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quinta-feira, maio 25, 2006

JORNALISMO E POLÍTICA

Embora já lhe tenha feito referência ontemm transcrevo mais um excerto de O fom da idade da inocência, de José Medeiros Ferreira, publicado no DN de 16 de Maio.

"(...) o testemunho é bem-vindo para além da maior ou menor justiça de apreciações feitas por Carrilho e da própria subjectividade envolvente. É bem-vindo pelos problemas que coloca e pela coragem pessoal que revela, pois afrontar a comunicação social e seus agentes, mesmo que circunstancialmente, é expor-se a uma bateria de represálias que qualquer político, cioso da sua carreira e da sua reputação, evita por regra. Muitos ficam à espera de serem compensados mais tarde pelo jogo volúvel das modas opinativas, ou ficam cativados pelos favores do gosto jornalístico no passado. E, de facto, quantos ídolos da praça pública foram exaltados pela comunicação social e depois se revelaram efémeros, fracos, ou sem qualquer substância?"

E mais à frente refere-se ao que ocorreu em Julho de 1975, quando se referiu ao tratamento que era dado aos trabalhos da Assembleia Constituinte nos jornais O Século e Diário de Notícias.

"Por essa ocasião, um reputado homem dos jornais como era Francisco Mata chegou a escrever n'O Século que eu podia ter assinado a minha certidão de morte política com aquela intervenção, pois bastaria aos jornalistas colocar por norma o meu nome na rubrica dos "entre outros" para eu desaparecer da cidade. Ao olhar para a reacção de alguns colegas na altura percebi que eles já me rodeavam como num velório…"