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sexta-feira, março 31, 2006

FALAR DE BLOGUES TEMÁTICOS

Com a participação de Pedro Magalhães e de Leonor Areal realizou-se ontem o Falar de Blogues Temáticos. Duas falhas técnicas, (logo duas!) uma de som e outra de imagem, impediram-me de dar registo audio e visual do debate. Leonor Areal, documentarista e autora do Doc Log deu conta de como tem sido positivo organizar ideias para as comunicar aos outros, aqui e além com hiatos e até com desvios editoriais. De facto, no seu blogue, em tempo de eleições fez alguns posts sobre como as sondagens eram dadas a conhecer na imprensa. Pedro Magalhães, autor de Margens de Erro, explicou que leu as perplexidades da Leonor como legítimas e acentuou também que o seu blogue lhe fez aprender coisas que não sabia, nomeadamente por ter que ir à procura de respostas a questões que se iam colocando ou que os leitores lhe iam colocando. Pedro Magalhães considerou que os políticos têm uma relação quase infantil com as sondagens. O tema do seu blogue faz com que a consulta tenha picos sazonais ligados às eleições. A Leonor adiantou ainda que usa um princípio de edição, seguindo aliás um conselho de sua avó: responder logo, mas editar só no dia seguinte. Um princípio difícil, mas ponderado, para uma tecnologia do imediato.
O moderador adiantou também algumas considerações sobre os blogues que alimenta, nomeadamente a necessidade que tem sentido de especializar (e multiplicar) a sua intervenção na blogosfera, bem como sobre estratégias recentes que usa para estimular os comentários, sobretudo n' As Imagens e Nós. A assistência colocou algumas questões nomedamente, Geraldes Lino, autor do Divulgando Banda Desenhada, que se manifestou pelo uso do termo bloguista em vez de blogueiro. Infelizmente, Rogério Santos, do Indústrias Culturais, que defende a segunda designação não estava na sala. Outro blogue presente, o TV-Child interrogou sobre os directórios de blogues tendo sido referida a Blogopédia, onde estão inscritos muitos blogues portugueses.

quinta-feira, março 30, 2006

NOS MEDIA DE CÁ

No Público de hoje, José Pacheco Pereira, defende algo que tenho também vindo a sustentar relativamente à imprensa escrita: "Não pode resistir sozinha com uma inovoção puramente interior, tem que se inovar tecnologicamente e isso significa não ser apenas escrita em papel."

NOS MEDIA DE CÁ

Hoje, Ruben de Carvalho, defende no DN, que o jornalismo impresso é empobrecido por passar para o suporte computador. Não estou de acordo, pois julgo que o contrário se pode verificar também: o discurso jornalístico na net pode ser mais complexo e enriquecedor para o leitor do que o jornalismo impresso. Basta pensar nos links, nos podcasts, nos videos, nas imagens, nos acessos a documentos a que a versão impressa não pode sequer sonhar. O trabalho do jornalista é bem mais exigente, também, nesse jornalismo global. Mas admito que face a exemplos muito mecânicos de transposição on line do jornais impressos, bastante frequente em Portugal, seja verdade o que diz Ruben de Carvalho.

"Um jornal não é apenas uma soma de textos, a sua capacidade informativa não se esgota na leitura daqueles: a componente gráfica é também informativamente relevante. A questão não reside na utilização de elementos gráficos (fotos, infogramas, cartoons), também susceptíveis de inclusão e consulta informática. O problema tem a ver com a capacidade informativa contida na paginação jornalística, o equilíbrio relativo entre as matérias e os textos, a sua arrumação narrativa ao longo do jornal. A transposição do conteúdo jornalístico para a Net tem como consequência o tornar o discurso jornalístico monocórdico, apresentado sempre no mesmo tom, sem tratamento nem equilíbrios relativos criteriosamente definidos.

Isto não significa que o discurso via Net seja inevitavelmente monocórdico. Crescentemente se afirmam potencialidades do grafismo informático, mas a questão é que esse aspecto formal incide igualmente na organização de conteúdos: a pura transposição do discurso jornalístico impresso para o suporte computador empobrece-o dramaticamente."

quarta-feira, março 29, 2006

É ÀS 19 h

Falar de Blogues Temáticos
30 de Março, 19:00 horas
Doc Log , Leonor Areal
Margens de Erro , Pedro Magalhães



Os blogues temáticos aparecem com uma credibilidade forte. Muitas vezes são feitos por especialistas que problematizam, em profundidade, um tema.

Nota: Vitor Relvas, autor de Educar para os Media não pode estar presente, por doença, imprevista. As rápidas melhoras é o meu voto para o Vítor.

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dez milhões, seiscentos e trinta e quatro mil, duzentos e cinquenta e seis jornais a menos foi a perda global, em número de exemplares vendidos, da imprensa diária em 2005 por comparação a 2004. Será que estes números não dão para juntar as mãos e as cabeças?

NOS MEDIA DE CÁ

Diários vendem menos 26 mil é o título de uma peça de Ana Pago, no DN.

Os jornais diários perderam vinte seis mil leitores por dia, no seu conjunto, em 2005. É preciso dizer que os jornais gratuitos tiveram tiragens diárias de 450 mil exemplares, Portanto, há mais gente a ler jornais. E há ainda a internet.
Como Manuel Pinto, que dá um depoimento no Público, penso que os jornais deviam pensar mais na formação dos públicos jovens e que o Ministério da Educação deveria acabar com a ficção em que vive pensando que a formação dos jovens se faz apenas nas escolas.

Este quadro pode sugerir que o crescimento da imprensa e a atracção de novos públicos passa pela gestão do on line e não apenas da edição em papel.

Interessante será também ver se a aposta do DN na Economia está a ter um efeito positivo, pois, ainda segundo a notícia, é apenas nesse sector que há crescimento dos leitores nos jornais diários.

