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quarta-feira, maio 31, 2006

NÃO ENTENDO, segundo Joaquim Fidalgo

"Não entendo o agastamento de Emídio Rangel quando lhe recordam a célebre frase segundo a qual uma televisão com 50 por cento de quota de audiência pode, se quiser (atenção: se quiser...), "vender" um Presidente da República tal como vende um sabonete. Eu acho que ele acredita mesmo nisso - e ele sabe do que fala... Mais: eu próprio também acho que isso é potencialmente verdade, e não só por causa das televisões. "....

(...) Não entendo também o agastamento de Manuel Maria Carrilho por ter sido visto e revisto nos ecrãs o seu sinceríssimo gesto de não apertar a mão a Carmona Rodrigues no fim do tal debate televisivo. Era isso mesmo que ele queria fazer, era isso mesmo que ele achava que devia fazer: não retribuir o cumprimento do adversário, por se sentir ofendido. Tudo bem, se achava que tinha razão. E, pelos vistos, ainda acha. Então, se acha, por que se queixa?

(..) Finalmente, não entendo o agastamento de muitos jornalistas quando se diz que as agências de comunicação "metem" notícias nos jornais. Então não é verdade?... Se uma agência a trabalhar para uma grande empresa telefona a um jornalista e lhe diz que tem uma novidade sobre um empreendimento que a empresa vai lançar, oferecendo-lhe a notícia em primeira mão e garantindo que terá o seu exclusivo, o jornalista diz que não quer?... Sabemos que não é assim. Ele habitualmente aceita, todo satisfeito com a cacha, publica-a e até faz um brilharete junto da concorrência.(...)

No Público de hoje.