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segunda-feira, maio 08, 2006

PROVEDORIAS NO DN Em Abril, assuntos mil

Em Abril, assuntos mil
José Carlos Abrantes

De lugares de texto denso, as primeiras páginas transformaram-se em montras de informação, mesmo se de ideias completas. O detalhe passou para as páginas interiores.

O treinador Luís Filipe Scolari foi a figura mais vista na principal imagem de primeira página do DN, no mês de Abril. Esta conclusão resulta da verificação de quais foram as notícias de primeira página mais destacadas, no passado mês. Em geral, um dos destaques diários é uma notícia composta por um título, acompanhado de subtítulo e de uma imagem. A outra notícia maior é mais visível pelo tamanho das letras dos títulos e subtítulos, não sendo acompanhada de imagem.
Como vimos, um desígnio nacional, o comportamento da selecção no campeonato do Mundo de Futebol, marcou a agenda visual do DN no mês que findou. O treinador aparece a olhar a taça do Mundo e surge, mais duas vezes, já no final do mês, dada a sua hipotética contratação pela Federação inglesa. Apenas outra figura pública nacional, o Presidente da República, aparece duas vezes nas imagens : uma, na visita ao Hospital de D. Estefânia e outra, na saída à Bósnia. Sócrates é retratado na visita a Angola. As eleições italianas mereceram também a atenção com Prodi, duas vezes, e Berlusconi, uma.
Quem são as outras figuras com honras de imagem destacada de primeira página? O Papa, a propósito de tomadas de posição sobre nuclear e do Estado palestiniano, Jaime Gama, no caso das faltas dos deputados, Stanley Ho, como anfitrião do novo casino. Dois gestores bancários, Fernando Ulrich e Teixeira Pinto, ilustram uma troca verbal sobre uma OPA. O futebol atrai a atenção em dois outros dias: Nuno Gomes, Simão Sabrosa e Koeman aparecem antes da eliminatória com o Barcelona e Adriano, o jogador do Porto, festeja a conquista do título, após o jogo em Penafiel. Nos restantes trezes dias, a diversidade ressalta: mulheres que pugnam por uma associação, vigilância na estrada com câmaras de vídeo, proibição de tabaco a menores de 18 anos, figuras de videojogos, polícia de costas na operação Páscoa, o planeta Vénus, uma campanha de solidariedade, um acidente que envolveu bombeiros, um idoso a pintar, os cancros de Chernobyl estudados em Portugal e o despontar do calor nas praias. Os assuntos internacionais foram representados, além dos casos citados, por uma manifestação em Timor e por um atentado em Israel.
Existe uma tensão de leitura entre a principal notícia, por ter imagem, e uma outra que retira o impacte de um título forte. Verifica-se, aliás, que os títulos são frequentemente extensos. Será que se procura, com esta extensão, compensar a menor densidade de escrita nas primeiras páginas dos jornais portugueses, nas últimas décadas? António José Teixeira, director do DN, deu uma explicação para esta evolução: “Uma das regras que costumavam diferenciar os jornais tablóides dos jornais de referência passava por títulos mais emotivos ou mais informativos. Os primeiros mais breves, os segundos mais extensos, mais explicativos. Sei que as diferenças já não serão o que eram, mas ainda assim as diferenças também passam por aqui. Não sei se os títulos da primeira página do DN serão muito diferentes em extensão dos títulos dos nossos congéneres, caso do El País, por exemplo. Julgo que não.
Como montra dos assuntos mais importantes da edição (1.º caderno, Economia, revistas) a primeira página preocupa-se em dar conta da variedade temática do jornal. Tentamos faze-la com ideias completas, que não deixem dúvidas aos leitores. “
De lugares de texto denso, as primeiras páginas transformaram-se em montras de informação, mesmo se de ideias completas. O detalhe passou para as páginas interiores. Nem toda a imprensa evoluiu como a portuguesa, em todo mundo, como aliás, acontece com o citado jornal espanhol: nele, além dos títulos, ainda se mantém algum texto noticioso em primeira página.
Nestes destaques de primeira página ressalta a influência maior de três secções do jornal, a Economia, a Sociedade e o Desporto. As secções Cidades, Internacional e Nacional também colocam informação com alguma regularidade.
Outra característica visível nos títulos é a de serem muito frequentes os números: “Portugal fumou mil milhões de cigarros”, “Bombeiros voluntários recebem 70 milhões de euros”, “Portugal bebe 2,8 milhões de litros de álcool por dia”, “Prestação da casa sobe 10% este ano”. Será um reflexo da maior aposta na linguagem económica?
BLOCO NOTAS

Assuntos mil
A diversidade dos temas é grande, tal como das imagens. Embora secções como as artes ou os media, não tenham quase representação, durante o mês, nestes destaques, os temas da sociedade, como os da economia, do desporto e do nacional são muito variados. O Benfica é o clube de futebol mais citado pois manteve-se até tarde na Liga dos Campeões. O Porto, campeão, tem justo destaque. No Nacional, destacam-se o Presidente da República, o Primeiro Ministro, o Presidente da Assembleia. A economia passa das rendas de casa para o défice, dos impostos sobre imóveis para o subsídio de desemprego, da penhora de carros de topo de gama para a fiscalização do trabalho temporário, da carga fiscal para as Opas. Nota-se o mesmo vigor na Sociedade: fala-se de Chernobyl a propósito dos cientistas portugueses que estudam o cancro nas populações atingidas, do stress da guerra colonial, mas também do exercício mental nos idosos para combater a perda de memória, das ementas das refeições nas escolas, do tabaco que se fuma e se proíbe, dos bombeiros, das câmaras de vigilância nas estradas e das mulheres que se associam. Poder-se-ia fazer melhor? Sim, com a ajuda da crítica dos leitores e pela sugestão de assuntos mais difíceis de conceber nas reuniões de planeamento.

S. Paulo
Encontro-me em S. Paulo para participar, como provedor dos leitores do Diário de Notícias, na Conferência da ONO, Organização Mundial dos Ombudsmen. Nela participarão provedores de rádio, televisão, imprensa escrita e, alguns, ocupam-se das versões on line também. Este ano estará presente Robert Sole e Sebastian Serrano, o primeiro do jornal Le Monde e o segundo do El País. Serão os principais intervenientes numa mesa que se ocupará do modo como os acontecimentos dos subúrbios de Paris foram noticiados. As fontes anónimas, os cartoons de Maomé e as questões éticas no jornalismo na idade da internet são temas que estarão em cima da mesa temas. Na próxima crónica darei conta de alguns aspectos mais salientes da conferência.


Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN

Para outros assuntos : dnot@dn.pt

1 Comments:

Blogger Marco Aurélio said...

José Carlos

Falta um mês para a copa. Daqui para frente provavelmente falaremos muito sobre futebol nos Blogs. Não podia deixar de lembrar o incidente no estádio do Pacaembu aqui no Brasil, na derrota do Corinthians por 3 a 1 para o River Plate. Aproximadamente 25 pessoas ficaram feridas. Devemos pensar seriamente na possibilidade de extinguir as torcidas organizadas. Seus integrantes que geraram a confusão. Fiz um post sobre o uso politico do futebol. Se quiser dar uma olhada.Esta no dia 22 de Fevereiro 2006.

Um abraço

Marco Aurélio

4:12 da tarde  

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