NOS MÉDIA DE CÁ

Vicente Jorge Silva manifesta-se hoje, no DN a favor da criação de uma Ordem dos Jornalistas. No colóquio da Cais, que refere, Emídio Rangel fez uma intervenção centrada sobre este assunto (num dia anterior) e manifestou-se também favorável à criação da Ordem.

"Há dias, num colóquio organizado pela revista Cais, perguntaram- -me o que é que pensava sobre a criação de uma Ordem dos Jornalistas. A questão era oportuna mas também incómoda - por vários motivos. Primeiro, porque tenho uma aversão epidérmica às organizações de tipo corporativo (que habitualmente tendem a defender os seus associados mesmo quando estes têm comportamentos eticamente indefensáveis); segundo, porque certas tentativas passadas de formação de uma Ordem dos Jornalistas foram inspiradas pelo mero desejo de protagonismo mitómano dos seus promotores, o que lhes retirava qualquer credibilidade; terceiro, porque tenho fundadas dúvidas de que a actual maioria dos jornalistas portugueses, nestes tempos de tabloidização galopante, estejam efectivamente interessados em bater-se por uma autêntica ética profissional."

Em todo o caso, acabei por responder que sim, apesar dos engulhos que me provocam a palavra Ordem e as suas conotações corporativas, preferindo talvez um termo menos carregado, como Associação. É que nunca, numa já longa experiência de jornalista, senti tanto a falta de uma organização que tivesse o objectivo específico de enquadrar, no plano ético e deontológico, o exercício da profissão."
(...)
"Não se pode voltar atrás e reinventar a história. Mas também não é tolerável assistir-se impavidamente à agonia de uma profissão essencial à vitalidade democrática e cívica de um país, aceitar a promiscuidade das funções sindicais com as funções deontológicas, admitir a existência de um organismo anedótico chamado "Comissão da Carteira", ou ainda condescender com todos os outros humilhantes sinais de menoridade e desordem que condenam o jornalismo à irrelevância, ao desprezo, à servidão. "

terça-feira, março 28, 2006

NOS MEDIA DE CÁ

Hoje assume relevo no Público e no DN a apresentação da nova grelha de programação da 2:.

Também uma pequena notícia assinala a saída da Remax, um grupo imobiliário, do patrocínio do Circo das Celebridades, que passa na TVI.

De assinalar também a reflexão de Diogo Pires Aurélio sobre a cultura dos outros .

"Há, de resto, intelectuais e jornalistas que apodrecem, desde há anos, nas prisões de Cuba ou da China, por não se convencerem que "a liberdade de expressão não é para criticar a cultura dos outros".

Mas há um problema mais imediato, que é o de vivermos actualmente em sociedades onde se aglomeram diversas culturas. No dia em que a informação só puder utilizar a liberdade para criticar os tabus de uma delas, deitará por terra os princípios republicanos que garantiram, até aqui, melhor ou pior, a coexistência de todas. Não creio, sinceramente, que seja esse o objectivo de Ramonet."

NOS MEDIA DE CÁ

Eduardo Cintra Torres escreveu, no domingo, um texto intitulado os falsos comentadores.

"O programa de Paulo Portas na SIC Notícias insere-se na habitual promiscuidade entre o que é comentário e o que é fazer política.
Esta confusão foi levada ao extremo em Portugal com o abrigo dado pelos jornais, rádios e canais de televisão a dirigentes políticos para «comentarem» a actualidade. Este tipo de programação explica-se em primeiro lugar por razões económicas: precisamente porque os políticos «comentam» na qualidade de políticos, os media não lhes pagam. O político fica assim em vantagem no espaço mediático sobre qualquer verdadeiro especialista para quem o comentário é um ganha-pão."

Pode ler o texto integral aqui

segunda-feira, março 27, 2006

PROVEDORIAS DN, hoje

Federar esforços
José Carlos Abrantes

Quem estimular e patrocinar o esforço federador de iniciativas destinadas a elevar os padrões de qualidade do jornalismo prestará um bom serviço aos leitores.

Pode ler o texto integral aqui

PROVEDORIAS LÁ DE FORA

A crónica de Robert Solé, no Le Monde, intitula-se"Les enfants sont dans la rue". Os leitores do jornal querem, entre outras coisas, que a notícia e o comentário sejam bem separados.

"Comme il paraît loin, déjà, le débat sur la Constitution européenne ! Même les caricatures de Mahomet semblent oubliées. Il est vrai que cette controverse planétaire date facilement de cinq semaines... Le temps s'accélère. La machine médiatique, de plus en plus gourmande, consomme et rejette. Mais ces débats non résolus ont-ils vraiment disparu de la mémoire collective ? Ils s'additionnent plus qu'ils ne s'annulent. Et, tout doucement, le climat s'alourdit..."



E, depois de analisar correio que opina sobre diversos aspectos do conflito, o provedor termina mostrando a voragem da actualidade e sustentando que apesar da aparência de volatilitade, os problemas se vão mantendo na memória colectiva.

"Comme il paraît loin, déjà, le débat sur la Constitution européenne ! Même les caricatures de Mahomet semblent oubliées. Il est vrai que cette controverse planétaire date facilement de cinq semaines... Le temps s'accélère. La machine médiatique, de plus en plus gourmande, consomme et rejette. Mais ces débats non résolus ont-ils vraiment disparu de la mémoire collective ? Ils s'additionnent plus qu'ils ne s'annulent. Et, tout doucement, le climat s'alourdit..."


domingo, março 26, 2006

PROVEDORIAS

Calinadas é o título da crónica do Provedor do Público

PROVEDORIAS

Crianças invisíveis é o título da crónica de hoje de Sebastian Serrano, no El País. pelo interesse do tema e porque em Portugal por vezes se assumem posições demasiado restritivas, trancrevo a totalidade da crónica. Nela se pode perceber a complexidade da situação e a necessidade de não se cair no tudo ou nada.

