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quinta-feira, abril 06, 2006

NOS MEDIA DE CÁ Conflitos de interesse

No Correio da Manhã pode ler-se, hoje, uma notícia sobre o pagamento de viagens a jornalistas feita pelo Parlamento Europeu. Porque não quererão os jornalistas que recebem estes pagamentos os seus nomes citados?

"O eurodeputado Hans-Peter Martin insurgiu-se ontem contra o facto de o Parlamento Europeu (PE) subsidiar alguns jornalistas para fazerem a cobertura das sessões em Estrasburgo. A denúncia do austríaco divide os profissionais portugueses: uns defendem as ajudas financeiras e outros consideram-nas uma condicionante à liberdade de Imprensa.


Ao aceitar os subsídios, os jornalistas arriscam-se a perder a “distância necessária” que devem manter face às instituições europeias, explicou Hans-Peter Martin. “É muito inquietante” e “ridiculariza a liberdade de Imprensa na sua essência”, sublinhou o eurodeputado austríaco.

António Esteves Martins, correspondente da RTP na capital belga, condena, também, a política instituída pelo PE: “Ou há interesse informativo ou não há. O jornalista não vai a um acontecimento só porque lhe pagam a viagem. Até parece que estamos a ser subornados. Um jornalista tem de ter a liberdade total em relação a qualquer poder.”

Jaime Duch, porta-voz do PE, revelou ao jornal britânico ‘Herald Tribune’ que são cerca de 60 os jornalistas a beneficiar dos apoios, entre eles, provavelmente, portugueses, mas neste caso as opiniões também se dividem, havendo, apenas, consenso num aspecto: não verem os seus nomes citados.

Fernando de Sousa, correspondente da SIC, em Bruxelas, concorda com a atribuição das ajudas de custo e o pagamento de viagens, em avião ou comboio. “Este tipo de subsídios tem uma certa importância, especialmente quando direccionados para os órgãos de comunicação que têm menos meios para enviar a Estrasburgo jornalistas no sentido de desenvolver o conhecimento sobre a União Europeia (UE). No fundo esse é que é o objectivo”, defende.

Para Miguel Portas, do Bloco de Esquerda, “é evidente que se a viagem é paga, o jornalista fica sempre um pouco mais contido no que escreve. Isso é uma possibilidade real. O problema maior é que a generalidade dos jornais já só aceita fazer trabalho jornalístico nessa base: se pagarem, o jornalista vai; se não pagarem, não vai. Não creio que isto beneficie particularmente a Comunicação Social”."