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Sábado, Maio 17, 2008

PROVEDORIAS

"O provedor reconhece que nem todos os aniversários do 25 de Abril justificarão o tema principal da capa do DN, mas, e como não acredita no "fim da História", ficará sempre mais tranquilo quando encontrar, nesse dia, na primeira página do jornal, um sinal inequívoco de que não se perdeu a memória da restauração da liberdade."

Assim termina o texto de hoje,O dia em que Abril não estiver na capa, de Mário Bettencourt Resendes, provedor dos leitores do DN.

Quinta-feira, Maio 15, 2008

TELEVISÃO

Nos últimos tempos, tenho acompanhado mais a informação televisiva. Estou cada vez mais convicto que o "prime time" precisa de um telejornal que dure meia hora, sem publicidade e sem intervalo. Quem o poderá fazer é, evidentemente, a RTP.

Terça-feira, Maio 29, 2007

MESTIÇAGENS

Vá ver o Mestiçagens. Por vezes escreverei sobre jornalismo.

Quinta-feira, Maio 24, 2007

ONO

Foi muito estimulante ter Jeff Jarvis no debate em que participei na conferência da ONO.

Os debates nos EUA serão verdadeiros debates. Pediram-nos 7 minutos de intervenção e depois estivemos a debatere 2 horas. Dois intervenientes e um moderador.

Ver aqui informações sobre a conferência da ONO em Harvard .

Terça-feira, Maio 22, 2007

PROVEDORIAS no DN Crónica de hoje

A FORMAÇÃO CONTÍNUA DOS JORNALISTAS



JOSÉ CARLOS ABRANTES
provedor dos leitores


1 Começou ontem, em Boston, a conferência mundial dos provedores. O DN é o único órgão de comunicação social português presente. Nem o Público nem a Rádio Televisão de Portugal, através dos provedores da rádio ou da televisão, se fizeram representar na conferência que está a decorrer. Já em 2006 o DN foi o único delegado de Portugal na conferência organizada pela Folha de S. Paulo, do Brasil. O mesmo aconteceu em 2004, quando a conferência teve lugar na prestigiada escola de jornalismo do Poynter Institute, em St. Petersbourgh/EUA. Nestes últimos quatro anos só o Jornal de Notícias, jornal também propriedade da Global Notícias, se fez representar por Manuel Pinto, em 2005, em Londres.

O DN é não só um jornal que tem escrito a história portuguesa recente (1) como também tem estado atento às tendências do futuro, em particular no jornalismo. Vale a pena dizê-lo e repeti-lo, pois a memória dos homens é curta. O DN é considerado, por vezes, um jornal oficioso, injustamente. Não se pode esquecer esse papel, anos a fio, de alinhamento com a ditadura. Mesmo, em tempos mais recentes, houve tentativas para que novas ditaduras se tornassem reais. Simultaneamente, esquece-se, por exemplo, o tempo em que o DN foi dirigido por Mário Mesquita, época em que as pressões do partido, então no poder, não conseguiram demover a firmeza e frontalidade do então jovem director. E lembro este exemplo só por ser, provavelmente, o mais paradigmático da História recente. Mas o que conta para os "biógrafos" é uma história saída dos preconceitos ideológicos e não do acompanhamento empírico da realidade. Este tratamento é tanto mais evidente quanto, ainda hoje, se considera, com excessiva complacência, o alinhamento económico como factor tantas vezes decisivo na elaboração das notícias. A acusação de subserviência ao poder encontra arautos empenhados ao mais pequeno sinal de coincidência entre uma notícia e as posições de um qualquer assessor de imprensa. Ao invés, outras coincidências ou conflitos de interesses são calados de forma despudorada. Nuns casos como noutros, a voz da imprensa deve fazer-se ouvir, fortemente e sem restrições.