"La aplicación de la Ley de Protección del Menor, de enero de 1996, h a tenido como consecuencia una reducción de la presencia de niños en los medios de comunicación. La parte positiva de ello es que se ha puesto coto a la difusión de fotografías y vídeos que vulneraban el derecho a la imagen de los pequeños. La negativa es que, por temor a transgredir la ley, se ha tendido a prescindir de imágenes que incluyeran a menores, mostrando un extraño mundo sin niños.

Entre otros, este problema ha sido tratado en una instrucción del fiscal general del Estado sobre la protección del derecho al honor, a la intimidad y a la propia imagen de los menores, de la que informó este diario el jueves pasado. El texto aborda así el problema: "Tanto los menores como los medios de comunicación forman parte de la sociedad y de la vida ordinaria" y "la especial tutela del honor, intimidad e imagen de los menores no implica la expulsión de éstos de los medios". Por ello, se acepta "la emisión de la imagen o de ciertos datos del menor" incluso sin "consentimientos ni autorizaciones" cuando "de acuerdo con los usos sociales" dicha emisión "pueda considerarse totalmente inocua para sus intereses".

Como ejemplo, la instrucción cita una sentencia de la Audiencia Provincial de Valencia de 2002, que considera no atentatorio contra la imagen de una niña el hecho de que ésta apareciera en televisión "vestida de fallera" en "un acto de masiva participación popular" y de manera accesoria, "pues aparece tan sólo unos segundos". La sentencia agrega: "El caso que se enjuicia no participa de los mínimos requisitos para el reconocimiento de la vulneración del derecho ya que la imagen de la menor fue captada en la vía pública al participar en los actos falleros, no constituyendo el objeto principal de la divulgación de imágenes".

En relación con estas consideraciones, el fiscal general plantea dos criterios generales:

1. "La fiscalía no actuará de oficio, ni apoyará la demanda de los padres contra un medio que difunda imágenes de un menor cuando se trate de informaciones relativas al mundo infantil, tales como inauguraciones del curso escolar, visitas de autoridades a centros infantiles, desfiles de moda infantil, estrenos de películas o presentaciones de libros para niños, siempre que las propias circunstancias que rodeen el programa o a la información excluyan el perjuicio para los intereses del menor y en tanto la imagen aparezca como accesoria de la principal".

2. "No habrá de considerarse con carácter general antijurídica la difusión de imágenes de menores en lugares públicos, cuando aparezcan de manera meramente casual o accesoria de la información principal. Así, por ejemplo, informaciones sobre lugares abiertos al público acompañadas de tomas generales en las que aparezcan los usuarios, o tomas de espectáculos públicos, conciertos o similares siempre que tales lugares o actos no presenten aspectos negativos cuya asociación con la imagen del menor pudiera reportarle a éste perjuicios".

Estas instrucciones del fiscal general vienen a dar la razón a un lector, Jesús García Sánchez, que cité hace nueve meses, cuando envió una carta para criticar que este diario publicara en la primera página del 19 de junio una foto en la que figuraba un niño con la cara difuminada mediante técnicas digitales. La imagen formaba parte de la información sobre la marcha que se desarrolló en Madrid contra la legalización de los matrimonios formados por personas del mismo sexo. En ella se mostraba al cardenal Antonio María Rouco Varela, a un obispo y a otros cuatro adultos, además del citado pequeño, que estaba en el ángulo inferior derecho formando parte "accesoria de la información principal", por utilizar las mismas palabras que el fiscal.

"El derecho de manifestación no es algo de lo que uno deba avergonzarse y no creo que a los padres les importara que salieran sus hijos en la prensa", adujo el lector para apoyar su crítica a la ocultación del rostro infantil. Totalmente de acuerdo, aunque vale la pena añadir que, aunque les importara a los padres, se mantendría el derecho a publicar el rostro del pequeño, si se aplica el criterio establecido por la sentencia sobre la niña vestida de fallera.

El rostro de los menores sí debe ocultarse, según la instrucción del fiscal general, cuando la imagen, aunque sea casual y accesoria, "se vincula a personas o actos con connotaciones negativas", como por ejemplo "un reportaje sobre una barriada donde se vende droga", "sobre consumo de alcohol entre adolescentes", o "sobre prostitución".

Cuando los menores no figuran de forma casual, sino que son protagonistas de noticias positivas, los medios tienen derecho a publicar sus imágenes, pero en ese caso se debe obtener el "consentimiento del menor maduro o de sus representantes legales", según precisa la instrucción.

Bienvenido sea este escrito del fiscal general, que fija unas pautas en un asunto tan delicado como es la protección de la imagen de los menores. La mayor parte del texto está dedicada a dejar claro que el interés superior del menor impone límites estrictos a la libertad de informar, pero establece por fin unos criterios para evitar el absurdo de convertir los medios de comunicación en un ámbito sin niños."

sexta-feira, março 24, 2006

NOS MEDIA DE CÁ

Assinalo hoje o artigo de Alcides Vieira, director de informação da SIC, no DN. O jornalista fala de um congresso de jornalistas, realizado à 20 anos: Todos a dormir, titula.

Eram poucas as mentes que tentavam desalinhar o discurso. As questões sindicais apareciam sempre misturadas com as questões deontológicas e qualquer tentativa para discutir as vantagens de uma eventual separação, através de organismos autónomos, era vista como algo amaldiçoado.

O jornalismo perdia assim a oportunidade de caminhar no sentido da auto-regulação. A recém-criada Entidade Reguladora para a Comunicação Social não deixa de ser uma derrota dos próprios jornalistas, que, pelos vistos, acordaram tarde.

PROVEDORIAS LÁ DE FORA

Se fôr ao site da ONO encontra um texto de Kate Parry publicado no The Minneapolis Star-Tribune. Aí pode ver que fechar a informação a sete chaves não é um exclusivo da nossa administração.

