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domingo, março 19, 2006

HOJE, NOS MEDIA DE CÁ

Eduardo Cintra Torres escreve hoje sobre o outro lado do jornalismo. Pode consultar em SÓ TEXTOS

"Ao contrário da maioria dos comentadores, não vejo na lei da ERC uma ofensiva legalista do governo contra a liberdade de imprensa. Não é por aí que a democracia e os direitos dos jornalistas morrerão à porta das redacções. São os actos e os comportamentos que fornecem a correcta impressão de que o governo quer pôr os jornalistas nos eixos. Vicente Jorge Silva chamou a atenção para a arrogância pessoal do ministro Augusto Santos Silva (DN, 14.03), intolerância que realmente se comprovou no Clube de Jornalistas (Dois, 15.03) quando o ministro interrompeu durante 50 minutos quase todas, se não todas, as intervenções não só dos três outros participantes – representando os meios académico, jornalístico e proprietários dos meios – como as do moderador, João Paulo Menezes.
Mas o comportamento pessoal dum membro do governo é irrelevante. Grave é o favorecimento da PRISA-PSOE no caso TVI, a imposição da propaganda governamental de António Vitorino na RTP1 e o recente processo de formação da Entidade Reguladora."

Outra reflexão que vale a pena seguir é a de João Lopes num texto intitulado "o futebol sem prazer". Eis o que pderia ser possível fazer (talvez na 2:, Jorge Wemans, que desafio...) mas não é:

"Por exemplo, vale a pena perguntar se será possível pegar numa cena de Munique, de Steven Spielberg, e gastar cinco minutos do horário nobre de um qualquer canal generalista para tentar compreender como é que o seu jogo de olhares, escalas das imagens ou ritmos de montagem remete para uma complexa teia narrativa, ética e filosófica? Não, não é.

Por contraste, será possível gastar os mesmos cinco minutos a avaliar se um lance de um jogo de futebol devia ou não ter sido sancionado com uma grande penalidade? Sim, é. Aliás, tanto é possível gastar cinco como cinquenta minutos."

E vale a pena sublinar a conclusão, com tristeza também:
"Não admira, por isso, que muitos jornalistas e comentadores desportivos sejam incapazes de nos comunicar o simples prazer de observar um lance de futebol. Por vezes, dá para supor que eles ignoram esse prazer, facto que, além do mais, é de uma infinita tristeza."

Uma sugestão: talvez as televisões devessem contratar o Mourinho para fazer formação aos comentadores. Ou contratarem novos comentadores que gostassem mais de futebol. Ou experimentarem pôr o Eduardo Barroso uma vez, outra o Medeiros Ferreira, outra o Miguel Sousa Tavares, a fazer essa função. Talvez fossem menos "objectivos" mas mais verdadeiros.


Para finalizar: Blogues sob alçada da lei civil e criminal , lê-se no DN de hoje. Surpresa seria se os blogues não estivessem sob a alçada das leis.