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segunda-feira, julho 11, 2005

AGENDA, Clube dos Jornalistas

Os media e o “arrastão” de Carcavelos, é o tema do próximo Clube de Jornalistas, transmitido, 2ª. Feira, dia 11 de Julho, às 23h30, na RTP Dois, com repetição na 5ª. Feira, dia 14, às 15h00.

Luís Osório, até há pouco director d’A Capital, Eduardo Dâmaso, sub-director do Público e José Barreiros sociólogo da comunicação, dispuseram-se a discutir um tema reconhecidamente difícil e sensível, sobre o qual, passado cerca de um mês, poucas certezas existem. A moderação do debate é de Estrela Serrano

As posições contraditórias manifestadas por ambos os jornalistas em editoriais publicados nos respectivos jornais, pouco depois dos acontecimentos, foram objecto de confronto e análise, enquadradas por José Barreiros em problemáticas mais vastas que se relacionam com a cidadania, a cultura e a crise das instituições.

O programa passa em revista as notícias publicadas na imprensa e na televisão, tentando perceber como surgiu e de quem partiu a ideia de chamar aos acontecimentos um “arrastão”, procurando nas fontes oficiais da polícia e na vox-populi, representada por proprietários de bares na praia de Carcavelos e por banhistas anónimos, a origem dessa “classificação”.

O papel das fontes oficiais, nomeadamente os dois comunicados da PSP e, por outro lado, a dependência dos jornalistas face às informações oriundas das instituições policiais, sobretudo a falta de distanciamento e de capacidade crítica são, nesse contexto, objecto de análise.

O papel e a responsabilidade das televisões no empolamento dos acontecimentos, as circunstâncias em que se trabalha hoje nas redacções, nomeadamente, a pressão da concorrência e a necessidade de tudo mostrar instantaneamente, não obstante a incerteza de que o caso se revestia e ainda reveste, são objecto de reflexão.

A propósito das fotografias tiradas na praia durante os acontecimentos, publicadas pelos jornais e televisões e interpretadas em sentidos contraditórios pela própria PSP – ora como representando assaltantes que fugiam com o produto dos roubos, ora como jovens que fugiam da confusão com os seus próprios haveres - é levantada a questão de saber até que ponto a ideia de que “as imagens falam por si” deve ser considerada ou se, pelo contrário, pode ser enganadora.

Qual é a “verdade” sobre o “arrastão” de Carcavelos?
Que problemas o acontecimento traduz?
Qual a atitude que se espera dos media em acontecimentos deste tipo?
Há ou não um problema de segurança no País, nomeadamente nas zonas suburbanas de Lisboa?
O que se espera das forças de segurança em contextos desta natureza?

O debate realizado pelo CJ, sobre Os media e o “arrastão” de Carcavelos proporcionou uma discussão de grande vivacidade, em que raramente os dois jornalistas presentes estiveram de acordo, e para cuja leitura o olhar do sociólogo forneceu importantes pistas.

Depoimentos de Adelino Gomes, do Público, Nuno Guedes de A Capital e Pena Pires do ISCTE, a propósito do debate sobre o tema realizado na Videoteca Municipal, completam a discussão.

(informação disponibilizada no site do Clube dos Jornalistas).