Don't lose sight of the value of access

"It is certainly not the case that every secret hides a crook or a fool. But it is true that incompetence and corruption will always seek to cloak themselves in secrecy." - Thomas Ellington, political science professor at Wesleyan College in Macon, Ga.

In an apparent effort to strengthen privacy protection, proposals by Minnesota Gov. Tim Pawlenty (R) and Attorney General Mike Hatch (D) could significantly limit the ability of the public and press to see how government is functioning. Both proposals would restrict access to data, thus dramatically limiting government openness. Reporters regularly use public data to scrutinize public officials, and restrictions on such data could make it harder or even impossible to unearth information otherwise unavailable.

We all have a stake in keeping our government -- the one we elect and pay for with our taxes -- open to scrutiny. (...)

PROVEDORIAS LÁ DE FORA

Se fôr ao site da ONO encontra um texto de Kate Parry publicado no The Minneapolis Star-Tribune. Aí pode ver que fechar a informação a sete chaves não é um exclusivo da nossa administração.

There's a dandy quote-of-the-day calendar on my desk from the Freedom Forum, a think tank dedicated to free speech and a free press.

A pitch-perfect quote from Thomas Ellington, a political science professor at Wesleyan College, turned up recently that crystalized why we've all got a stake in keeping our government -- the one we elect and pay for with our taxes -- as open to scrutiny as possible:

"It is certainly not the case that every secret hides a crook or a fool. But it is true that incompetence and corruption will always seek to cloak themselves in secrecy."

Apparently Gov. Tim Pawlenty and Attorney General Mike Hatch have different calendars on their desks this year. They're floating proposals that could significantly limit the ability of the public and press to see how government is functioning.

There's nothing like a little bipartisan skulduggery of this sort to kick off Sunshine Week today, an effort by media to help the public understand why government openness is so important -- and why it's an uphill struggle to keep it open. As the reader's representative, I thought while there was still time to do something about it, I'd show what you risk losing if those proposals get some traction.

quinta-feira, março 23, 2006

CLUBE DOS JORNALISTAS

Acabei de ver o Clube dos Jornalistas em repetição. Falou-se de jornalismo desportivo. Mas só jornalistas estiveram presentes. Não gostei de ver o jornalismo desportivo ser analisado apenas do lado...dos jornalistas. Há os dirigentes (que foram visados sem haver quem estivesse a representar a sua lógica), os empresários, os atletas e desportistas, os leitores. É redutor ver as coisas apenas de um ponto de vista. Os jornalistas deveriam sabê-lo melhor que ninguém.

AINDA A CAIS

"Projecto Cais quer criar agência de jornalismo social
Encontro sobre ética da comunicação serviu para delinear metas ambiciosas para o futuro da organização."

Isto diz Ana Machado no Público de hoje. Considero muito interessante que agentes sociais como a Cais procurem elevar os padrões do jornalismo que se pratica em Portugal.

PROVEDORIAS

A crónica de Sebastian Serrano, do El Pais, de domingo passado era intitulada Sarcasmo tecnológico.

"David Escorial remitió el lunes pasado un correo electrónico para criticar la publicación de unas inserciones publicitarias en la edición digital del diario. El lector concretaba su queja en tres pequeños anuncios que figuraban ese día al final de un artículo titulado El salto de la patera a la piragua y cuyo subtítulo precisaba: 'Los traficantes de inmigrantes aumentan el tamaño y la potencia de sus embarcaciones para rentabilizar más sus viajes hacia España'.

El dramatismo del artículo contrastaba con los textos de los anuncios, seleccionados por un robot virtual de escasa sensibilidad social. En el primero se podía leer: "Préstamos inmigrantes. Cumplir tus sueños nunca fue tan fácil. Decide sólo cómo y cuánto". En el segundo: "Barcos crucero. Alquiler de barcos sin licencia por los ríos y canales de Europa". Y en el tercero: "Todo para el piragüista. Piraguas, kayaks, canoas"."

O "defensor del lector" dá depois outros exemplos e afirma: "Es cierto que Internet está todavía en una fase de desarrollo en la que cabe casi todo, pero el lector tiene razón al reclamar que sean aplicadas reglas de respeto similares a las que se han ido consolidando en el papel."


quarta-feira, março 22, 2006

CÁ DENTRO, A CAIS

1º dia 1

1º dia 3

1º dia 4

1º dia

Estive nos três dias (nas manhãs) do V Congresso da Cais, desta vez sobre o tema Para uma Ética da Comunicação. O pano de fundo foi o jornalismo social. Eis algumas observações sobre o que ouvi e vi.


Imagem 05 Congresso CAIS

Uma primeira observação
O jornalismo discute-se, por vezes, por iniciativa de entidades exteriores, como é o caso da Cais. Parabéns à Cais.

Segunda observação
Os jornalistas trabalham demasiado. São raros nestas iniciativas, salvo quando são convidados como oradores. Muito anos trabalhei no domínio da educação. Aí quando havia colóquios, congressos, etc, havia professores. Nas discussões sobre jornalismo, os jornalistas são raros. Bem sei que os professores são cerca de 130 mil e os jornalistas cerca de 5 mil. Mas mesmo assim...

Terceira observação
Hoje a intervenção de Vicente Jorge Silva teve o mérito de levantar reflexões sobre o que é o jornalismo social. Segundo este, o jornalismo é jornalismo, sem mais e o jornalismo social seria uma nebulosa muito grande. O convidado argentino Eduardo de Miguel, editor de Periodismo Social, defendeu que militância que tinha sido atribuída ao jornalismo social existe sim, mas no jornalismo desportivo e no jornalismo económico. O mérito da discussão residiu no facto de ter ficado mais clara a dificuldade de precisar os conteúdos do jornalismo social, pois o social não tem uma identidade tão imediata, com contornos tão bem delimitados como o desporto ou a economia. Vicente Jorge Silva não excluiu a legitimidade deste tipo de jornalismo, só considerou que não era o jornalismo que gostava de fazer nem sequer o que tinha feito na sua vida profissional.

