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segunda-feira, março 20, 2006

PROVEDORIAS DN, hoje

Noticiar a ETA
José Carlos Abrantes

Neste período em que o diálogo para o fim das actividades ilegais e violentas da ETA está em curso, um maior esforço de informação sobre todas as dimensões da mobilização basca pode ser feito.

No início de Janeiro o leitor Bruno Carvalho enviou um e-mail ao provedor sobre o modo como o DN aborda as questões ligadas à ETA. “Leio habitualmente o Diário de Notícias e muitos outros jornais. Todos eles noticiam a mais pequena acção da organização basca ETA, o que é justo uma vez que o dever de um jornal é noticiar o que acontece. Todos eles noticiam as manifestações anti-ETA e as condenações dos vários partidos e personalidades do espectro político basco e espanhol, o que mais uma vez é justo. Mas quando acontecem manifestações como a que aconteceu ontem em Bilbau, de apoio aos presos políticos bascos, e que teve a mobilização de quase 50 mil pessoas, nada se publica. Porquê? O DN não soube? O DN está dependente do que transmitem os órgãos de comunicação social vinculados às teses governamentais? Não tem outras fontes? Ou não quis efectivamente publicar? Gostaria de compreender porque entristece-me um jornal, dito de referência do meu país, deixar-se condicionar e condicionar desta maneira a visão das pessoas sobre um conflito tão próximo.”
Remeti o e-mail ao jornal, mas não tendo obtido resposta tratei doutros assuntos que se foram sucedendo na agenda . Recentemente o leitor insistiu lembrando o anterior correio e assinalando um novo facto: “(...) Acontece que no dia 18 de Fevereiro houve uma manifestação - contra um mega-processo a dezenas de cidadãos aos quais se imputa a colaboração com a ETA -em que cerca de 35 mil pessoas contestaram o Processo 18/98 e percorreram as ruas de Bilbau, que poucos ou nenhuns jornais portugueses noticiaram. Um tratamento muito diferente do que merece a manifestação convocada hoje pela Associação de Vitimas do Terrorismo que, ainda não tendo acontecido, só a sua convocação já merece notícia - sob o título "Manifestação de vítimas do terror fecha semana de equívocos da ETA". O tratamento noticioso da questão basca pelo DN suscita-me sérias dúvidas em relação à isenção com que se tem tratado este tema. Gostaria que me esclarecesse as dúvidas actuais e as anteriores.”
Insisti junto do jornal, pois a minha resposta teria mais interesse se fundamentada nas razões dos jornalistas, que regularmente consulto, conforme o Estatuto do Provedor. A ausência de resposta deixa-me dúvidas desnecessárias sobre a clareza dos critérios editoriais neste caso.
O leitor insinua que existem dois pesos e duas medidas, um para noticiar os acontecimentos à volta da condenação da ETA, outro para noticiar iniciativas favoráveis a esta organização, em particular manifestações de apoio ou de simpatia aos militantes da ETA. Fui ler as notícias sobre Espanha desde o dia 1 de Janeiro 2006 até ao dia 15 de Março, num total de 74 jornais. Espanha está quase diariamente na agenda do DN, sendo a ETA o assunto mais frequente. O tratamento do DN privilegia a dimensão ilegal e violenta da organização, utilizando quase sempre a designação de terrorista. Porém, este não é qualificativo único. Aparece, aqui e além, a designação mais moderada de “organização separatista”. Por outro lado, de peça para peça ressalta uma frase “matraqueada” : “a ETA já não mata desde Maio de 2003”. Este “matraquear” revela, pelo menos, abertura à nova fase de negociações com o governo, e sublinha o trilhar de caminhos mais dialogantes e menos violentos, nomeadamente pela relevo atribuído ao Batasuna, a expressão política do agrupamento. É preciso ler o depoimento de um ex-primeiro ministro, Filipe Gonzalez, citado numa notícia, para matizar o optimismo de alguns. Este recorda que se a ETA está há 1 000 dias sem matar, tem por trás 10 000 dias em que a morte foi a sua senha. O trabalho informativo é em geral equilibrado. Outros depoimentos extremos justificam esta hipótese: o Rei de Espanha, Juan Carlos, aparece , na boca de um líder da ETA, qualificado como “ líder dos torturadores”, por exemplo.
Não vejo assim razão para presumir que a não inclusão das notícias referidas pelo leitor tenha sido feita por qualquer decisão editorial de exclusão ou de preconceito ideológico. Mas, sobretudo neste período em que o diálogo para o fim das actividades ilegais e violentas da ETA está em curso, um maior esforço de informação sobre todas as dimensões da mobilização basca pode ser feito.

BLOCO NOTAS

“Naide Gomes
a terceira melhor do mundo no salto em comprimento” foi o título e assunto mais importante da edição do DN no dia 13 de Março, com uma fotografia da atleta. No próprio dia escrevi na blogosfera: “Hoje, o DN, destaca o feito da atleta portuguesa. Tem havido segundos e terceiros lugares que são motivo de descontentamento, nos media. Ainda bem que, desta vez, não foi assim.” O DN cumpriu muito bem a sua obrigação de dar a visibilidade adequada a um feito desportivo de uma cidadã portuguesa.

Inauguração “adiada”
Na sexta feira escrevi ao director do DN, com conhecimento à editoria do Fecho e a Ana Sá Lopes, autora da notícia: “No DN de hoje pode ler-se a propósito da primeira reunião entre Cavaco Silva e José Sócrates; "O encontro prolongou-se mais tempo do que o previsto. De tal modo que Sócrates se viu forçado a adiar a sua presença num compromisso que agendara para as 19.00(...)." Presumo que o acontecimento agendado foi a presença na inauguração da Galeria do DN. Mas, se fôr assim, na primeira página vem inserida uma fotografia que assinala a presença do primeiro ministro nesta inauguração.
O director respondeu prontamente: “Não há contradição na notícia. O primeiro-ministro aceitou o convite do DN para a reabertura da Galeria Diário de Notícias e inauguração da exposição «Liberdade de Imprensa». Estava marcada para as 19 horas. O adiamento a que se referiu o DN significa atraso em relação ao previsto. A palavra «adiar» pode não ser a mais feliz, mas adiar significa, entre outros sinónimos, «demorar, dilatar». Concluo: teria sido mais correcto escrever que o primeiro ministro foi obrigado a chegar atrasado a este compromisso.

Correio dos leitores
O leitor Nuno Carvalho escreve: “Costumo ler a versão on-line do DN e não consigo encontrar na mesma um endereço de correio electrónico destinado ao "correio dos leitores (...)". Dado que tal email específico não existe, assinalo a existência de um email geral (dnot@dn.pt), para todos os outros assuntos. A publicação de cartas de leitores é matéria de opinião a publicar, logo decisão do director do jornal.

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN

Para outros assuntos : dnot@dn.pt