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quarta-feira, novembro 15, 2006

POR UM JORNALISMO DE EXCELENCIA

Eis alguns comentários que recebi de Fernando Cascais, director do CENJOR ( a minha solicitação) a propósito do meu artigo publicado no DN de 14 de Novembro de 2006, Por um jornalismo de excelência.

Caro José Carlos Abrantes
O seu texto, muito oportuno, suscita-me uma multiplicidade de considerações e perspectivas. Vou tentar sintetizar algumas:
- O PEJ funciona como uma espécie de observatório/think tank, apoiado por uma fundação (impulsionadora de projectos na área do jornalismo cívico, nomeadamente). Mas no jornalismo americano esta "boa consciência" é paralela ao funcionamento de universidades/departamentos de excelência no campo do jornalismo. São, parece-me, relativamente independentes. A excelência do PEJ gerará excelência nas universidades?
- Quanto às universidades: elas formam para a excelência mas, empresarialmente, quem contrata hoje a excelência? É um paradoxo actual: nunca houve tanta procura de excelência (a sua crónica aponta-o, no caso português) e nunca houve tantas queixas sobre a mediocridade profissional e o jornalismo comercial. Como sair deste circulo viciado? Acredito que um PEJ português possa influenciar positivamente. Uma Gulbenkian (vamos sempre aos mesmos...) ou outra fundação poderiam apoiar um centro de investigação e um curso (ou cursos) de excelência. Será que as nossas tradicionais "capelinhas" suportariam a concorrência (saudável) entre si?
- E o mundo empresarial? E o Estado (como "patrão" de serviço público)? Aceitariam um jornalismo de excelência? E afastar-se-iam de objectivos como o do lucro máximo, das grandes audiências, da publicidade que tudo invade, da propaganda (quando necessária)?
- Tenho sido defensor da ideia de que a Comunicação sufoca o Jornalismo. Por isso, A banda larga "comunicação" invade, explora (avilta, por vezes) o jornalismo. Por isso sou partidário do curso de Jornalismo (tout court, sem a tal Comunicação). Também o jornalismo amador (o dos blogues, por exemplo, agora tão teorizado) dilui o Jornalismo na massa comunicante do dia a dia (ou do minuto a minuto).
- Projectos de excelência sim, mas com condições para passarem da teoria à prática. Sem prejuízo de cada instituição procurar a sua forma de excelência, uma instituição entidade à margem poderia ser uma alavanca, se tivesse meios e base credível. Receio que uma associação das instituições vigentes, se embora desejável, não ser seja realizável.
O apelo à criação de um PEJ português apoiado numa fundação e alavancadora de curso(s) de excelência no Jornalismo parece-me a mensagem mais importante do artigo, mesmo se aparentemente utópica. Porventura, algum empresário com maior visão poderia empregar os diplomados e fazer Jornalismo (a) sério. Porque a qualidade também compensa (uma verdade que também se terá que aplicar à Informação e não apenas às indústrias transformadoras ou às tecnológicas).


Por outro lado, Luís Santos, no Jornalismo e Comunicação, escreveu:

O Provedor do Leitor do Diário de Notícias, José Carlos Abrantes, escreve hoje sobre a necessidade de desenvolver, em Portugal, um projecto de investigação de excelência em Jornalismo (pelo que entendi, à imagem do Project for Excellence in Journalism, do Pew Research Center).
Diz José Carlos Abrantes:

"Talvez instituições de prestígio possam compreender que, sem jornalismo de excelência, dificilmente haverá excelência na política, na saúde, na educação, na vida cívica. Porquê? Porque o jornalismo define hoje o essencial da imagem pública de quase todos os aspectos da vida social".

A ideia retoma algumas das discussões que a comunidade académica nacional já partilha há alguns anos e tem um conjunto de virtualidades inegável.
Tem, naturalmente, também associada uma série de riscos, como o próprio José Carlos Abrantes assinala:

"(...) tão difícil por estarmos habituados - de mais - ao funcionamento em capelinhas".

Saúda-se, portanto, o retomar da ideia de criação de um maior espírito de comunidade.
Saúda-se, sobretudo, a intenção de o fazer sem pensar apenas nos mesmos moldes de sempre, começando e acabando os projectos em espaços que conhecemos bem.
Seria injusto que um leitor desatento percebesse nos exemplos que José Carlos Abrantes indica precisamente o contrário do que parece querer sugerir.
1 commentário(s) Publicado em Novembro 14, 2006 por luis santos.