Quarta observação
O modo como se fala dos jovens de hoje foi fracturante na mesa de hoje. Uma intervenção inicial de Óscar Mascarenhas colocou os jovens como socialmente muito pouco interventivos a partir da sua experiência como professor na Escola Superior de Comunicação Social. Segundo disse, 90% dos jovens nunca teriam feito qualquer intervenção social no momento da entrada na ESCS. Luís Osório lembrou a responsabilidade da geração de Óscár Mascarenhas no estado de coisas que este denunciou, delimitando-se também do retrato que considerou inexacto dos jovens de hje. Também a plateia reagiu a esta intervenção: Mafalda Eiró, também docente da ESCS, lembrou que uma jovem estava, nesse momento, a fazer uma tradução, trabalhando voluntariamente e considerou que a participação dos jovens era muito frequente em domínios sociais. Alunos da ESCS sugeriram que os professores explicassem melhor aos alunos como estes podem intervir.

Quinta observação
A Ordem dos Jornalistas foi trazida à colação no primeiro dia por Emídio Rangel. Na mesa de hoje, Óscar Mascarenhas manifestou-se contra, Vicente Jorge Silva a favor, embora não goste do nome e tenha referido o mau exemplo da Ordem dos Médicos e o bom exemplo da Ordem dos Advogados, sobretudo nos últimos anos.

Sexta observação
Foram muito interessantes as intervenções que ouvi dos dois convidados estrangeiros: Eduardo de Miguel e Stefano Trasatti.

Não costumo escrever tanto. Não sei se as notas que tomei ainda me sugerirão mais observações.

PROVEDORIAS

O modelo escolhido em Portugal difere de outros que conheço, nomeadamente do de France Télévsions. Nesta estação de serviço público francesa, há provedores para a informação e um provedor para os programas. Ou seja, considerou-se que a informação e a programação teriam especificidades tão grandes que não seria conveniente juntar as duas lógicas numa só provedoria, havendo por isso provedores de informação e provedores de profgramação. Por outro lado, também existem dois provedores (e não apenas um...) que se ocupam da informação: um na France 2 e outro na France 3. Uma é uma estação generalista, a outra uma estação que cobre as regiões francesas.

Por outro lado, no Canadá, o provedor ocupa-se de rádio e televisão simultaneamente e não tem programa no ar. Renaud Gibert, que tem exercido a função nos últimos anos, considera que o provedor acaba por cair na lógica do espectáculo, ao manter um programa em antena.

Uma tendência crescente é também a de a dimensão on-line estar a ser, por vezes, objecto da atenção dos provedores. Se se pensar nos espectadores, tem razão de ser esta preocupação.

PROVEDORES DE TELEVISÃO

No post anterior refere-se que Jean Claude Allanic é o provedor de informação de France 2. Era em Maio de 2005. Actualmente é Christian-Marie Monnot. Também o provedor canadiano, David Bazey, ká não exerce funções pois faleceu ainda em 2005.

PROVEDORES DE TELEVISÃO

No post anterior refere-se que Jean Claude Allanic é o provedor de informação de France 2. Era em Maio de 2005. Actualmente é Christian-Marie Monnot. Também o provedor canadiano, David Bazey, ká não exerce funções pois faleceu ainda em 2005.

IMAGENS (E SONS) COM PROVEDORES

post que coloquei em 27 de Maio de 2005, no blogue As Imagens e Nós.


Algumas rádios e televisões instituíram já provedores dos ouvintes e dos espectadores. Eis alguns links úteis para ter mais informação sobre este assunto:

AUSTRÁLIA
Murray Green é ombudsman na Australian Broadcasting Corporation e tem a ver com a rádio, televisão e internet. A sua intervenção está prevista para os casos de não satisfação a uma primeira resposta.

BRASIL
Osvaldo Martins é o primeiro ombudsman da televisão brasileira, na TV Cultura de S. Paulo.

CANADA

A Société Radio Canada tem um ombudsman para os serviços em francês, Renaud Gibert , que esteve entre nós no Curso da Arrábida, A Construção do Olhar, em 2000. Está em funções desde 1 de Março de 2000. Nesta página pode ver os seus relatórios anuais.

Tem outro ombudsman para os serviços em língua inglesa, David Bazey.

COLOMBIA
Consuelo Cepeda é a defensora del televidente da RCN Television. O email de Consuelo Cepeda é defensor@canalrcn.com

DINAMARCA
Tem desde Janeiro de 2005 um viewer’s and listener’s editor pois na Dinamarca a designação ombudsman é apenas permitida para o Provedor de Justiça. A actividade de Jacob Mollerup, da Danish Radio, engloba a rádio, a televisão e a internet.

EUA
Jeffrey Dvorkin é o ombudsman da National Public Radio
e esteve em Portugal no Falar Televisão 20, em Abril 2005. Na página web pode ter acesso a outros textos escritos pelo ombudsman, ao guia de ética para a rádio pública, ao estatuto do ombudsman, etc.



FRANÇA
Tem um provedor de informação (médiateur) na France 2 que é Jean Claude Allanic

e um na France 3, Marie Laure Augry que esteve no último Falar Televisão (20) realizado em Abril, na Fundação Luso Americana.

Tem também um provedor de programas, Alain Le Garrec.

Os anteriores provedores de informação Didier Epelbaum e a anterior provedora de programas, Geneviève Jacquinot, colaboraram em dois Cursos da Arrábida (2000 e 2001, A Construção do Olhar e Públicos, Televisão, respectivamente). Por outro lado, Didier Epelbaum foi o primeiro convidado da série de conferências Falar Televisão tendo feito uma intervenção sobre A carta de princípios de France Télévisions que, nessa altura (Fevereiro de 2002), estava a ser ultimada.

Pode aceder também ao
Espace Télépécateurs.

PERU
Esteve na 25 a conferência da Organisation of News Ombudsman (ONO) o jornalista peruano Paulo Ramirez. A sua televisão, Canal 13, estuda a criação de um lugar de ombudsman.