2 A conferência da ONO está a desenrolar-se na casa Walter Lipmann, nome familiar a quem estuda e pratica o jornalismo (2). A Nieman Foundation foi criada, na Universidade de Harvard, em 1937 a partir de um fundo de um milhão de dólares doado por um benemérito, Agnes Wahl Nieman (3). A ideia de Nielman não foi fácil de concretizar. Apesar de tudo, em 1938 iniciou-se um programa de bolsas para jornalistas, com algumas reticências dos responsáveis de Harvard. O seu promotor quis elevar os padrões do jornalismo, dando especial atenção à formação contínua dos jornalistas, a jornalistas já com experiência. Infelizmente, a formação contínua de jornalistas em Portugal é completamente desprezada. Os jornalistas e decisores, na sua maioria, jogam ao faz-de-conta, fingindo que tal problema não existe. Desviam o olhar de domínios como a medicina, a saúde, a educação, os transportes, só para dar alguns exemplos. Neles se instalou há muito uma filosofia de formação para a vida, embora com evidente bolsas de resistência. No jornalismo faz-se crer que a falta de tempo explica o marasmo, a inacção, a falta de acompanhamento destas tendências do mundo moderno e das empresas jornalísticas bem organizadas. Os jornais podem ter mais leitores com melhores notícias se a formação contínua se tornar uma realidade diária para os jornalistas portugueses. Estes precisam de estugar o passo acompanhando as tendências mais actuais das empresas mais dinâmicas, de todos os domínios. A ideia de "aprender" toda a vida é o terreno da sobrevivência profissional e humana de uma das profissões do futuro, o jornalismo.

3 As crónicas de provedor por mim assinadas chegam ao fim no dia 12 de Junho. Depois de três anos, acabo o mandato que iniciei em 3 de Maio de 2004. O Estatuto do Provedor dos Leitores do Diário de Notícias define que a nomeação do provedor dos leitores vigora por um período de 3 (três) anos, não prorrogáveis. É uma boa solução. O director do DN deu-me conta da intenção de nomear novo provedor para o jornal, o que é uma boa notícia para os leitores e para a imprensa portuguesa. Se a imprensa vive bem sem os provedores, a imprensa e os media que convivem com a crítica interna - e pública - dos provedores merece um especial aplauso e, estudos indicam, maior aceitação e credibilidade.

Dado que tenho bastante correio em tratamento, solicito aos leitores, se possível, que não enviem novo correio depois de 31 de Maio.|

(1) Esta ideia tem sido defendida por José Medeiros Ferreira.

(2) http/www.nieman.harvard.edu/

BLOCO NOTAS

Ian Meyes, Presidente
Ian Meyes, presidente da ONO e ex-provedor do The Guardian (Inglaterra) apontou, na sua alocução (diferida) de boas vindas, o trabalho de três sub-comités que tinham sido activados em S. Paulo. Um desses grupos diz respeito a um código de ética para a Organização dos Provedores. Uma outra área que tem estado em discussão desde o ano passado é a de encontrar algumas instituições financiadoras adequadas ao critérios definidos e aos propósitos e finalidades da ONO. A terceira prioridade é de, sem descurar a tradição e dinamismo dos membros dos EUA, berço da ONO, ganhar “um braço mais longo” na internacionalização. Exemplo desta preocupação é dada pelo objectivo de realizar a primeira conferência na África do Sul, em 2010. Defenderei nos próximos dias da conferência a colocação de Portugal como destino possível. Esta passagem seria uma ponte com os países para os africanos, mesmo que a conferência prevista para a África do Sul tenha que ser adiada para 2011 (em 2008 será a vez da Suécia). Segundo Meys, a experiência dos provedores encontra cada vez mais interesse a nível mundial. Rússia, Arménia, Jordânia, Finlândia foram países que recentemente acolheram o presidente da ONO.

Ainda a Nieman Foundation
Actualmente, o programa da Nieman’s Foundation internacionalizou-se e metade dos 24 bolseiros anuais vêm de fora dos EUA. O curador da Fundação, Bob Giles, que esteve no acolhimento aos conferencistas, afirma que mais de 1000 jornalistas de um total de 72 países já obtiveram bolsas destas instituição.
Desde 2001 que o jornalismo narrativo mercê especial atenção.
No site da Fundação estão as condições das candidaturas.

