h 45 Intervalo

17h O documentário tem público na Culturgest. E na televisão?
Moderador José Carlos Abrantes
Inês de Medeiros, com visionamento de excertos do seu último filme.
Jorge Wemans, director de a :2

18h 30m Encerramento e breve síntese por Jorge Listopad

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O que é o livro
Televisão: Das Audiências aos Públicos
Abrantes, J.C. e Dayan, D. (orgs), Televisão: Das Audiências aos Públicos, Lisboa, Livros Horizonte/CIMJ, 2006.
O livro teve apoio da Fundação Calouste Gulbenkian

Este livro tem contributos de Carlos Fogaça, Daniel Dayan, Dominique Mehl, Eduardo Cintra Torres, Eliseo Veron, Guillaume Soulez, Jean Pierre Esquenazi, John Fiske, José Carlos Abrantes, Jostein Gripsrud, Sabine Chalvon e Todd Gitlin. O livro inclui também uma síntese elaborada por Felisbela Lopes a partir de contributos de António José da Silva, Isabel Ventura, José Jorge Barreiros e Tito Cardoso e Cunha
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“As palavras são como as cerejas: eis um ditado popular que explica bem esta obra. De facto, Televisão: das audiências aos públicos tem origem num colóquio organizado pelo Centro de Investigação Media e Jornalismo, na Fundação Calouste Gulbenkian. Aí, Daniel Dayan fez uma intervenção em que se referiu aos públicos de televisão. Na altura questionei o conferencista. A resposta, aludindo à necessidade de criar tipologias de públicos, levou-me a planear e concretizar, em colaboração com este investigador, um outro momento de palavra, um curso da Arrábida.”
José Carlos Abrantes (Org)
________
“Este texto é sobre o produto social da atenção partilhada e sobre as diferentes entidades colectivas (“personae fictae”) que emergem quando essa atenção se realiza pela reacção e resposta. A nossa tarefa vai consistir em olhar de perto as várias “personae fictae” envolvidas na recepção da televisão. A distinção chave vai ser entre públicos e audiências ou, mais exactamente, entre os vários públicos e os diferentes tipos de audiências. “

Daniel Dayan (Org.)

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O que é o livro A Televisão 'Light' Rumo ao Digital

Rui Cádima, A Televisão 'Light' Rumo ao Digital, editado pela Media XXI
Uma reflexão em torno do tema da qualidade dos conteúdos televisivos e da sua importância para a Cidadania; pensar a importância social e cultural da televisão num momento estratégico em que se estrutura a migração da televisão analógica para as novas possibilidades de oferta que o digital traz. Capítulos: Televisão ‘light’; Televisão e qualidade; Ambientes digitais; A Migração da Televisão para o Digital; Que regulação para o Audiovisual?


ver mais informação aqui.

A GERAÇÃO YOU TUBE

Como é a geração You Tube?

Interessante o post de José A. del Moral sobre ‘a geração You Tube’.
São dez pontos - e importará ler em detalhe - que, de forma naturalmente discutível, nos ilustram uma existência entrecortada por traços de ingenuidade e de voluntarismo mas que é bem mais do que isso:

1. a televisão aborrece-os
2. sentem-se mais à vontade com o SMS e com o Messenger do que com o telefone
3. querem escrever sobre a sua vivência, num processo que replica as histórias contadas dos mais velhos
4. não entendem que a cultura tenha proprietários
5. utilizam o computador como uma ferramenta social
6. não sabem procurar sem o Google
7. fotografam tudo
8. valorizam a autenticidade
9. são politicamente revolucionários
10. são seres globais

Encontrei a sugestão aqui.

eu no Atrium do Luís Santos. E fico a pensar como me situo nestes dez mandamentos....