PORTUGAL
Foi muito bem acolhida na conferência da ONO a notícia de que em Portugal está em preparação a implementação dos provedores de ráio e televisão na Rádio e Televisão de Portugal.


Há ainda o site da ONO, Organisation of News Ombudsman.

Há um texto de Geneviève Guicheney , ex provedora de programas de France Télévision, de uma intervenção no Curso da Arrábida “Públicos, Televisão”. No Curso A Construção do Olhar”” também houve as intervenções de Didier Epelbaum e de Renaud Gilbert bem como uma mesa redonda sobre este assunto.

PROVEDORIAS

A indigitação de Paquete de Oliveira, como provedor da RTP, e de José Nuno Martins, como provedor da rádio pública, são duas "boas" notícias. No clima de desconfiança generalizada que vivemos, e de pouca esperança em futuros radiosos, haverá também quem assuma o papel de Velho do Restelo, vindo dizer que a estes provedores cabe uma missão impossível. Não julgo. Vi alguns programas de Didier Epelbaum, o primeiro provedor de France 2, e tais programas eram bastante interessantes ao tornarem mais complexas e reflectidas as peças sobre as quais havia reclamação dos telespectadores. É certo que o provedor que sucedeu a Didier Epelbaum, Jean Claude Allanic, teve um grande conflito com a redacção, conflito que se saldou, se não estou errado, na demissão do chefe de redacção. Mas, por cá, também agora tem havido conflitos e demissões e não tem havido provedor. O facto de haver provedores no serviço publico marca uma diferença publicamente visível em relação aos canais comerciais. E marca também uma concepção diferente da televisão e da rádio, pois os utilizadores, telespectadores e ouvintes, passam a contar já não apenas como elementos de uma audiência, mas também como cidadãos com voz. Ou seja, os telepectadores e ouvintes passam a ter um estatuto próprio na rádio e na televisão, uma voz que os organiza. Uma coisa boa....

PROVEDORIAS

Soube-se hoje: o provedor indigitado para a rádio é José Nuno Martins. Lembro-me de o José Nuno Martins incluir canções de Leo Ferré, antes do 25 de Abril. Uma vez telefonei-lhe para a rádio a felicitá-lo por essa razão. Espero que tudo lhe corra bem, a bem dele, da rádio e dos ouvintes.

terça-feira, março 21, 2006

NOS MEDIA DE CÁ

Também no DN se pode ler relato do que aconteceu ontem no Congresso da Cais.

PROVEDORIAS

"O sociólogo Paquete de Oliveira foi convidado pela administração da RTP para ocupar o cargo de provedor do telespectador, apurou o DN. O provedor do ouvinte também já foi escolhido pelos responsáveis da rádio e televisão pública, mas o seu nome continua por revelar. "

Isto adianta hoje o DN. Não significa que já há provedor de televisão, mas que, finalmente, um convite foi dirigido,. Quanto a mim, foi uma boa escolha quer pelo perffil académico, quer pelo perfil humano e a anterior experiência em televisão. Esperemos que Paquete de Oliveira aceite e que o processo de nomeação se desenvolva rapidamente.

NOS BLOGUES

Data de 16 de Março mas é interessante. Foi escrito por Francisco José Viegas no A Origem das Espécies.

"Já a nomeação de novos membros do Conselho de Estado é um gesto importante. Por um lado, deviam ser escolhidas mais pessoas como João Lobo Antunes. Ele é um excelente interlocutor para se falar do país. Mas a escolha de Marcelo Rebelo de Sousa é inútil e coloca questões importantes sobre a relação entre o comentário político, o poder das televisões e as carreiras dos políticos como comentadores políticos. Não que o não possam ser; mas isso devia ter um preço, e esse preço, como mandam as regras, devia estar afixado: este cavalheiro não pode exercer o papel de comentador político e, ao mesmo tempo, de actor político no activo e de conselheiro de Estado. José Sócrates está, e Santana Lopes esteve em São Bento, depois de uma passagem pelo comentário político na televisão; Marcelo desceu dos microfones da TSF para a presidência do PSD; Paulo Portas sairá do «Estado da Arte», da SIC, para a presidência do CDS. Os casos são diferentes e devem ser analisados um a um, evidentemente, mas este traço comum devia fazer-nos pensar mais no assunto."

segunda-feira, março 20, 2006

HOJE, NOS MEDIA DE CÁ

No Público, secção Media, dá-se relevo ao Congresso da Cais intitulado Por uma Ética da Comunicação, uma iniciativa enquadrada pelo conceito de jornalismo social. O congresso vai prolongar-se até 4ª feira e realiza-se na Fundação Luso Americana, em Lisboa. Farei um post especial sobre este Congresso.

No DN, além da coluna que assino e que pode ser lida no Os Media, o Jornalismo e Nós, assinalo um artigo de Henrique Cayatte sobre uma encenação para anunciar o fim da intervenção americana no Iraque, hoje publicado no DN.

PROVEDORIAS DN, hoje

Noticiar a ETA
José Carlos Abrantes

Neste período em que o diálogo para o fim das actividades ilegais e violentas da ETA está em curso, um maior esforço de informação sobre todas as dimensões da mobilização basca pode ser feito.

