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quarta-feira, abril 26, 2006

NOS MEDIA DE CÁ O discurso do 25 de Abril

Vicente Jorge Silva explica no DN porque é que o discurso de Cavaco apanhou de surpresa parte dos portugueses. E essa razão, segundo, o colunista reside nas notícias do Expresso. Mas, na sua coluna, percebe-se que foi também a imagem "economicista" que lhe foi colada na campanha, a origem mais remota desse desfasamento.

"Criou-se assim a convicção de que a recente falta de quórum parlamentar numa votação pré--pascal e os relatórios pessimistas sobre a situação económica do País forneceriam a Cavaco Silva temas adequados ao seu primeiro discurso do 25 de Abril. Um jornal, o
Expresso, no afã de antecipar o próprio acontecimento, chegou mesmo a noticiar que o Presidente decidira dar um raspanete aos deputados.

Ignoro qual terá sido o propósito inicial de Cavaco e se, face à indiscrição do Expresso, optou por um desmentido cabal (a quantos desmentidos sucessivos sobreviverá o semanário mais influente do País?)"

E mais à frente:

"Cavaco fez um discurso contra-corrente - contra a própria corrente em que nos habituámos a situá-lo, contra a corrente onde identificamos muitas das personalidades (e interesses) que o apoiaram, e, finalmente, contra a corrente da agenda política e mediática. Preferiu focar as suas preocupações num tema central, ao contrário das viagens circundantes que costumavam ser os discursos presidenciais. E elegeu um tema a que não era suposto estar tão atento e sensível - esse tema "oculto" ou sistematicamente obscurecido pelo ruído ambiente que é o Portugal silencioso, remetido para as margens da exclusão social e da desertificação territorial, o Portugal desprovido de defesas ou representação política e corporativa, o Portugal desprezado e "improdutivo", "deixado por conta" nos critérios economicistas e tecnocráticos da competitividade e da rentabilidade, mas sem o qual só existimos como uma entidade amputada de uma parte essencial de si própria."