Escreva

Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”

Para outros assuntos : dnot@dn.pt



Quinta-feira, Maio 17, 2007

LIBERDADE NO JORNALISMO

"Publisher Ncube of Zimbabwe receives 2007 IPA Freedom Prize for his exemplary courage in upholding freedom of expression. IPA also awards a special posthumous prize to Hrant Dink of Turkey and Anna Politkovskaya of Russia." Só Textos

Terça-feira, Maio 15, 2007

MUDANÇAS....Provedorias no DN

José Carlos Abrantes

Os leitores têm dado opiniões muito diversas sobre as mudanças ocorridas recentemente no DN.

Uma leitora, Maria Augusta Oliveira (28/04), escreveu: "Se eu tivesse de assumir a direcção de um jornal, o modelo actual do Diário de Notícias não me traria a tentativa da influência em que sempre se vai beber quando se quer empreender.

De um jornal não se espera demasiadas imagens. As imagens não são argumentos decisivos. Certo, tal como nas gravuras que acompanham um texto complicado, as imagens podem servir de apoio ou de guia à inteligência, mas a sobriedade na sua utilização dá distinção à imagem de um jornal cuja preocupação seja transformar a sensação em consciência.

Palavras, torrentes de palavras de excelentes colaboradores como o DN sempre teve para o prazer de ler um jornal! - assim é, por exemplo, o Le Monde.

O actual Director do DN trouxe consigo, ainda que com alguma cautela, o estilo de um jornal que não casa com aquele que fez a boa imagem do DN, o que é natural, uma vez que, antes de se habitar dentro de casa, habita-se dentro de si mesmo - natural é, mas pena também.

Assim, também, os assuntos que são chamados à 1.ª pág. se têm manifestado pouco apelativos, sendo a escolha, de entre as realidades, as 'suas realidades'."

O recurso à simulação "Se eu fosse director do DN", apesar de ser um exercício interessante, não tem efeitos práticos: cada director imprime o seu cunho ao jornal, sendo provável que outra pessoa, no seu lugar, fizesse escolhas diferentes. Este e-mail revela também aspirações a que o DN dificilmente pode corresponder: tal como Portugal não é a França, o DN não é o Le Monde.

Já mais complexa é a consideração feita pela leitora de que "de um jornal não se espera demasiadas imagens. As imagens não são argumentos decisivos." O papel das imagens é um terreno de oposições muito marcadas. O jornal citado, o Le Monde, é aliás disso um bom exemplo. O formato em que as imagens estavam ausentes foi considerado ultrapassado e pouco apto a responder aos desafios do mercado francês, sendo portanto abandonado. Na altura, esta mudança deu origem a abundante correio ao provedor (médiateur) do Le Monde. Hoje, o jornal usa as imagens com frequência e, por vezes, em grande destaque. O argumento da leitora faz crer que as imagens são elementos de segunda ordem, comparados com a palavra escrita, excelsa e inultrapassável. Ora muitos leitores e pensadores estão longe de validar tal visão das coisas, considerando que a imagem tem uma dignidade própria e um papel decisivo na imprensa de hoje. Podemos lembrar, com José Pacheco Pereira, que as imagens ocupam mais espaço de um disco duro do que o texto, e que isso se deve também à sua grande complexidade informativa.

"O actual Director do DN trouxe consigo, ainda que com alguma cautela, o estilo de um jornal que não casa com aquele que fez a boa imagem do DN, o que é natural uma vez que, antes de se habitar dentro de casa, habita-se dentro de si mesmo - natural é, mas pena também." Ainda bem que a leitora usou o termo cautela, matizando o juízo mais definitivo que depois adianta. De facto, a prudência exige que não se reproduzam chavões e juízos automáticos. Agrilhoar as pessoas ao passado, sem lhes deixar margem de manobra e autonomia, é, claro, mais fácil do que avaliar os resultados das suas acções. Evitar estes atalhos tem benefícios. É complicado reformar uma instituição, sobretudo com uma história tão antiga como tem o DN. Os leitores criaram hábitos. Uma das dificuldades das novas direcções tem sido a corrida contra o tempo, que se insere no quadro do declínio gradual do número de leitores de jornais. O DN necessita de manter os leitores tradicionais e tentar simultaneamente alargar o seu público, o que é obviamente difícil e nem sempre foi conseguido nestes três últimos anos.