No início de Janeiro o leitor Bruno Carvalho enviou um e-mail ao provedor sobre o modo como o DN aborda as questões ligadas à ETA. “Leio habitualmente o Diário de Notícias e muitos outros jornais. Todos eles noticiam a mais pequena acção da organização basca ETA, o que é justo uma vez que o dever de um jornal é noticiar o que acontece. Todos eles noticiam as manifestações anti-ETA e as condenações dos vários partidos e personalidades do espectro político basco e espanhol, o que mais uma vez é justo. Mas quando acontecem manifestações como a que aconteceu ontem em Bilbau, de apoio aos presos políticos bascos, e que teve a mobilização de quase 50 mil pessoas, nada se publica. Porquê? O DN não soube? O DN está dependente do que transmitem os órgãos de comunicação social vinculados às teses governamentais? Não tem outras fontes? Ou não quis efectivamente publicar? Gostaria de compreender porque entristece-me um jornal, dito de referência do meu país, deixar-se condicionar e condicionar desta maneira a visão das pessoas sobre um conflito tão próximo.”
Remeti o e-mail ao jornal, mas não tendo obtido resposta tratei doutros assuntos que se foram sucedendo na agenda . Recentemente o leitor insistiu lembrando o anterior correio e assinalando um novo facto: “(...) Acontece que no dia 18 de Fevereiro houve uma manifestação - contra um mega-processo a dezenas de cidadãos aos quais se imputa a colaboração com a ETA -em que cerca de 35 mil pessoas contestaram o Processo 18/98 e percorreram as ruas de Bilbau, que poucos ou nenhuns jornais portugueses noticiaram. Um tratamento muito diferente do que merece a manifestação convocada hoje pela Associação de Vitimas do Terrorismo que, ainda não tendo acontecido, só a sua convocação já merece notícia - sob o título "Manifestação de vítimas do terror fecha semana de equívocos da ETA". O tratamento noticioso da questão basca pelo DN suscita-me sérias dúvidas em relação à isenção com que se tem tratado este tema. Gostaria que me esclarecesse as dúvidas actuais e as anteriores.”
Insisti junto do jornal, pois a minha resposta teria mais interesse se fundamentada nas razões dos jornalistas, que regularmente consulto, conforme o Estatuto do Provedor. A ausência de resposta deixa-me dúvidas desnecessárias sobre a clareza dos critérios editoriais neste caso.
O leitor insinua que existem dois pesos e duas medidas, um para noticiar os acontecimentos à volta da condenação da ETA, outro para noticiar iniciativas favoráveis a esta organização, em particular manifestações de apoio ou de simpatia aos militantes da ETA. Fui ler as notícias sobre Espanha desde o dia 1 de Janeiro 2006 até ao dia 15 de Março, num total de 74 jornais. Espanha está quase diariamente na agenda do DN, sendo a ETA o assunto mais frequente. O tratamento do DN privilegia a dimensão ilegal e violenta da organização, utilizando quase sempre a designação de terrorista. Porém, este não é qualificativo único. Aparece, aqui e além, a designação mais moderada de “organização separatista”. Por outro lado, de peça para peça ressalta uma frase “matraqueada” : “a ETA já não mata desde Maio de 2003”. Este “matraquear” revela, pelo menos, abertura à nova fase de negociações com o governo, e sublinha o trilhar de caminhos mais dialogantes e menos violentos, nomeadamente pela relevo atribuído ao Batasuna, a expressão política do agrupamento. É preciso ler o depoimento de um ex-primeiro ministro, Filipe Gonzalez, citado numa notícia, para matizar o optimismo de alguns. Este recorda que se a ETA está há 1 000 dias sem matar, tem por trás 10 000 dias em que a morte foi a sua senha. O trabalho informativo é em geral equilibrado. Outros depoimentos extremos justificam esta hipótese: o Rei de Espanha, Juan Carlos, aparece , na boca de um líder da ETA, qualificado como “ líder dos torturadores”, por exemplo.
Não vejo assim razão para presumir que a não inclusão das notícias referidas pelo leitor tenha sido feita por qualquer decisão editorial de exclusão ou de preconceito ideológico. Mas, sobretudo neste período em que o diálogo para o fim das actividades ilegais e violentas da ETA está em curso, um maior esforço de informação sobre todas as dimensões da mobilização basca pode ser feito.

BLOCO NOTAS

“Naide Gomes
a terceira melhor do mundo no salto em comprimento” foi o título e assunto mais importante da edição do DN no dia 13 de Março, com uma fotografia da atleta. No próprio dia escrevi na blogosfera: “Hoje, o DN, destaca o feito da atleta portuguesa. Tem havido segundos e terceiros lugares que são motivo de descontentamento, nos media. Ainda bem que, desta vez, não foi assim.” O DN cumpriu muito bem a sua obrigação de dar a visibilidade adequada a um feito desportivo de uma cidadã portuguesa.

Inauguração “adiada”
Na sexta feira escrevi ao director do DN, com conhecimento à editoria do Fecho e a Ana Sá Lopes, autora da notícia: “No DN de hoje pode ler-se a propósito da primeira reunião entre Cavaco Silva e José Sócrates; "O encontro prolongou-se mais tempo do que o previsto. De tal modo que Sócrates se viu forçado a adiar a sua presença num compromisso que agendara para as 19.00(...)." Presumo que o acontecimento agendado foi a presença na inauguração da Galeria do DN. Mas, se fôr assim, na primeira página vem inserida uma fotografia que assinala a presença do primeiro ministro nesta inauguração.
O director respondeu prontamente: “Não há contradição na notícia. O primeiro-ministro aceitou o convite do DN para a reabertura da Galeria Diário de Notícias e inauguração da exposição «Liberdade de Imprensa». Estava marcada para as 19 horas. O adiamento a que se referiu o DN significa atraso em relação ao previsto. A palavra «adiar» pode não ser a mais feliz, mas adiar significa, entre outros sinónimos, «demorar, dilatar». Concluo: teria sido mais correcto escrever que o primeiro ministro foi obrigado a chegar atrasado a este compromisso.

Correio dos leitores
O leitor Nuno Carvalho escreve: “Costumo ler a versão on-line do DN e não consigo encontrar na mesma um endereço de correio electrónico destinado ao "correio dos leitores (...)". Dado que tal email específico não existe, assinalo a existência de um email geral (dnot@dn.pt), para todos os outros assuntos. A publicação de cartas de leitores é matéria de opinião a publicar, logo decisão do director do jornal.

