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quarta-feira, março 22, 2006

CÁ DENTRO, A CAIS

1º dia 1

1º dia 3

1º dia 4

1º dia

Estive nos três dias (nas manhãs) do V Congresso da Cais, desta vez sobre o tema Para uma Ética da Comunicação. O pano de fundo foi o jornalismo social. Eis algumas observações sobre o que ouvi e vi.


Imagem 05 Congresso CAIS

Uma primeira observação
O jornalismo discute-se, por vezes, por iniciativa de entidades exteriores, como é o caso da Cais. Parabéns à Cais.

Segunda observação
Os jornalistas trabalham demasiado. São raros nestas iniciativas, salvo quando são convidados como oradores. Muito anos trabalhei no domínio da educação. Aí quando havia colóquios, congressos, etc, havia professores. Nas discussões sobre jornalismo, os jornalistas são raros. Bem sei que os professores são cerca de 130 mil e os jornalistas cerca de 5 mil. Mas mesmo assim...

Terceira observação
Hoje a intervenção de Vicente Jorge Silva teve o mérito de levantar reflexões sobre o que é o jornalismo social. Segundo este, o jornalismo é jornalismo, sem mais e o jornalismo social seria uma nebulosa muito grande. O convidado argentino Eduardo de Miguel, editor de Periodismo Social, defendeu que militância que tinha sido atribuída ao jornalismo social existe sim, mas no jornalismo desportivo e no jornalismo económico. O mérito da discussão residiu no facto de ter ficado mais clara a dificuldade de precisar os conteúdos do jornalismo social, pois o social não tem uma identidade tão imediata, com contornos tão bem delimitados como o desporto ou a economia. Vicente Jorge Silva não excluiu a legitimidade deste tipo de jornalismo, só considerou que não era o jornalismo que gostava de fazer nem sequer o que tinha feito na sua vida profissional.

Quarta observação
O modo como se fala dos jovens de hoje foi fracturante na mesa de hoje. Uma intervenção inicial de Óscar Mascarenhas colocou os jovens como socialmente muito pouco interventivos a partir da sua experiência como professor na Escola Superior de Comunicação Social. Segundo disse, 90% dos jovens nunca teriam feito qualquer intervenção social no momento da entrada na ESCS. Luís Osório lembrou a responsabilidade da geração de Óscár Mascarenhas no estado de coisas que este denunciou, delimitando-se também do retrato que considerou inexacto dos jovens de hje. Também a plateia reagiu a esta intervenção: Mafalda Eiró, também docente da ESCS, lembrou que uma jovem estava, nesse momento, a fazer uma tradução, trabalhando voluntariamente e considerou que a participação dos jovens era muito frequente em domínios sociais. Alunos da ESCS sugeriram que os professores explicassem melhor aos alunos como estes podem intervir.

Quinta observação
A Ordem dos Jornalistas foi trazida à colação no primeiro dia por Emídio Rangel. Na mesa de hoje, Óscar Mascarenhas manifestou-se contra, Vicente Jorge Silva a favor, embora não goste do nome e tenha referido o mau exemplo da Ordem dos Médicos e o bom exemplo da Ordem dos Advogados, sobretudo nos últimos anos.

Sexta observação
Foram muito interessantes as intervenções que ouvi dos dois convidados estrangeiros: Eduardo de Miguel e Stefano Trasatti.

Não costumo escrever tanto. Não sei se as notas que tomei ainda me sugerirão mais observações.