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terça-feira, maio 30, 2006

REFLEXÕES SOBRE JORNALISMO Timor

"Estas e outras reticências que então formulei à cobertura que a imprensa, as rádios e as televisões nacionais estavam a fazer do processo timorense foram acolhidas com o maior dos cepticismos por muitos jornalistas, como, provavelmente, por muitas das pessoas que as leram. As raras vozes que, na altura, ousaram pedir um pouco mais de informação e menos emoção foram abafadas por um coro de gente entusiasmada com a nobreza da causa timorense e, sobretudo, com a ocasião que esta representava de voltar a sentir por cá uma unidade e um patriotismo como há muito não se via. Fazer as perguntas óbvias, querer saber o que havia por detrás de uma situação que, mesmo sendo verdadeira, não podia ser senão episódica, indagar, em suma, onde assentava toda aquela ebulição, tinha o inconveniente de perturbar a unanimidade nacional e de questionar, mais do que o profissionalismo dos repórteres, a ideia que prevalecia sobre o que fosse informação."


Do artigo de Diogo Pires Aurélio, Depois do Filme, publicado hoje, no DN.