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN

Para outros assuntos : dnot@dn.pt

PROVEDORIAS

(In)confidências e Lapsos era o título da crónica do Provedor do Público

domingo, março 19, 2006

HOJE, NOS MEDIA DE CÁ

Eduardo Cintra Torres escreve hoje sobre o outro lado do jornalismo. Pode consultar em SÓ TEXTOS

"Ao contrário da maioria dos comentadores, não vejo na lei da ERC uma ofensiva legalista do governo contra a liberdade de imprensa. Não é por aí que a democracia e os direitos dos jornalistas morrerão à porta das redacções. São os actos e os comportamentos que fornecem a correcta impressão de que o governo quer pôr os jornalistas nos eixos. Vicente Jorge Silva chamou a atenção para a arrogância pessoal do ministro Augusto Santos Silva (DN, 14.03), intolerância que realmente se comprovou no Clube de Jornalistas (Dois, 15.03) quando o ministro interrompeu durante 50 minutos quase todas, se não todas, as intervenções não só dos três outros participantes – representando os meios académico, jornalístico e proprietários dos meios – como as do moderador, João Paulo Menezes.
Mas o comportamento pessoal dum membro do governo é irrelevante. Grave é o favorecimento da PRISA-PSOE no caso TVI, a imposição da propaganda governamental de António Vitorino na RTP1 e o recente processo de formação da Entidade Reguladora."

Outra reflexão que vale a pena seguir é a de João Lopes num texto intitulado "o futebol sem prazer". Eis o que pderia ser possível fazer (talvez na 2:, Jorge Wemans, que desafio...) mas não é:

"Por exemplo, vale a pena perguntar se será possível pegar numa cena de Munique, de Steven Spielberg, e gastar cinco minutos do horário nobre de um qualquer canal generalista para tentar compreender como é que o seu jogo de olhares, escalas das imagens ou ritmos de montagem remete para uma complexa teia narrativa, ética e filosófica? Não, não é.

Por contraste, será possível gastar os mesmos cinco minutos a avaliar se um lance de um jogo de futebol devia ou não ter sido sancionado com uma grande penalidade? Sim, é. Aliás, tanto é possível gastar cinco como cinquenta minutos."

E vale a pena sublinar a conclusão, com tristeza também:
"Não admira, por isso, que muitos jornalistas e comentadores desportivos sejam incapazes de nos comunicar o simples prazer de observar um lance de futebol. Por vezes, dá para supor que eles ignoram esse prazer, facto que, além do mais, é de uma infinita tristeza."

Uma sugestão: talvez as televisões devessem contratar o Mourinho para fazer formação aos comentadores. Ou contratarem novos comentadores que gostassem mais de futebol. Ou experimentarem pôr o Eduardo Barroso uma vez, outra o Medeiros Ferreira, outra o Miguel Sousa Tavares, a fazer essa função. Talvez fossem menos "objectivos" mas mais verdadeiros.


Para finalizar: Blogues sob alçada da lei civil e criminal , lê-se no DN de hoje. Surpresa seria se os blogues não estivessem sob a alçada das leis.

sábado, março 18, 2006

ENCICLOPEDIA E HIPERTEXTO

Capa

À noite, no Bairro Alto, foi apresentado um livro editado por Olga Pombo, António Guerreiro e António Franco Alexandre com textos de vários outros autores (entre os quais José Afonso Furtado, Maria José Palla, Leonor Areal e Teresa Levy). O apresentador foi Manuel Villaverde Cabral que teceu considerações sobre as diferenças entre a construção do saber da Enciclopédia (metódica) e o modo de funcionar no Hipertexto (errático). Olga Pombo mostrou como o passado e o presente se juntam no livro, como este trabalho é um trabalho sobre a memória e como esta memória dá espessura ao presente, que vive a euforia do novo. Aplausos.

Enciclopédia e Hipertexto

sexta-feira, março 17, 2006

QUEM CONHECE AS ESCOLAS?

Face à posição da Comissão de trabalhadores da Lusa fica a pairar mais uma desconfiança sobre o clima que se vive na informação em Portugal: "A comissão de trabalhadores (CT) da agência Lusa defende que a direcção de informação daquele órgão deve "um pedido de desculpas" pelas "manifestações estridentes de desrespeito e desconsideração" que teve para com as três jornalistas que, há mais de um mês, elaboraram um trabalho sobre a ausência de Internet de banda larga em diversas escolas públicas, contrariando, assim, as declarações do primeiro-ministro, que assegurara a existência daquele sistema em todos os estabelecimentos de ensino."

Segundo o Público de hoje.

quinta-feira, março 16, 2006

PROVEDORIAS

O provedor do Chicago Tribune está de saída, depois de 37 anos de actividade no jornalismo. E deixa a função com saudades dos leitores:

“Writing this column has been a particular delight. I like thinking problems and issues through in print and engaging in dialogue with smart, savvy readers. I'm going to miss that.”

E também assinala um movimento destes (e dos anunciantes) para a Internet.

"These are not happy times in the news business. Between self-inflicted wounds like Jayson Blair, Jack Kelley and Dan Rather and the economic uncertainty created by the migration of readers and advertisers to the Internet, it's hard to see where the future of the business lies and what it holds."

RÁDIO

Segundo o DN a rádio vai voltar às salas de estar com a ajuda da TV Cabo.

quarta-feira, março 15, 2006

CARTA ABERTA AO MINISTRO DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES

Deve ler-se o texto de Vicente Jorge Silva intitulado Carta aberta ao Ministro dos Assuntos Parlamentares no DN de hoje. Ainda no DN, mas não disponível na edição on line, o Ministro Augusto Santos Silva replica a Miguel Gaspar, garantindo que a actual legislação define com maior precisão a excepcionalidade dos casos em que pode ser levantado o segredo de justiça. Hoje, o Clube dos Jornalistas, na 2:, debate a ERC com a presença do Ministro, de Francisco Rui Cádima e de outros intervenientes.