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quarta-feira, abril 19, 2006

UM LIVRO DE JORNALISTAS

Foi ontem apresentado e será posto á venda no sábado, pelo Expresso e pelo Público, o livro "Os dias loucos do PREC", escrito por Adelino Gomes e José Pedro Castanheira. A trabalhar num computador "alternativo" não posso colocar sequer imagens da bela capa que tem uma conhecida ilustração de João Abel Manta: personalidades de todo o mundo olham para Portugal.

Depois de Pinto Balsemão ter aberto a sessão, como anfitrião e de Martha De La Cal, correspondente da Time, ter feito uma breve apresentação do livro centrada nas suas memórias da época, José Pedro Castanheira salientou a necessidade de haver mais livros e estudos sobre esse período.

"Outros episódios, bem mais conhecidos - e a merecer o devido tratamento histórico - são, por exemplo, a prisão, só na noite de 28 de Maio, de 432 militantes do MRPP; o julgamento e a absolvição, por um tribunal popular, de José Diogo, apesar de ser o assassino confesso de um latifundiário alentejano; as dezenas e dezenas de atentados bombistas, quase todos organizados pelos mesmos operacionais ligados a um grupo de extrema-direita; a destruição, também à bomba, mas pelo poder instituído, das antenas da Rádio Renascença; ou o assalto e incêndio da embaixada de Espanha, ante a passividade de polícias e militares, e o pavor das chancelarias. Já para não falar do cerco da Assembleia Constituinte, talvez o momento em que a conquista do poder, no sentido literal do termo, esteve à distância de um palmo.
Há muito, portanto, por desbravar sobre estes oito meses de euforia, frenesim e vertigem, a que chamámos, por conveniência jornalística, "Os Dias Loucos do PREC". Aliás, nos vários contactos telefónicos que fiz, junto de alguns presentes e outros ausentes, perguntaram-me quase sempre se o livro continha algumas revelações importantes. A convicção era, invariavelmente, a mesma: já passaram trinta anos, há muita coisa ainda por contar, é tempo das línguas se soltarem e as canetas (ou os teclados de computador) começarem a escrever. Também eu - ou melhor: também nós, o Adelino e eu - assim pensamos. Este é o nosso contributo."

Por sua vez, Adelino Gomes começou assim:
"Juntaram-se neste lugar, esta tarde, algumas das mais altas figuras da vida militar e política de Portugal, em 1975.
Que tenham vindo, a nosso convite, é uma honra que não cessaremos, nós, os autores, de vos agradecer.
Mas que o tenham podido e querido fazer juntos, passado este longo tempo e todas as suas vicissitudes, ultrapassa, de longe, o plano — estimável mas limitado — da gratificação individual.

Estão aqui, podemos dizer, quase todas as principais tendências que naqueles oito meses e meio se digladiaram na arena do país, esgrimindo argumentos e, várias vezes, nalguns casos, brandindo G-3 e até trotil em defesa de uma ideia para Portugal.

Não era o mesmo o Portugal que ambicionavam (que ambicionávamos) erguer dos escombros cívicos deixados por meio século de ditadura."

Pode ler ambas as intervenções em Só Textos .