O leitor Jorge Galvão Videira (05--05-2007) sintetizou de outra forma as mudanças recentes no DN: "Na minha opinião houve algumas alterações que melhoraram o DN, como sejam:

- Organização do jornal, que facilita a leitura;

- Criação das faixas - o que vai acontecer hoje e amanhã

- Suplementos melhores, sendo de realçar o de Economia, com melhor organização e apresentação.

Também há aspectos, e alguns importantes, que pioraram, a saber:

- Sensacionalismos na 1.ª pág., o que não se coaduna com um "jornal de referência"; hoje há três Correio da Manhã (o próprio, o Público e o DN). O destaque, na 1.ª pág. dado a notícias como a operação do Eusébio ou a derrota de Mourinho é superior ao dado no jornal A Bola.

- Viragem à direita em termos políticos, visível pela cessação de colaboração de alguns, bons, jornalistas (não compensada pelo fim do pesadelo que eram os artigos de Luís Delgado).

- Suplemento Gente, sem qualquer interesse."

Já me referi, em anterior crónica, ao relativo equilíbrio de algumas soluções gráficas, que introduziram roturas mas respeitaram, em geral, a tendência gráfica do jornal. A criação de "faixas" [na gravura do Bloco--Notas] é, de facto, uma mais-valia para os leitores, um verdadeiro ovo de Colombo que, presumo, vai ter muitos seguidores na imprensa. Estas "faixas" permitiram aos leitores situar-se, no dia-a-dia, nas inúmeras actividades que hoje atravessam a parte do País que pode estar atenta. No domínio das Artes, da Política, dos Media, da Economia. Os leitores sabem hoje mais facilmente onde podem aplicar algum tempo livre ou profissional com proveito. Neste domínio da divulgação da agenda dos acontecimentos, o DN está a fazer um excelente trabalho para o leitor.

Irei, em próximas crónicas, analisar a acusação de sensacionalismo, a mudança de cronistas, a intitulada "viragem à direita", a primeira e última página e a página do Editorial. Pena que restem tantos assuntos para as poucas crónicas agendadas.

BLOCO NOTAS

DN na ONO

A ONO (Organization of News Ombudsman) vai realizar a sua próxima conferência anual de 20 a 23 de Maio. Em Boston, nos EUA, vão reunir-se provedores de órgãos de comunicação de todo o mundo. Estarão representados 13 países. Até ao momento, dos órgão de comunicação social portugueses, estará representado apenas o DN. O tema da conferência é “ Provedores (Ombudsman) num tempo de transição”, mostrando que o mundo é composto de mudança, como escreveria Camões. A sessão onde irei falar “Is There a shared Watchdog Role for the Public, the Blogs and Ombudsman?” será moderada por Geneva Overholser, da Missouri School of Journalism e terá a intervenção de Jeff Jarvis, Blogger, autor de um blogue intitulado Buzzflash. Entre outros, intervirão Dan Ockrent, primeiro provedor dos leitores do New York Times. Ian Mayes, presidente da ONO e jornalista do The Guardian, dialogará com Bill Kovach, fundador do Committee of Concerned Journalists, que esteve recentemente entre nós. (ver o programa da Conferência e outras informações em http://sotextosmesmo.blogspot.com/)

Escreva
Escreva sobre a informação do DN para provedor2006@dn.pt: “A principal missão do provedor dos leitores consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas e recomendações. O provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media.”
Do Estatuto do Provedor dos Leitores do DN

Para outros assuntos : dnot@dn.pt|